Finanças
Venda de carros usados bate recorde em 2025. Veja como escolher um veículo sem cair em armadilhas
No ano passado, foram mais de 18,5 milhões de veículos (incluindo motos) comercializados no Brasil, aponta a Fenauto. Do total, 11,5 milhões correspondem a carros de passeio
Os automóveis usados e seminovos caíram de vez no gosto — cabendo no bolso — dos brasileiros. Após um ano histórico em 2024, quando foram comercializadas 15,7 milhões de unidades, o setor voltou a bater recorde em 2025, com mais de 18,5 milhões de veículos (incluindo motos) vendidos no país. Do total, 11,5 milhões correspondem a carros de passeio, segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto).
Esse movimento, de acordo com especialistas, é impulsionado principalmente por fatores econômicos.
— O preço dos veículos novos segue elevado e distante da realidade de grande parte da população brasileira, o que faz com que o consumidor busque alternativas mais acessíveis. Além disso, o crédito para automóveis usados tem se mostrado mais viável porque os preços mais baixos implicam tíquetes médios de valores financiados também menores — explica Everton Fernandes, presidente da Fenauto.
O motorista de aplicativo Taciano Rocha, de 46 anos, tenta trocar de carro a cada dois anos para evitar muitos gastos com manutenção. No ano passado, chegou a cogitar a compra de um veículo novo, mas acabou optando por um seminovo — adquiriu um Fiat Cronos 1.8, ano 2021.
— Vi que, no ano passado, o mercado (de seminovos) tinha muitos carros com pouca quilometragem e valores acessíveis. Cheguei a cogitar comprar um novo, mas o valor de entrada era muito alto, enquanto a compra de um automóvel usado tinha condições facilitadas — relata.
Flávio Passos, vice-presidente de Autos do Grupo OLX, afirma que houve uma ampliação do perfil do consumidor, com cada vez mais pessoas que teriam condições de comprar um veículo novo optando por carros seminovos mais completos ou de categorias superiores.
— Esse consumidor está mais digital, pesquisa mais, compara preços e toma decisões de forma mais racional. A escolha deixou de ser apenas por preço e passou a considerar o custo total, a tecnologia embarcada e o histórico do veículo — conclui.
‘Sem chance de comprar 0km’
Leia o depoimento do motorista particular Marcelo Velloso, de 50 anos:
Comprei um Toyota Corolla Híbrido 2023, porque, levando em consideração o custo-benefício, tenho mais vantagens do que comprar um carro 0km. A desvalorização do carro novo é absurdamente alta, de 10% a 30% no primeiro ano, a depender do fabricante e do modelo do veículo. Por isso, acho muito mais vantajoso adquirir um seminovo com de um a três anos de uso, com baixa quilometragem e com estado de “semizero”. Por aqui, não tem nenhuma chance de comprar um 0km. Comprar carro novo no Brasil é só para quem não entende nada de automóveis, tem dinheiro sobrando e não se importa de perder com a desvalorização do veículo, ou por satisfação pessoal. Eu procuro comprar de empresa por ser mais garantido para exigir algo que esteja em desconformidade e também por fornecer garantia mínima de três meses, além de vistoria cautelar feita por terceirizadas, onde pode ser detectado qualquer vício oculto e verificado todo o histórico do veículo.
Procura deve seguir em alta
Após um ano recorde para o setor, a procura por veículos novos e seminovos deve permanecer elevada em 2026, uma vez que esses automóveis representam a principal porta de entrada e de troca para o consumidor brasileiro, avalia o presidente da Fenauto.
Mesmo em um contexto de vendas aquecidas, ele projeta que os preços desses veículos seguirão uma tendência de estabilidade, com possíveis ajustes pontuais.
— A tendência é de estabilidade, com possíveis ajustes pontuais, influenciados por fatores como taxa de juros, custo do crédito, custo do IPVA, valor do seguro e dinâmica regional de oferta e demanda. Não há indicativos de aumentos generalizados, mas, sim, de um mercado que segue se ajustando às condições econômicas — afirma Fernandes.
Ele destaca ainda que, atualmente, a idade média dos veículos no Brasil gira entre 10 e 11 anos, e que uma parcela significativa da frota nacional tem mais de 13 anos de uso. Segundo ele, esse cenário contribui naturalmente para a ampliação do volume de veículos disponíveis para revenda e ajuda a manter o mercado aquecido.
Como fazer uma boa compra
Escolha do veículo - Lembre que o melhor carro é aquele que se encaixa na realidade do consumidor. Flávio Passos, da OLX, diz que o primeiro passo é identificar as próprias necessidades, como o tipo de uso, o orçamento disponível e os custos de manutenção. Ele aponta que pesquisar o preço do seguro dos modelos também evita surpresas depois da compra.
Revendas autorizadas - Everton Fernandes, da Fenauto, orienta a priorizar a compra em revendas estabelecidas e de confiança, que ofereçam procedência, garantia e respaldo jurídico. Segundo ele, isso reduz significativamente os riscos.
Compra pela internet - Na internet, lembre-se de analisar os anúncios completos, com boas fotos e descrições detalhadas, explica Passos. Ele destaca ainda a importância de negociar pelo chat da plataforma como forma de evitar o compartilhamento de dados pessoais sensíveis. A OLX, por exemplo, oferece recursos para aumentar a segurança, como o perfil verificado, que ajuda a identificar vendedores mais confiáveis, e o histórico veicular, que permite consultar informações relevantes do carro.
Preços baixos demais - Desconfie de preços muito abaixo do mercado e de intermediários que não sejam os donos legais do veículo, recomenda Passos. É essencial checar a credibilidade dos vendedores.
Inspeção presencial - No caso de compras on-line, não se esqueça de ver o carro pessoalmente antes de fechar negócio, recomenda Passos. Para isso, marque preferencialmente em local movimentado, realizando uma inspeção cuidadosa e, se possível, contando com o apoio de um mecânico de confiança. Nessa hora, avalie se o estado geral do veículo condiz com o valor pedido e aproveite também para fazer um test-drive.
Documentos - Verifique a documentação do veículo, histórico de sinistros, quilometragem, existência de débitos e se o automóvel passou por vistorias técnicas. Fernandes diz que um laudo cautelar é altamente recomendável.
Na hora de pagar - Nenhum pagamento deve ser feito antes da verificação do veículo e da confirmação de que os dados bancários correspondem aos do proprietário, diz Passos. A transferência da titularidade do automóvel deve ser feita em cartório (veículos com CRV emitido antes de 2021) e dentro do prazo legal, garantindo que multas, impostos e responsabilidades passem oficialmente para o novo dono e evitando transtornos após a compra.
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