Vida Esportiva

Ministério do Esporte pode voltar a ser Secretaria? Com receio, COB procura candidaturas para defender a área

Entidade entregará sugestões para um plano de governo esportivo; Flávio Bolsonaro quer reduzir ministérios mas candidato diz que preservará o Esporte

Agência O Globo - 14/10/2026
Ministério do Esporte pode voltar a ser Secretaria? Com receio, COB procura candidaturas para defender a área
Flávio Bolsonaro

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) entregará uma sugestão de "Plano de Governo Esportivo", ainda esta semana, para os comitês dos dois candidatos à Presidência que avançaram ao segundo turno das Eleições de 2026. O objetivo, segundo o presidente da entidade, Marco La Porta, é reforçar a importância da pasta, tendo em vista que o Esporte não é área prioritária no país.

Há o temor de que o Ministério do Esporte volte a ser uma Secretaria Especial, como ocorreu no governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro, o candidato do PL. E que programas de sucesso e políticas públicas sejam descontinuados.

Lula x Flávio Bolsonaro no Esporte:

Impacto:

La Porta entende ainda que não adianta manter o Ministério, mas não ter protagonismo e constantemente lidar com verbas contingenciadas.

— O ponto mais importante é valorizar o Ministério do Esporte, ter de fato uma relevância dentro do governo. Seja em um novo ou no atual governo. Se não temos um Ministério do Esporte relevante e atuante, não adianta ter um ministério — disse La Porta, ao GLOBO, antes do resultado do primeiro turno em que Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, 45,16%.

Os dois candidatos disputarão a preferência do eleitor no próximo dia 25.

Ao GLOBO, La Porta respondeu sobre o temor da comunidade olímpica de o Ministério voltar a ser uma Secretaria, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro.

Isso porque o candidato já disse em entrevista, antes do primeiro turno, que pretende reduzir o número de ministérios e de cargos comissionados para cortar gastos públicos caso seja eleito presidente. Mas não citou quais.

— O temor sempre existe. A gente sabe que a tendência é que se repita o que foi feito no governo passado (o do pai). Ao trocar de governo, em caso de vitória de Bolsonaro, haverá ainda uma reforma ministerial. E não sabemos o que pode acontecer. Nosso recado é claro: não queremos o fim do Ministério do Esporte — afirma La Porta.

Ele se refere ao fato de que, em 2019, esta medida foi adotada por Jair Bolsonaro em seu governo, quando o Ministério do Esporte foi incorporado ao Ministério da Cidadania.

Durante a COB Expo, feira de esportes do COB, realizada no início do mês, La Porta deixou clara a sua preocupação, inclusive em seu discurso de abertura do evento.

E este posicionamento fez com que aliados de Flávio Bolsonaro, como Marcelo Reis Magalhães, secretário especial do Esporte do Ministério da Cidadania no governo de Jair Bolsonaro, levassem a questão ao candidato.

No mesmo dia, durante uma live, Flávio assegurou que não pretende repetir a extinção da pasta.

— Não existe isso; o Ministério do Esporte será um dos principais do nosso governo — promete Flávio, que garante potencializar a pasta. — Podem ficar tranquilos.

Na mesma live, Magalhães diz que era "sonho de Jair Bolsonaro" voltar a ter o Ministério do Esporte e que a "Secretaria merecia ser Ministério".

Questionada, a assessoria de imprensa do comitê de campanha de Flávio informou, via nota, que "assim como o incentivo ao esporte, a redução no número de ministérios também é um compromisso de Flávio Bolsonaro em seu plano de governo diante da necessidade do país em avançar na reforma administrativa frente ao descalabro dos gastos do governo Lula".

O texto diz ainda, sem citar o Ministério do Esporte, que "nenhum ministério essencial será extinto, com toda a estrutura governamental sendo analisada durante o período de transição e ao longo do governo, a partir da estruturação das equipes técnicas".

Sugestões do COB

Segundo La Porta, o "Plano de Governo Esportivo" do COB foi elaborado por entidades, comitês e players do esporte.

O texto cita que o Brasil ainda enfrenta desafios significativos para ampliar o acesso da população ao esporte e à atividade física, e usa dados do Vigitel 2024 que mostram que apenas 42,3% dos adultos das capitais brasileiras alcançam os níveis recomendados de atividade física no tempo livre.

Assim, sugere a manutenção do Ministério do Esporte, com implementação do Plano Nacional do Esporte, o fortalecimento do Programa Bolsa Atleta, aperfeiçoamento dos incentivos tributários para o desenvolvimento esportivo, entre outros temas.

— O Esporte não é citado nas campanhas eleitorais e pensamos em apresentar propostas para os candidatos. Porque depois não podemos reclamar que não se fez nada — declara La Porta. — Falamos em transformar o Brasil em uma Nação Esportiva e o dia que o Ministério do Esporte for relevante, porque nunca foi, a gente começará a construir essa nação. Sem apoio, não acontecerá.

O Ministério do Esporte é "novo". Foi criado oficialmente em 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso, e teve Pelé como o primeiro ministro.

Passou por diversas fusões, extinções e recriações. Em 1998, por exemplo, se fundiu ao Turismo (Ministério do Esporte e Turismo).

No primeiro governo de Lula, em 2003, o Esporte foi separado do Turismo, nascendo novamente o Ministério do Esporte. O atual governo, mais uma vez, separou o Esporte da Cidadania, configuração que manteve entre 2019 e 2022, recriando a pasta.

— Deveríamos ter um plano de Estado e não de governo, que o Esporte estivesse incluído como um fator importante de saúde, educação, segurança e tudo isso que a gente sabe que o Esporte traz. E isso não acontece. A cada governo mudam-se as ideias — critica o dirigente, que ressalta que não basta ter orçamento, é preciso de fato colocar em prática os projetos. — Mas precisa ter relevância, recurso, planejamento, sem troca de ministros constantemente. Muitos recursos são contingenciados, nem chegam. Isso impacta em projetos de confederações que dependem disso.

La Porta cita como exemplo da área Revelar Talentos, lançada em abril de 2024, para identificar, selecionar e apoiar jovens atletas em todo o Brasil:

— É um projeto maravilhoso que contempla cinco confederações e nenhuma delas recebeu o valor deste ano de 2026 ainda. Projetos ao longo do tempo e não pontuais perdem toda a sequência.

Entre as ações do atual governo, foi aprovada a Nova Lei de Incentivo ao Esporte e a Lei Geral do Esporte.

Recentemente foi sancionada a Lei da Copa do Mundo Feminina que estabelece regras sobre comércio, segurança e etc., mas também protege as jogadoras e o desenvolvimento da modalidade. E o Bolsa Atleta teve o valor das bolsas reajustado.

O orçamento da pasta para 2026 é de R$ 2,5 bilhões.