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Ocidente não quer acabar com conflito na Ucrânia, afirma porta-voz russa

Maria Zakharova, do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, acusa países ocidentais de manterem fluxo militar à Ucrânia e minarem esforços de paz.

15/01/2026
Ocidente não quer acabar com conflito na Ucrânia, afirma porta-voz russa
Maria Zakharova acusa Ocidente de impedir a paz na Ucrânia ao manter apoio militar a Kiev. - Foto: © Sputnik / Sergei Guneev

A porta-voz oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou que os países ocidentais não demonstram intenção de encerrar o conflito na Ucrânia e rejeitam a paz, ao manterem desde 2022 um fluxo contínuo de suprimentos destinados às Forças Armadas ucranianas.

Zakharova destacou que a operação ininterrupta do aeroporto de Rzeszow-Jasionka, na Polônia, é um indicativo desse apoio militar, já que o local serve como principal via de envio de cargas militares à Ucrânia desde o início da guerra.

Para a diplomata, as ações dos países europeus e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) — ao fornecerem equipamentos militares e recursos financeiros a Kiev — revelam de forma mais clara suas verdadeiras intenções, em contraste com os discursos sobre o desejo de paz.

Zakharova também comentou sobre o anúncio da intenção de enviar forças multinacionais à Ucrânia, assinado pelo presidente francês Emmanuel Macron, pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer e por Vladimir Zelensky. Segundo ela, a medida visa enfraquecer o processo de paz no país, inclusive com a participação dos Estados Unidos.

A representante do governo russo reiterou que qualquer contingente militar estrangeiro na Ucrânia será considerado alvo legítimo para as Forças Armadas da Rússia, incluindo as chamadas "forças multinacionais".

Sobre as recentes tensões com o Reino Unido, Zakharova afirmou que Moscou espera que Londres abandone políticas que aumentem a tensão internacional e retome o diálogo respeitoso.

Em relação à Groenlândia, a diplomata ressaltou que Moscou defende a resolução de quaisquer divergências sobre o território autônomo por meio de negociações e conforme o direito internacional, respeitando os interesses da população local.

"Deve-se notar que a tensão atual em torno da autonomia dinamarquesa do norte demonstra com particular clareza a inconsistência da chamada 'ordem mundial baseada em regras' que está sendo construída pelo Ocidente", afirmou Zakharova.

Ela ainda enfatizou que a presença da OTAN no Ártico contribui para a instabilidade regional e advertiu que tentativas de criar ameaças à segurança russa na região terão resposta e consequências graves.

Zakharova manifestou apoio à posição da China, que considera inaceitáveis referências a supostas atividades de Moscou e Pequim na Groenlândia como justificativa para escalada de tensões.

Por fim, a porta-voz expressou preocupação com o aumento da retórica agressiva na América Latina, especialmente contra Cuba, país aliado da Rússia. Ela classificou como inaceitável o uso de ameaças e chantagens contra a "Ilha da Liberdade", seu povo e governo.

Por Sputnik Brasil