Vida Esportiva
Dirigente do Bahia justifica voto contrário a mudanças no Brasileirão por estratégia de contratação de estrangeiros
Representante do grupo City no Brasil, o tricolor baiano tem nove jogadores de outra nacionalidade
O Bahia foi um dos três clubes (além do Flamengo e Londrina) que votaram contrário às mudanças propostas pela CBF ao Campeonato Brasileiro durante reunião na sede da entidade nessa segunda-feira. Entre elas, a limitação do número de estrangeiros foi o maior entrave para o clube representante do Grupo City no Brasil. Segundo o diretor de operações e relações institucionais do tricolor baiano, Vitor Ferraz, a contratação de jogadores de outra nacionalidade é parte importante da estratégia do clube, que será obrigado a mudar seu projeto. O clube tem nove jogadores do exterior.
Ainda assim, o dirigente reforçou que a decisão da maioria foi respeitada e disse que o clube fará o necessário para se enquadrar na diminuição gradual de jogadores estrangeiros. Atualmente, a regra limita a nove. A partir de 2027 se diminuirá o teto de um em um jogador até 2030, chegando à meta de cinco.
— O posicionamento do Bahia (voto contra) é por entender que a estratégia do clube passa pela oportunidade, a possibilidade de trazer atletas estrangeiros quando entender que é o caso. Mas a gente respeita, obviamente, a decisão do colegiado, a maioria, e o clube vai se adaptar àquilo que foi decidido, sem nenhuma dificuldade — disse. — No nosso entendimento, ter a possibilidade da contratação de um número maior de atletas estrangeiros pode ser algo interessante, porque existem oportunidades no mercado, principalmente considerando a valorização da nossa moeda frente a outras praças que têm uma capacidade de fornecimento de atletas de bom nível. Mas é uma redução pequena, não é impactante ou que vai ter um efeito imediato tão robusto, e dá aos clubes a oportunidade também de entender como vai acontecendo ano a ano.
Ferraz também destacou que há a possibilidade de rever a decisão sobre a limitação dos estrangeiros.
— Foi colocada essa possibilidade, a proposta de uma redução gradativa, uma diminuição de um atleta por ano, um número limite. Mas que a qualquer momento, nesse debate, nessa mesa permanente que há, os clubes possam revisitar essa decisão e eventualmente alterá-la.
O dirigente do tricolor baiano também afastou a possibilidade de mudança do interesse do mercado em comprar novos clubes SAFs brasileiros, como ocorreu com o Bahia, que teve 90% das ações arrematadas pelo Grupo City em 2023.
— Não, eu acho que chega ao ponto de impactar na possibilidade de investidores olharem para o Brasil como um local propício para virem estabelecer o seu trabalho, vai da estratégia de cada entidade, de cada clube — disse.
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