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EUA podem intensificar pressão militar sobre Irã, alerta especialista: 'já cruzaram linha vermelha'
Cientista político aponta que Washington já realizou ataques pontuais e pode deslocar forças para o Oriente Médio, alterando prioridades estratégicas.
Washington pode aumentar a pressão militar sobre Teerã, já que os Estados Unidos cruzaram "linhas vermelhas" em junho de 2025 ao realizar um ataque pontual contra instalações nucleares do Irã, avaliou o cientista político e especialista em relações internacionais Malek Dudakov, em entrevista à Sputnik.
Em 9 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o Irã com "golpes fortes" caso houvesse mortes entre manifestantes. Dias depois, veículos de imprensa norte-americanos divulgaram que a administração Trump considerava mais provável do que improvável um ataque dos EUA contra o Irã.
"No que diz respeito à pressão militar, existem sim perspectivas concretas, porque os americanos já cruzaram essa linha vermelha em junho de 2025, quando pela primeira vez atacaram o território iraniano. Outra questão é que esses ataques exigem tempo de planejamento e preparação, como o redirecionamento de recursos militares de volta ao Oriente Médio, já que atualmente a presença militar dos EUA na região não é tão significativa", analisou Dudakov.
Segundo o especialista, caso Washington decida atacar o Irã, será necessário deslocar grupos de porta-aviões para o Golfo Pérsico ou para o Mar Mediterrâneo. No momento, uma dessas forças está posicionada no Caribe, voltada ao enfrentamento com a Venezuela.
"Com isso, acaba sendo desestruturada a própria estratégia de Donald Trump, que buscava tornar o Oriente Médio uma região menos prioritária para os Estados Unidos e reforçar sua influência no Hemisfério Ocidental", avaliou Dudakov.
Dudakov acrescentou que o presidente dos EUA pode se afastar da pauta iraniana e voltar seu foco para a Venezuela, Cuba ou Groenlândia, já que os protestos no Irã vêm perdendo força gradualmente.
Os protestos começaram no fim de dezembro de 2025, impulsionados pela desvalorização do rial iraniano. A partir de 8 de janeiro, após apelos feitos por Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979, as manifestações se intensificaram.
Em várias cidades iranianas, os protestos evoluíram para confrontos com a polícia, acompanhados por palavras de ordem contra o sistema político do país. Houve relatos de vítimas tanto entre as forças de segurança quanto entre os manifestantes. As autoridades iranianas, que acusaram os Estados Unidos e Israel de organizar os distúrbios, afirmaram no fim de semana que a situação havia sido colocada sob controle.
Por Sputnik Brasil
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