Finanças

Em jornais da Europa e do Mercosul, Lula diz que acordo é resposta ao protecionismo

'O comércio internacional não é um jogo de soma zero', afirma presidente

Agência O Globo - 17/01/2026
Em jornais da Europa e do Mercosul, Lula diz que acordo é resposta ao protecionismo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou neste sábado um artigo em 27 jornais europeus e do Mercosul, apresentando o acordo que será assinado hoje, no Paraguai, como uma reação política e econômica ao avanço do unilateralismo, do protecionismo e das guerras comerciais no cenário internacional. O texto, traduzido para 17 línguas, destaca que, em um momento em que “o unilateralismo isola mercados e o protecionismo inibe o crescimento global”, os dois blocos optaram por um caminho diferente, fundamentado na integração, abertura comercial e defesa do multilateralismo.

“Contra a lógica das guerras comerciais que segregam economias, empobrecem nações e aumentam a desigualdade, Mercosul e União Europeia assinam amanhã um dos acordos mais amplos do século XXI”, escreve Lula.

Negociado ao longo de mais de 25 anos, o acordo é apresentado como resultado da convicção de que “só a integração e a abertura comercial promovem a prosperidade compartilhada”. Lula sustenta que o tratado cria a maior área de livre comércio do mundo e rejeita a lógica de soma zero no comércio internacional.

“Não existe economia isolada. O comércio internacional não é um jogo de soma zero. Todos querem crescer, e a nova parceria irá criar oportunidades mútuas de emprego, geração de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico”, afirma o presidente.

Segundo o artigo, o acordo reúne 31 países, que somam cerca de 720 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto conjunto superior a US$ 22 trilhões. Lula ressalta que a parceria ampliará o acesso mútuo a mercados estratégicos, com regras “claras, previsíveis e equilibradas”, além de estimular investimentos, exportações e cadeias produtivas em ambos os lados do Atlântico.

Lula também enfatiza que a versão final do acordo preserva interesses sensíveis. Ele afirma que o texto aprovado resguarda setores vulneráveis, garante proteção ambiental, promove valores como democracia e direitos humanos, fortalece os direitos dos trabalhadores e mantém o papel do Estado como agente estratégico do desenvolvimento econômico e social.

Para o presidente, a conclusão do tratado demonstra que Mercosul e União Europeia escolheram o diálogo em condições de respeito e igualdade, mesmo diante de visões distintas. Ele destaca que os blocos encontraram convergências, mostrando que a cooperação é mais eficaz e vantajosa do que a intimidação e o conflito.

No artigo, Lula ressalta que a assinatura do acordo não encerra o processo, mas inaugura uma nova etapa. O sucesso do tratado, segundo ele, será medido pela rapidez com que seus benefícios chegarem “às prateleiras dos mercados, ao campo, às fábricas e aos bolsos dos cidadãos”.

“A assinatura, no entanto, constitui só um primeiro passo. Amanhã começa uma nova fase de cobrança para a implementação ágil e transparente do que foi pactuado.”

Lula aponta ainda que os ganhos potenciais abrangem diversos setores, da bioeconomia à indústria de alta tecnologia, beneficiando agricultores, empresas de diferentes portes e consumidores. Para além da dimensão econômica, o presidente afirma que o acordo reforça laços históricos entre regiões de vocação democrática e multilateral.

“A interdependência é uma necessidade e uma realidade”, escreve, defendendo o trabalho conjunto como instrumento para promover a paz e enfrentar as mudanças climáticas.

Ao final, Lula sustenta que o acordo Mercosul–União Europeia simboliza a possibilidade de uma governança global alternativa, “mais ativa, representativa, inclusiva e justa”, e associa o tratado à defesa de reformas em instituições multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio e o Conselho de Segurança da ONU.

“Ante o crescimento do extremismo político, Mercosul e União Europeia demonstram na prática como o multilateralismo (…) segue atual e imprescindível”, conclui o presidente.