Curiosidades
Qual vai ser o hit do verão 2026 no Brasil? A disputa promete ser quente
Funk, brega, pagode, axé e até o retorno triunfal de um antigo hit de Gretchen se embolam na competição pelos ouvidos dos brasileiros que irá determinar qual será a música do fervo
O ano começa e não dá para escapar dos clichês: calor, férias, churrasco, praia, carnaval... Com isso tudo, as plataformas de streaming salivam, com artistas e gravadoras à espera daquele considerável aumento do consumo de música.
Entra em cena, então, a expectativa pelo hit do verão: as músicas que vêm chegando de mansinho, geralmente ali pelo fim do ano, das mais diferentes procedências, mas com a combinação de características — impulsionada pelas redes sociais e, não raro, por obra do acaso — para conquistar ouvidos, corações, quadris e playlists da população no auge do fervo.
Monte seu top 10:
'Absolutamente falsas':
Editor de música e cultura da plataforma Deezer, Daniel Aguiar dá a receita:
— As faixas que costumam despontar carregam o puro suco do Brasil, essa mescla de influências regionais e gerais com as quais o brasileiro, do Oiapoque ao Chuí, se conecta por alguma razão que ele às vezes nem sabe qual é.
Uma das músicas em que Daniel detecta o tal “puro suco de Brasil” é “Jetski”, do DJ , um dos maiores nomes do funk. A canção que sugere uma relação sexual em cima do veículo símbolo de ostentação é o primeiro lançamento de Sampaio pela Sony Music. Com participações de dois ex-talentos mirins, a cantora e o MC Meno K, a música entrou no Top 100 global do Spotify antes da virada do ano.
— “Jetski” tem uma pulsação de 150 BPM, original de funk; um beat que é mais ou menos um brega; e uns vocal chops (fragmentos de gravação cortados, rearranjados e manipulados digitalmente para criar novas melodias, ritmos ou texturas sonoras), um efeito de Auto-Tune muito usado em música pop — disseca ele. — É esse híbrido com o qual o brasileiro majoritariamente se conecta.
Sampaio comemora:
— É música que toca e já dá vontade de estar na rua, com os amigos, curtindo. É leve, tem refrão chiclete e uma energia que combina com a vibe de diversão e liberdade dessa época.
Para Roni Maltz Bin, CEO do Grupo Sua Música (que faz distribuição digital de faixas e mantém uma plataforma de streaming gratuita focada em música do Nordeste), a novidade a ser considerada na aposta pelo hit do verão 2026 é o recente crescimento na preferência popular do pagode, principalmente por causa do sucesso do , de Brasília, que emplacou a primeira e terceira músicas mais ouvidas no streaming brasileiro em 2025: “P do pecado” e “Coração partido”.
— Tem muita gente apostando que virão outros grupos. O “Alô Virgínia” está aí como um exemplo legal, é uma música de uma banda de Porto Alegre — diz Roni.
Ele se refere ao Grupo Chocolate, que gravou o bombado samba (Top 5 Global e Top 5 do Spotify Brasil) inspirado pela influenciadora , com feat da Turma do Pagode, grupo paulistano oriundo dos anos 2000.
— Nos chamavam de Chocolate Branco, diziam que a gente não tinha cara de quem tocava pagode — conta o cavaquinista e cantor Gabriel Rocha.
Integrante da Turma do Pagode, o cavaquinista Marcelinho TDP foi o produtor e diretor musical dos DVDs que o Grupo Chocolate gravou, em 2023 e 2025. E também o compositor, junto com Rennan e Wallace Costa, do “Alô Virgínia”, que os gaúchos gravaram ao vivo com participação dos paulistanos, e lançaram em dezembro.
— A gente foi lançando outras músicas, sempre testando, querendo que acontecesse um viral como esse, do “Alô Virgínia” — admite Mateus Dias, pandeirista do Chocolate.
Para Gabriel, o sucesso foi o resultado de um combo, que incluiu a divulgação nas redes por parte de Virginia Fonseca (que “comprou o barulho” do grupo), o feat da Turma do Pagode e otras cositas.
— Ela tem uma dança fácil de fazer, criada pelo Lucas Guedes, e é fácil de cantar, tanto que acabou aproximando muito a gente do público infantil. Tem uma letra leve.
A junção Grupo Chocolate-Turma do Pagode bate com o que Daniel Aguiar, da Deezer, vê como um caso comum entre os candidatos a música do verão de 2026: “medalhões trazendo novos nomes”. MC Meno K, que está em “Jetski”, também aparece em “Posso até não te dar flores”, do DJ Japa NK, ainda com MC Ryan SP, MC Jacaré e DJ Davi DogDog.
— Essa faixa é um fenômeno do MTG (subgênero do funk brasileiro que cria faixas através de colagens de músicas, vocais e batidas preexistentes), mas também tem uma pontinha de brega, com aquele beat de forró, o teclado Casio e o sax, que é característico do arrocha — analisa Daniel.
Na mesma situação, dos “medalhões trazendo novos nomes” está “Gostosin”, faixa do álbum “Ensaios de ”, que a cantora gravou com Felipe Amorim (para Daniel Aguiar, da Deezer, “um fenômeno do piseiro, um gênio, um hitmaker”). A música também aparece como um dos possíveis hits do verão 2026.
