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Vice-presidente da Venezuela foi alvo prioritário da DEA desde 2022, revela AP

Documentos apontam Delcy Rodríguez como foco de investigações antidrogas dos EUA, apesar de elogios recentes de Trump.

17/01/2026
Vice-presidente da Venezuela foi alvo prioritário da DEA desde 2022, revela AP
Delcy Rodríguez - Foto: Reprodução / Instagram

Delcy Rodríguez, vice-presidente interina da Venezuela, esteve sob investigação da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) por vários anos e foi classificada em 2022 como "alvo prioritário". Essa designação é reservada a suspeitos considerados de "impacto significativo" no tráfico de drogas, segundo documentos obtidos pela Associated Press.

A revelação contrasta com a postura do ex-presidente americano Donald Trump, que tem elogiado Rodríguez como principal interlocutora de Washington para a estabilização da Venezuela após a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro. Nesta semana, Trump afirmou que Rodríguez é uma "pessoa formidável" e destacou o contato próximo com autoridades americanas, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio.

Os documentos mostram que a DEA mantém desde pelo menos 2018 um dossiê detalhado sobre Rodríguez, com registros de associados e alegações que abrangem tráfico de drogas e contrabando de ouro. Um informante confidencial relatou à agência, no início de 2021, que hotéis na ilha de Margarita estariam sendo usados "como fachada para lavar dinheiro". Em 2023, Rodríguez também foi relacionada a Alex Saab, aliado de Maduro preso em 2020 por acusações de lavagem de dinheiro nos Estados Unidos.

Apesar das investigações, o governo americano nunca acusou publicamente Rodríguez de qualquer crime. Ela também não está entre as cerca de uma dúzia de autoridades venezuelanas denunciadas por tráfico de drogas ao lado de Maduro. Ainda assim, seu nome aparece em quase dez investigações da DEA, algumas delas ainda em andamento, envolvendo escritórios da agência no Paraguai, no Equador e em cidades como Phoenix e Nova York.

Três agentes atuais e antigos da DEA, que analisaram os documentos a pedido da AP, afirmaram que os registros indicam interesse intenso em Rodríguez durante grande parte de seu mandato como vice-presidente, iniciado em 2018. Os documentos não esclarecem o motivo de sua elevação à condição de "alvo prioritário", classificação que exige justificativa formal para destinação de mais recursos investigativos. A DEA mantém centenas de alvos prioritários simultaneamente, e o rótulo não implica, necessariamente, abertura de processo criminal.

"Ela estava em ascensão, então não é surpreendente que tenha se tornado um alvo de alta prioridade por causa do cargo", avaliou o ex-procurador federal em Miami Kurt Lunkenheimer, que atuou em diversos casos ligados à Venezuela. "Mas existe uma diferença entre ser alvo prioritário e haver provas suficientes para sustentar uma acusação."

O codiretor da organização InSight Crime, Steve Dudley, afirmou que "o atual governo venezuelano é um regime híbrido criminoso" e que "alcançar posições de poder passa, no mínimo, por tolerar ou favorecer atividades ilícitas".

Os documentos também apontam interesse das autoridades americanas no possível envolvimento de Rodríguez em contratos do governo concedidos a Saab. As investigações continuam mesmo após o então presidente dos EUA, Joe Biden, ter perdoado Saab em 2023, como parte de uma troca de prisioneiros envolvendo americanos detidos na Venezuela.

Com 56 anos, Rodríguez chegou ao topo do poder como assessora próxima de Maduro. Em setembro de 2018, a Casa Branca a incluiu em uma lista de sanções, descrevendo-a como peça-chave para a manutenção do controle político do ex-presidente venezuelano.

Fonte: Associated Press. Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.