Finanças

Quem é João Carlos Mansur, fundador da Reag, gestora de fundos liquidada pelo Banco Central

Executivo é alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeita de fraudes financeiras. Mansur está no exterior.

Agência O Globo - 15/01/2026
Quem é João Carlos Mansur, fundador da Reag, gestora de fundos liquidada pelo Banco Central
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O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, anteriormente conhecida como Reag, uma das principais gestoras independentes de fundos do país. A empresa é suspeita de envolvimento em um esquema fraudulento com o Banco Master. O fundador da gestora, João Carlos Mansur, foi um dos alvos de busca e apreensão da nova fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal. De acordo com o colunista Lauro Jardim, Mansur está atualmente no exterior.

Parte das suspeitas envolvendo o Banco Master foi identificada pelo BC e encaminhada às autoridades para investigação. Um dos episódios que chamou atenção foi uma série de transações relâmpago realizadas por uma rede de fundos administrados pela Reag DTVM, a partir de um empréstimo de R$ 459 milhões concedido pela instituição financeira de Daniel Vorcaro. Uma dessas operações, considerada suspeita, apresentou rentabilidade de impressionantes 10.502.205,65% em 2024.

Trajetória profissional e formação

Formado em Ciências Contábeis, Mansur possui MBA em gestão financeira e administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Em seu perfil no LinkedIn, ele afirma acumular mais de 35 anos de experiência em auditoria, controladoria, gestão financeira, desenvolvimento de negócios, análise de investimentos e gestão empresarial.

Atuação empresarial e influência no futebol

Antes de fundar a Reag Investimentos em 2012, Mansur construiu carreira em grandes empresas. A Reag rapidamente se destacou no mercado, tornando-se uma das maiores gestoras independentes do Brasil. No entanto, em setembro de 2024, após ser citado na Operação Carbono Oculto, que investiga o envolvimento do PCC na distribuição de combustíveis, a gestora anunciou a venda de seu controle acionário e a saída de Mansur da presidência do conselho.

No mesmo período, para conter a crise de credibilidade, Mansur deixou outros cargos de destaque. Ele presidia o Conselho de Administração do Grupo Azevedo & Travassos, do setor de engenharia, infraestrutura e energia, posição que ocupava desde novembro de 2024. Também integrava o Conselho de Administração da SteelCorp, grupo industrial atuante nas áreas de aço, mineração e energia.

Em julho de 2023, após quase seis anos, Mansur saiu do conselho da Lux Oil & Gas International, empresa do setor de petróleo e gás com operações no exterior. O empresário presidiu ainda, por um ano, o Conselho de Administração da GetNinjas, plataforma digital de serviços, entre novembro de 2023 e dezembro de 2024.

Mansur também se destacou como um dos empresários mais influentes na interseção entre o mercado financeiro e o futebol brasileiro, movimentando cifras bilionárias. Ele é conselheiro influente no Palmeiras, gestor das finanças do estádio do Corinthians e articulador de investimentos em clubes como Juventus e Portuguesa.

Atuação no setor imobiliário

Além do mercado financeiro e esportivo, Mansur teve forte presença no setor imobiliário. Participou de conselhos de empresas como Santos Dumont Empreendimentos Imobiliários, responsável pelo Bossa Nova Mall no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Também integrou o conselho da FYP Engenharia, com projetos residenciais do programa Minha Casa Minha Vida, e da FRJR Empreendimentos Imobiliários, especializada em centros comerciais de pequeno e médio porte.