Curiosidades
Voz do Erasure, do hit ‘A little respect’, Andy Bell jura: ‘Não é frustrante cantar essas músicas, são elas que pagam as contas’
Inglês, que chega ao Brasil para maratona solo, lembra de apresentações no país abrindo para David Bowie e fala do papel que teve na aceitação da cultura queer no mainstream mundial: ‘Adoro ver casais heterossexuais que se conheceram nos nossos shows’
Uma das vozes mais reconhecíveis da história da música pop, o inglês Andy Bell, de 61 anos, chega ao Brasil para uma maratona de shows, que começa esta segunda-feira, no Rio (no Qualistage), e segue na quarta por Porto Alegre (Auditório Araújo Vianna), quinta por Curitiba (Teatro Positivo), sexta por Belo Horizonte (BeFly Hall) e sábado por São Paulo (Suhai Music Hall).
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Harry Styles:
Em sua nova visita ao país, ele traz a novidade de “Ten Crowns”, elogiado álbum solo, o terceiro de sua carreira, do qual cantará oito faixas.
— Esperamos que o público não se entedie, pois misturamos essas músicas com canções do Erasure e alguns covers. A transição entre elas é quase imperceptível — promete.
Há mais de 40 anos, Bell é o cantor do Erasure, um dos mais bem-sucedidos nomes da dance music mundial, com um caminhão de hits que vão do inevitável “A little respect”, de 1988 (música que, para ele, “tem uma vida própria”) a “Blue Savannah”, “Love to hate you”, “Oh L'amour”, “Always” e “Sometimes”. Clássicos que ele sempre tem que cantar, com o Erasure ou em sua carreira solo.
— Não é frustrante (cantá-las), porque são essas que pagam as contas. Quando você se torna músico, não tem noção da responsabilidade que tem com as pessoas. Essas músicas fazem parte da vida do público — admite. — Fico pensando como Frank Sinatra se sentia cantando “New York, New York” depois de tantos anos. Todo mundo tem sua música-chave, sua assinatura, que você tem que cantar. E ser grato por isso.
De 15 em 15 dias, Andy Bell fala com Vince Clarke, produtor-tecladista e metade do Erasure, que define como “muito humilde, muito tímido, que guarda seus sentimentos para si mesmo, mas ao mesmo tempo é o cara mais hilário que conheço”. E traz novidades:
— Estamos compondo para um novo álbum da dupla, mas tudo ainda está indefinido.
Hoje, Andy Bell consegue dimensionar o papel que o Erasure teve, com suas músicas e clipes sempre desinibidos, exuberantes e cheios de humor, para a aceitação da cultura queer no mainstream mundial.
— Acho que foi algo enorme, foi um acontecimento importantíssimo e, de certa forma, uma grande surpresa. Porque sempre estivemos meio que... bem, não diria que não estávamos na vanguarda, mas sempre estávamos ali, borbulhando na superfície. E isso tornou tudo muito legal — discorre. — Adoro ver casais heterossexuais que se conheceram nos shows do Erasure ou que mostraram em seus casamentos a primeira vez em que dançaram “Always”. Isso não tem nada a ver com a homossexualidade! Acho que ter essa aceitação geral é algo espetacular.
‘O importante era estar vivo’
Em 2004, Bell veio a público revelar-se portador do vírus HIV, o que já sabia desde 1998.
— Naquela época, o importante era estar vivo, mostrar às pessoas que era possível estar vivo. Que era possível seguir em frente, se divertir, ser igual a todo mundo — diz ele, atualmente muito bem de saúde (apesar de ter passado, alguns anos atrás, por uma cirurgia nos quadris). — Você não pode transmitir o vírus para ninguém enquanto tiver acesso aos medicamentos, que deveriam ser gratuitos para todos.
Mesmo depois de 40 anos com o Erasure (e de mais alguns como ouvinte e dançarino), o inglês diz que a sua paixão pela dance music está longe de esfriar.
— Nos shows no Reino Unido e nos Estados Unidos, a última música que tocava antes de entrar no palco era “Fade to gray”, do Visage, que não era exatamente uma música disco, mas tem aquela energia eletrônica, aquele glamour, que meio que te prepara para algo especial — relata. — E é a mesma coisa quando ouço “I feel love”, da Donna Summer. É euforia instantânea, não consigo sair da pista de dança. Há certas músicas simplesmente preciosas.
O Brasil, onde já esteve um bom punhado de vezes (é clássico o vídeo do Erasure fazendo playback de “Love to hate you”, em 1991, no “Xou da Xuxa”), tem um lugar especial em seu coração.
— Tocamos duas vezes no Brasil com David Bowie (no Rio e em São Paulo, em 1997) e foi muito interessante ver a reação do público. Éramos os últimos a entrar no palco antes dele, e claro, o público o adorava. Quase me senti inadequado em subir ao palco antes dele (risos), especialmente em um lugar como o Rio. Era uma plateia grande, foi bem assustador, mas... tudo bem! — desabafa Bell (e no Rio, curiosamente, seu show será no mesmo local onde o Erasure abriu para Bowie). — Sinto que preciso passar um tempo no Brasil, porque adoro assistir na TV e sempre vejo esses chefs incríveis em lugares como São Paulo, gostaria muito de saber mais sobre eles. E, claro, temos amigos brasileiros em Londres que são sempre pessoas adoráveis.
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