Finanças
Galípolo se reúne com diretor-geral da PF após operação que mira Banco Master
Ação da PF teve como alvos o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, seu cunhado, o empresário Nelson Tanure e o fundador da Reag
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, tem reunião marcada para o final da tarde desta quarta-feira com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. O encontro ocorre no mesmo dia em que a PF deflagrou uma operação que teve como alvo o Banco Master e fundos de investimento ligados à gestora Reag.
Segundo a agenda oficial do BC, a reunião tratará de "assuntos institucionais", sem detalhar a pauta específica do encontro.
Nesta quarta-feira, a PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão, focando na relação entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e fundos administrados pela Reag. A operação resultou no bloqueio e sequestro de bens avaliados em R$ 5,7 bilhões. Apenas em dinheiro vivo, foram encontrados R$ 97 mil. Também foram apreendidos carros, relógios de luxo e um revólver.
O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, foi detido brevemente no momento em que se preparava para embarcar para Dubai, sendo liberado em seguida. Já o empresário Nelson Tanure foi alvo da operação no aeroporto do Galeão, quando estava prestes a embarcar para Curitiba, tendo seu celular apreendido.
A investigação apura, entre outros pontos, empréstimos concedidos pelo Banco Master a empresas que posteriormente reaplicavam recursos em fundos administrados pela Reag. A gestora também aparece na Operação Carbono Oculto, que investiga vínculos econômicos do PCC, inclusive no setor de combustíveis.
Segundo a PF, os valores eram movimentados em transações sucessivas entre diversos fundos, alcançando rentabilidade final muito superior à média de mercado.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele tem "colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes". "Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência", diz o texto.
Os advogados acrescentaram que Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, "reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito".
Procurada pelo GLOBO, a defesa de Nelson Tanure declarou que o empresário tem décadas de experiência profissional e nunca respondeu a processo criminal por suposta prática delitiva em empresas das quais foi ou é acionista. "Não tendo qualquer relação de natureza societária com o Banco Master, do qual foi cliente nos últimos anos". Segundo a nota, a única medida imposta foi a apreensão do celular.
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