Finanças

Aneel define bandeira amarela para maio e contas de luz terão aumento

Mudança na bandeira tarifária reflete redução das chuvas e maior uso de termelétricas, impactando consumidores e indústrias.

Agência O Globo - 24/04/2026
Aneel define bandeira amarela para maio e contas de luz terão aumento
- Foto: Reprodução

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (26) que a bandeira tarifária será amarela no mês de maio, o que resultará em um custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos pelos consumidores de energia elétrica.

Segundo a Aneel, a decisão foi motivada pela redução das chuvas na transição do período chuvoso para o seco, o que diminui a geração hidrelétrica e exige o acionamento de usinas termelétricas, que possuem custos mais elevados.

De janeiro a abril, a bandeira permaneceu verde devido às condições favoráveis de geração de energia. O sistema de bandeiras tarifárias, implementado pela Aneel em 2015, permite que os consumidores acompanhem mensalmente as condições de geração de energia no país.

Em nota, a Aneel reforçou a importância de os consumidores adotarem hábitos conscientes de consumo para evitar desperdícios e contribuir para a sustentabilidade do setor elétrico.

O impacto da medida será sentido diretamente nas contas de luz e nos custos das empresas, especialmente da indústria, que tem na energia um dos seus principais insumos.

Para Sérgio Pataca, coordenador de Mercado de Energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o anúncio sinaliza uma mudança importante no cenário hidrológico.

“A entrada no período seco no Sudeste, onde estão os principais reservatórios do país, reduz a capacidade de recuperação dos níveis e já começa a pressionar o custo de geração”, explica Pataca.

Ele ressalta que o cenário ocorre em meio a um quadro climático ainda indefinido, sem confirmação do fenômeno El Niño, o que amplia a incerteza sobre o comportamento das chuvas nos próximos meses.

“Esse conjunto de fatores aumenta o risco de acionamento de usinas mais caras e, consequentemente, a elevação da bandeira para o patamar vermelho já no início do segundo semestre”, alerta o especialista.