Geral

Milhares protestam contra Trump na Groenlândia e Dinamarca após anúncio de tarifas

Manifestações reúnem grande parte da população de Nuuk e ecoam em cidades dinamarquesas contra políticas dos EUA

17/01/2026
Milhares protestam contra Trump na Groenlândia e Dinamarca após anúncio de tarifas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Milhares de groenlandeses marcharam sobre a neve e o gelo neste sábado (17), em protesto contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A mobilização, que também ocorreu em cidades da Dinamarca — país que administra a Groenlândia desde o século 18 —, foi marcada pelo repúdio à possibilidade de anexação do território pelos EUA.

Manifestantes empunhavam cartazes, agitavam a bandeira nacional e entoavam o lema: "A Groenlândia não está à venda", reforçando o desejo de autonomia diante das ameaças americanas.

O ato percorreu o pequeno centro da capital Nuuk até o Consulado dos EUA. No final da caminhada, os participantes receberam a notícia de que Trump havia imposto tarifas de importação de 10% sobre produtos de oito países europeus, em resposta à resistência desses países ao controle americano da Groenlândia.

"Eu pensei que este dia não poderia ficar pior, mas acabou de ficar", desabafou Malik Dollerup-Scheibel, de 21 anos, à Associated Press (AP), ao saber do anúncio das tarifas. "Isso só mostra que ele não tem remorso por qualquer ser humano agora."

Dollerup-Scheibel e o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, classificaram o protesto como o maior já realizado na ilha, reunindo quase um quarto da população de Nuuk.

Marchas e comícios de solidariedade também foram registrados em todo o Reino da Dinamarca, incluindo Copenhague, e até na capital de Nunavut, território inuíte no norte do Canadá.

Os inuítes, ou esquimós, são povos nativos do Ártico e vivem em regiões do Alasca, Canadá e Groenlândia. "Isso é importante para o mundo todo", afirmou a dinamarquesa Elise Riechie, enquanto segurava bandeiras da Dinamarca e da Groenlândia em Copenhague. "Há muitos países pequenos. Nenhum deles está à venda."

Em Nuuk, pessoas de todas as idades acompanharam canções tradicionais durante a caminhada até o consulado. Marie Pedersen, de 47 anos, destacou a importância de levar seus filhos à manifestação: "Quero mostrar a eles que têm direito de se manifestar".

"Queremos manter nosso próprio país, nossa cultura e nossa família segura", afirmou Marie. Sua filha Alaska, de 9 anos, confeccionou um cartaz com a frase "A Groenlândia não está à venda".

A menina contou que seus professores discutiram a controvérsia em sala de aula e ensinaram sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).