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Michael Jackson sofreu castração química? Entenda procedimento que teria sido feito pelo seu pai

Diferentes pessoas acusaram Joe Jackson de ministrar tratamentos hormonais para manter sua voz aguda

Agência O Globo - 25/04/2026
Michael Jackson sofreu castração química? Entenda procedimento que teria sido feito pelo seu pai
Michael Jackson - Foto: Reprodução / Instagram

O lançamento da cinebiografia do cantor Michael Jackson voltou a despertar o interesse do público pela vida do Rei do Pop. "Michael" conta a sua história desde o início no Jackson 5 até o auge da fama e tem o seu próprio sobrinho, Jaafar Jackson, no papel título. O longa, aliás, . E as questões familiares foi mesmo um tema que acompanhou o cantor por toda a sua vida.

Saiba:

'Michael':

Entre os assuntos que voltam a aparecer de tempos em tempos esta a possibilidade de o pai de Michael, o empresário Joe Jackson, ter feito uma castração química no artista. O objetivo era que ele mantivesse a voz aguda que encantou o mundo desde a sua infância no grupo com os irmãos. O contexto não joga a favor de Joe, que mantinha uma rotina de diferentes abusos com todos os filhos que integravam o grupo.

Uma das acusações de castração química veio em 2011, quando o pesquisador francês Alain Branchereau afirmou que o artista "sofreu, sem saber, uma castração química entre os 12 e os 20 anos". Branchereau também é professor de cirurgia vascular do hospital Timone de Marselha, no sul da França, e autor do livro "O segredo de uma voz", sobre Michael, lançado naquele ano.

Ele diz ter se baseado em diversos documentos, entre eles, o da autópsia de Michael. O médico afirmou que o cantor "tinha órgãos genitais perfeitamente normais e era apto para as relações sexuais", mas "foi privado não só de sua infância, como de sua adolescência, o que obrigatoriamente teve repercussões psicológicas".

A castração teria ocorrido por meio de um medicamento contra a acne, o que bate com um relato da autobiografia do cantor, que disse ter sofrido com a acne a partir dos 12 anos.

O relato do uso deste medicamento também bate com outra acusação, a do médico do cantor, Conrad Murray, que foi condenado pela morte do artista por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. Ele falou sobre o assunto em entrevistas e no seu livro “This Is It! The Secret Lives of Dr. Conrad Murray and Michael Jackson”, lançado em 2016. O médico acusou o pai de Michael de forçá-lo a tomar injeções de hormônio a partir dos 12 anos de idade para curar acne e prevenir a mudança de voz.

O efeito na voz foi de fato adquirido. Para Branchereau, um dos indícios da castração que teria sido feita pelo pai é a capacidade que Michael tinha de "cobrir três oitavas, frente às duas que alcançam os grandes tenores".

Mas tudo isso teve um custo emocional alto a ser pago pelo Rei do Pop. A jornalista Sharon Carpenter, que produziu o documentário "Forever the King: A Tribute to Michael Jackson", sobre a vida do cantor, afirmou que ele jamais perdoou o seu pai pela castração química. Em entrevista ao site Daily Star, ela disse que o assunto sempre o perseguiu até a morte.

“Você acha que o Michael Jackson perdoou Joe pelo que ele fez com ele? Não sei se perdão é a palavra certa, mas tentar superar é provavelmente a melhor maneira de explicar isso”, disse ela, que estava no hospital no dia da morte do cantor, em 2009, e entrevistou Joe três dias depois, afirmando ainda que acha que o pai nunca o amou.

Joe Jackson morreu em 2018, aos 89 anos. De acordo com o site TMZ à época, ele tinha câncer e estava em estado terminal.

Castração de cantores já foi comum

Os homens que eram castrados para que mantivesses suas vozes agudas eram chamados de castratis. A prática de fazer isso com meninos antes da puberdade tem relatos a partir do século XVI e durou até o século XIX.

A prática era mais comum na Itália e chegou até a fazer com que o Papa Clemente III aceitasse os castratis nos corais da Capela Sistina, em 1599. O caso foi uma questão para a época, porque a amputação era ilegal para a Igreja Católica, exceto para os procedimentos indispensáveis para salvar uma vida.

Curiosamente, foi uma determinação da própria Igreja que motivou esta prática. O Papa Sisto V, ainda no século XVI, proibiu mulheres de cantarem em público. Com a retirada dos testículos normalmente aos 8 anos, os meninos mantinham a voz aguda e conseguiam cantar como sopranos e contraltos, classificações vocais usadas para as mulheres. Assim, as óperas poderiam continuar a ter vozes agudas nos seus arranjos e apresentações. Somente em 1870 que o procedimento da castração para o canto foi proibido na Itália.

O último castrati conhecido foi o cantor de ópera italiano Alessandro Moreschi. Ele morreu já no século XX, em 1922, 36 anos antes do nascimento de Michael Jackson.