— As músicas que lanço para o carnaval são menos sobre a busca do “hit do verão”, e mais sobre criar a trilha pra o meu momento preferido do ano — explica Anitta ao GLOBO. — “Gostosin”, com meu parceiro Felipe Amorim, é uma mistura do piseiro, funk, com refrão chiclete, letra sensual, produção que pede uma coreografia… Isso é puro verão nas pistas e ruas pelo Brasil afora.
E por falar em medalhões, quem é que não podia ficar de fora da disputa? . Em show no réveillon, ela lançou “Vampirinha”, composição sua com Samir Trindade, Luciano Chaves e JNR Beats, que rapidamente viralizou nas redes sociais devido à letra (“Vou te chupar/ chupar teu pescoço /te chupar todo /chupar, chupar, chupar com gosto”). Ivete dizia que a canção é “uma fuleiragem para dançar e se divertir” e, com o sucesso, apressou-se em gravá-la em uma versão ao vivo, que chegou ao streaming no último dia 12.
— “Vampirinha” tem uma relação direta com a fantasia do carnaval. A ideia é diversão, duplo sentido e imaginação em alta voltagem — resume a cantora, ao GLOBO.
Outras faixas despontam no verão. O eterno Leo Santana, o GG, vem com duas: “Marquinha de fitinha” e “Desliza (‘Ólhinho’ no corpinho)”, esta com a onipresente Melody. Ainda da Bahia, chega com “Plugin da bagaceira” e com “É terreiro” (com feat. de ). Mas a grande surpresa, correndo por fora, é “Freak le boom boom”, de , pérola dançante de sabor latino e insinuações eróticas revolucionárias para o Brasil de 1979, quando foi lançada com grande sucesso. A canção voltou a explodir com recriações de coreografias nas redes sociais.
— Criou-se, não sei por qual motivo, essa ideia de que a Gen Z (a Geração Z, nascida entre 1997 e 2012) não gosta de música velha, só de coisa nova, curtinha, com um minuto e meio — diz Daniel Aguiar. — Mas a gente está vendo, através de outras plataformas, que eles querem retomar (certas músicas) e não têm vergonha disso. Há pouco tempo, em uma plataforma de vídeo, uma música que ganhou muita força foi “Acende o farol”, de . E na versão original.
Compositor e produtor de “Freak le boom boom” (além de grande responsável pela transformação da dançarina Maria Odete Brito de Miranda em Gretchen), o argentino Santiago Juan Carlos Malnati, o Mister Sam, de 79 anos, diz não estar surpreso com a volta da sua música:
— Muita gente já fez remix, não emplaca, volta o original, não adianta. O mercado latino é sempre o mesmo, só aqui é que as coisas mudam de ano em ano. Por exemplo: o Brasil inventou a bossa nova e matou a bossa nova, enquanto no resto no resto do mundo continuaram curtindo ela. O Brasil inventou a lambada, a lambada explodiu, e aqui mataram ela. Mas depois tudo sempre volta, porque não tem muita coisa para inventar.
Para além das citadas nas listas da internet, não faltam apostas para hits do verão. Roni Maltz Bin, do Grupo Sua Música, põe fichas em “Eu me apaixonei”, de Vitinho Imperador; “Fanatismo”, de Yasmin Sensação; “Silêncio”, de Breno Major e Mariana Fagundes; e “Saudade do carai”, de Nathanzinho Lima, e Grelo.
— Nathanzinho e a Mari Fernandes são do Nordeste, o Grelo é do Centro-Oeste, e a música já está tocando no Brasil inteiro — alerta ele.
No embalo do agronejo
Daniel Aguiar, por sua vez, diz acreditar na força do agronejo, estilo que traz as batidas e a produção eletrônica do funk junto com o jeito de cantar do sertanejo. Um fenômeno que puxou em 2022 com “Pipoco”, seu primeiro estouro, em parceria com Melody e o DJ Chris no Beat.
Daniel aposta em “Eu só quero você” (Ana Castela e ) e em “Partiu pro litoral”, do CountryBeat, dupla formada por Mateus Félix e Leo Souzza, que já atuavam nos bastidores da música sertaneja, compondo sucessos para grandes artistas, entre eles o “Solteiro forçado”, de Ana Castela.
— Até pouco tempo, o sertanejo queria ser um pouco mais pop-rock, mas essa galera do agronejo chegou falando: “Não, o nosso negócio é chapéu!”. Curiosamente, no som deles, a gente vai encontrar batidas de funk, de trap e várias nuanças do pop — diz o editor de música e cultura da Deezer , que viu de perto, há meses, no Festival do Peão de Barretos, a comoção do público sertanejo com a novidade do agronejo.
Roni Maltz Bin vai adiante na sua visão sobre a dinâmica do hit do verão no Brasil:
— Antigamente, a gente tinha aquela música do carnaval, do verão que ficava tocando em qualquer esquina. Você ia para Salvador, era uma mesma música 50 mil vezes, e aí aquela era a música do carnaval. Isso mudou com o streaming. A gente não tem mais uma música do carnaval ou uma música do verão, acho que a gente tem várias. Em cada região, em cada gênero, você tem uma uma música. E acho que a gente vai começar a ver cada vez menos aquele ritmo assíduo do verão e do carnaval, e mais vários ritmos ao mesmo tempo.
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