Vida Esportiva
Jade Barbosa revela detalhes dos collants da seleção de ginástica no Mundial, que terão referências a modelos antigos
Ginasta, que ainda não voltou a competir depois de ser mãe, é a estilista da equipe e fez seis novos modelos, três deles pensando no conjunto e com cores do Brasil.
Começa nesta sexta-feira, em Roterdã, na Holanda, a caminhada da seleção brasileira feminina de ginástica artística rumo a Los Angeles-2028. As brasileiras — Rebeca Andrade, Flávia Saraiva, Lorrane Oliveira, Thais Fidélis, Sophia Weisberg e Gabriela Bouças — farão o treino de pódio para o Campeonato Mundial, que distribuirá três vagas às equipes medalhistas de cada naipe. A classificatória é na segunda-feira. Já a equipe masculina do Brasil realizou o treino de pódio na quarta-feira e inicia a disputa neste sábado. As finais vão de terça-feira a domingo.
Medalhistas de prata por equipe na edição de 2023, as brasileiras têm coleção nova de collants para encarar este desafio. Jade Barbosa, que ainda não retornou às competições após dar à luz a filha Eva, de 11 meses, é a “estilista da seleção”. Ela conta que, por se tratar de um Mundial por equipes, os modelos foram confeccionados dentro de uma proposta coletiva. A cada edição, o Brasil faz um novo jogo de collants. Para esta edição, serão seis modelos: três pensados para o coletivo, a serem usados no treino de pódio, na classificatória e na final por equipes, e três para as possíveis finais individuais.
— Procurei a questão da unidade, de força. Tento mostrar que temos uma equipe e que estamos preparadas. Entendo que podemos contar esta história também por meio dos collants — disse Jade ao GLOBO, por telefone, enquanto amamentava Eva. — Os collants de equipe têm de vestir bem a todas, em seus diferentes corpos e preferências.
Antes de pensar nas cores e modelos, a ginasta contou que estuda a comunicação visual do ginásio onde o evento acontecerá. Assim, pode escolher tons que se sobressaiam. Além disso, pensa na funcionalidade, bem-estar e beleza. Segundo ela, os modelos estão elegantes e com bastante pedraria.
— Tentei trazer collants que representam mais o país. E por isso destaquei as cores verde e azul. São tons diferentes dos usuais, elegantes, e com releitura de modelos antigos. Acho importante relembrar gerações que trabalharam para a gente estar nesse momento — detalhou Jade, que gosta de inovar também em recortes e tecidos. — Juntei dias que foram especiais para a gente em algumas referências. Usei o collant da Olimpíada quando fomos bronze em Paris-2024 (azul-marinho com pedras douradas), o da camisa 10 (homenagem a Marta e Pelé, com jeito de camisa de futebol) e o collant da medalha por equipes no Mundial de 2023 (preto com pedras douradas).
Jade não tem ideia de quantas pedras foram aplicadas nos modelos. A maior preocupação é escolher bem os locais onde aplicá-las para não machucar as ginastas na hora “H”. Os apliques são feitos à máquina e, de acordo com ela, não caem de jeito nenhum.
Desde 2018, a Confederação Brasileira de Ginástica tem parceria com a americana Ozone para a produção dos collants. A partir de 2022, as atletas passaram a incrementar os modelos, podendo personalizá-los. As peças deste Mundial foram levadas dos Estados Unidos direto para a Holanda, e Jade só as viu nos vídeos enviados pelas atletas.
— Para a gente, principalmente no Brasil, o suspense sobre o collant é real. A gente gosta de deixar para ser na hora, de dar o nosso recado ali, de causar impacto. E é impressionante como isso de fato faz efeito. Ele faz parte do nosso ritual. Então, não vou dar mais spoilers — brincou.
O GLOBO teve acesso a um dos modelos, que deve ser usado nesta sexta-feira no treino de pódio, evento que definirá a estratégia da equipe. Com duas cores de azul, o collant tem manga comprida, detalhe nas costas com uma espécie de tule e pedras em azul claro e branco.
No caso das peças pensadas para as provas individuais, Jade optou por cores diferentes, seguindo a preferência das atletas. Rebeca, por exemplo, gosta de azul de qualquer tom. Já Lorrane prefere o preto, por causa do modelo do Mundial de 2023.
— Na última Olimpíada, falei sobre essa sensação de colocar o collant e se sentir segura, forte e protegida. Desenhei como se fosse uma armadura. Era para que elas se sentissem prontas para o que viesse. E em 2024 aconteceu de tudo e a gente suportou — lembra Jade, ao comentar a final por equipe, quando Flavinha se machucou no aquecimento. — É muito legal quando a gente pega o collant e percebe que “chegou o momento”.
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