Finanças

Nome de cinema, clubes de futebol, suspeitas de ligação com PCC: relembre o histórico da Reag

Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da gestora, na esteira de nova fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes e lavagem de dinheiro

Agência O Globo - 15/01/2026
Nome de cinema, clubes de futebol, suspeitas de ligação com PCC: relembre o histórico da Reag
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

 A instituição foi alvo de uma operação da Polícia Federal na última quarta (14) e é considerada peça central para entender a suposta fraude envolvendo o Banco Master, mas também já havia sido implicada em investigações que apuram as relações da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis, em 2025.

Empresário e conselheiro do Palmeiras:

Operação da PF:

Antes de aparecer no noticiário pelas suspeitas de envolvimento em atividades ilícitas, a gestora ficou conhecida por uma ascensão meteórica e mais acelerada do que o comum na Faria Lima, e dava nome a um dos mais icônicos cinemas de rua de São Paulo, o Belas Artes, na região da Avenida Paulista. O , de forma antecipada (o acordo era de cinco anos) após as investigações criminais contra a Reag. O GLOBO procurou a empresa e aguarda posicionamento.

A Reag foi fundada em 2012 por João Carlos Mansur, e em poucos anos ela virou uma das maiores gestoras independentes de recursos. O crescimento acelerado da empresa, diferentemente de suas concorrentes, sempre chamou a atenção dos seus pares. O negócio cresceu sobretudo com a aquisição de mandatos de fundos exclusivos, que famílias ricas usam para administrar seu dinheiro. Esses fundos só tem um cotista. Ela também comprou diversas gestoras.

Master:

Caso Master:

Até julho do ano passado, a Reag era a maior gestora independente do país, com R$ 341,5 bilhões sob gestão, segundo ranking mensal da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). São recursos de pessoas físicas e jurídicas, fundos de pensão e investidores institucionais que aplicaram em mais de 500 fundos de investimento oferecidos em sua plataforma.

A gestora também ficou conhecida no mundo do futebol. A Reeve, companhia que como sócio O projeto prometeu R$ 1 bilhão de investimentos no clube ao longo de 20 anos, que incluem a reforma do Estádio do Canindé, a reestruturação da dívida e reposicionamento da Lusa no futebol brasileiro.

A ligação com o esporte não parou por aí, porque Mansur também participou da O acordo, também liderado pela Reag, envolvia R$ 480 milhões em aportes e previa a modernização do Estádio Conde Rodolfo Crespi, no bairro da Mooca. O empresário também participou do conselho do Palmeiras e foi gestor de finanças do estádio do Corinthians.

Operação Carbono Oculto

Mas , deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Polícia Federal e Receita Federal. Segundo as investigações, 11 fundos ligados à gestora teriam sido usados para adquirir e ocultar bens como imóveis, veículos e até usinas de álcool, dentro de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do PCC.

Segundo o MP-SP, entre 2020 e 2024, as empresas formuladoras de combustível ligadas ao PCC importaram R$ 10 bilhões em nafta, hidrocarbonetos e diesel. Formuladoras de combustível são empresas autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a misturar hidrocarbonetos e outros componentes para produzir gasolina e óleo diesel.

Os valores que os postos recebiam em dinheiro ou cartão eram destinados ao PCC, totalizando R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, que chegavam ao sistema financeiro por meio de fintechs. As fintechs recebia tanto os valores das máquinas de pagamento em cartão como dinheiro em espécie, que somaram, somente entre 2022 e 2023, mais de R$ 61 milhões, em 10 mil depósitos.

Posteriormente, esse dinheiro que já estava em contas bancárias era reinvestido em negócios e propriedades por meio de fundos de investimentos. Segundo a Receita, ao menos 40 fundos de investimentos, de multimercado e imobiliários, eram controlados pelo PCC. O patrimônio gerido pela organização chega a R$ 30 bilhões. Ao menos 11 desses fundos eram geridos pela Reag. Os fundos chegaram a comprar um terminal portuário, quatro usinas produtoras de álcool – e planejavam adquirir mais duas —, além de 1.600 caminhões para transporte de combustíveis e mais de 100 imóveis.

Ligações com o Master

Em setembro, após a Operação Carbono Oculto, a Reag anunciou a venda de seu controle acionário e a saída de Mansur da presidência do conselho.

Mansur foi um dos alvos da operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (14), que investiga um suposto esquema de fraudes do Banco Master. Parte das suspeitas envolvendo o Master foi identificada pelo BC e encaminhada para investigadores. Um dos fatos que chamou atenção foi uma sequência de transações relâmpagos feitas por uma rede de fundos de investimento administrados pela gestora de recursos Reag DTVM a partir de um empréstimo de R$ 459 milhões da instituição financeira de Daniel Vorcaro. Uma das operações consideradas suspeitas teve rentabilidade de 10.502.205,65% em 2024.

Formado em ciências contábeis, Mansur possui MBA em gestão financeira e administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Em seu perfil profissional no LinkedIn, Mansur afirma ter mais de 35 anos de experiência nas áreas de auditoria, controladoria, gestão financeira, desenvolvimento de negócio e análise de investimentos e gestão empresarial.

Além da Reag, o empresário presidia o Conselho de Administração do Grupo Azevedo & Travassos, empresa de engenharia, infraestrutura e energia, entre novembro de 2024 e setembro de 2025. No mesmo período, integrou o Conselho de Administração da SteelCorp, grupo industrial com negócios nas áreas de aço, mineração e energia.

Em julho do ano passado, depois de quase seis anos, Mansur saiu também do conselho da Lux Oil & Gas International, empresa do setor de petróleo e gás com operações no exterior. O empresário também chegou a presidir por um ano o Conselho de Administração da GetNinjas, plataforma digital de contratação de serviços, entre novembro de 2023 e dezembro de 2024.