Vida Esportiva
Como o tênis virou tendência dentro e fora das quadras com torneios inovadores e experiências exclusivas
De Positano ao Maracanãzinho, o tênis amplia seu alcance e se consolida como plataforma de estilo de vida, luxo e inovação
O circuito profissional do tênis ficou pequeno para os amantes do esporte. Os Grand Slams (e os demais torneios) continuam sendo o coração da modalidade, mas o tênis descobriu novas maneiras de ocupar espaço na cultura contemporânea. Seja em uma arena lotada no Rio ou em uma clínica exclusiva ao lado de um ex-top 10 diante do mar Mediterrâneo, a bola continua sendo a mesma. O que mudou foi a forma de consumi-la.
Hoje, o esporte movimenta viagens exclusivas, eventos de luxo, experiências com ex-jogadores, festivais de entretenimento e novos formatos de competição que misturam espetáculo e alto rendimento.
— O tênis vive um momento de ouro no mundo como um todo — resume Marco Farah, diretor de estratégia da ODDZ, organizadora do UTS Rio, que acontecerá de 16 a 18 de julho, no Maracanãzinho. — A maneira como as pessoas se vestem, o que consomem, tudo isso está atraindo novos públicos e novas atenções.
A percepção desse crescimento foi determinante para trazer o UTS pela primeira vez ao Brasil. A edição brasileira está confirmada para os próximos três anos. Entre as estrelas confirmadas estão o australiano Nick Kyrgios, o argentino Francisco Cerúndolo, o britânico Cameron Norrie e o francês Ugo Humbert. A organização vai anunciar em breve o tenista brasileiro que estará presente no torneio.
A etapa carioca faz parte de um movimento global que busca aproximar o esporte de novos consumidores sem abandonar sua essência competitiva. Criado em 2020 por Patrick Mouratoglou, ex-técnico de Serena Williams, o circuito tem regras próprias, partidas mais curtas, interação constante entre jogadores e torcida e uma experiência mais dinâmica. A premiação total chega a US$ 1,2 milhão, com US$ 400 mil (R$ 2 milhões) destinados ao campeão, valores comparáveis aos de torneios importantes da ATP.
— O UTS não é um torneio de exibição, é um torneio para valer. Mas tem que flexibilizar dentro do calendário. A adequação à gira é fundamental. Mesmo fora da ATP, respeita a dinâmica e bebe de lá, é a favor da gira — afirma Farah.
A escolha do Rio de Janeiro não aconteceu por acaso. O torneio já passou por outros locais icônicos, como o coliseu de Nîmes, na França, e Londres.
— O Rio é hoje a capital brasileira do tênis. Falando de um Rio Open com maturidade absurda e de como o Rio abraça o tênis, era a conjectura perfeita entre calendário, interesse global e nosso interesse — disse Farah, explicando que a quadra dura de última tecnologia será colocada sobre o piso do ginásio.
Apesar das quadras lotadas pelo mundo nos principais torneios do circuito, o UTS atende a uma mudança no perfil do público.
— Novas gerações veem o UTS como porta de entrada para o tênis. Como se conta ponto e como se conta set acaba sendo uma barreira de entrada. Quem assiste pela primeira vez vê uma dinâmica rápida. As regras são muito intuitivas, há interação com atleta e torcida — explica Farah, acrescentando. — Não nasce para matar o tênis tradicional de maneira nenhuma. Pelo contrário. A ideia é ampliar a base de fãs por meio de uma experiência mais próxima do entretenimento moderno. Uma vez que entrou na arena, é quase como uma NBA do tênis.
Além das partidas, o evento terá fan zone, ativações, shows de luzes, interação constante com os atletas e arquibancadas redesenhadas para aproximar jogadores e torcida.
— O UTS nasce muito da provocação do Mouratoglou de tornar o tênis mais acessível. Valoriza os valores e a essência do tênis. É mais a maneira como ele vai ser consumido — garante Farah.
O tênis como experiência de luxo
O crescimento do esporte abriu espaço para iniciativas que tratam o tênis como experiência de luxo. É o caso do Fila Tennis Hunter, projeto desenvolvido pela marca esportiva em parceria com André Sada e que reúne grupos reduzidos de convidados para jogar tênis em destinos exclusivos ao redor do mundo com a presença de um grande nome do esporte. A primeira edição começa hoje e vai até o dia 11, em Positano, na costa amalfitana, na Itália, com a presença do argentino Diego Schwartzman, ex-top 10 do mundo e campeão do Rio Open em 2018.
— Depois de muitos anos no entretenimento e também vivendo o circuito de torneios amadores pelo mundo (ITF Masters), ficou evidente que o tênis é muito mais do que competição. Ele é um passaporte de acesso: conecta pessoas, abre portas e leva você a lugares que normalmente não estariam no seu radar — explica Sada.
Segundo ele, existia uma lacuna no mercado de um projeto que entregasse exclusividade, curadoria e experiência.
— O Fila Tennis Hunter não é um evento de escala, é algo extremamente curado, para poucas pessoas, com convite e perfis que realmente façam sentido juntos — afirma.
Um dos pilares do projeto é a convivência entre os convidados. Serão 12 pessoas, que participarão de clínicas e bate-papos com Schwartzman, um torneio de duplas, jantares e passeios na região do Hotel San Pietro. A coordenação esportiva do projeto está a cargo da ex-tenista Vanessa Menga.
— O torneio será no formato de duplas, onde dividiremos por nível de jogo e com partidas de sets curtos. O limite reduzido de participantes é intencional, pois queremos algo exclusivo e com qualidade. São dois dias de clínica de tênis pela manhã. No segundo dia, já iniciamos a clínica com pontos e dinâmicas para o torneio que acontece em seguida.
Os destinos também são parte essencial do conceito. Para 2027 estão na mira quadras exclusivas no Butão, na África do Sul e no Brasil.
— Eles são quase personagens do projeto. A escolha passa por estética, exclusividade, energia do destino e, principalmente, por serem pouco óbvios — diz Sada.
O novo luxo
A transformação do tênis em produto de lifestyle também é percebida por celebridades que passaram a frequentar os eventos ligados ao esporte. Uma das convidadas para a experiência em Positano, a apresentadora Adriane Galisteu enxerga a modalidade como um símbolo de um novo tipo de consumo.
—Eu adoro esse universo. O tênis tem uma mistura de esporte, lifestyle e elegância que eu acho muito legal. E hoje, mais do que qualquer coisa, a experiência vale muito. Estar com pessoas interessantes em lugares icônicos é o novo luxo — garante Galisteu.
Segundo ela, o esporte ultrapassou as fronteiras da competição.
— Hoje o tênis vai muito além da quadra. Virou comportamento, viagem, bem-estar, encontro… E eu acho isso muito cool. E honestamente? Não tem preço estar em um lugar como San Pietro de Positano, numa quadra que, na minha opinião, é uma das mais icônicas do mundo — diz.
Para Adriana David Magalhães, Head de Marketing da Fila, o crescimento de formatos alternativos reflete uma evolução natural do mercado.
— Vejo como uma expansão do tênis, não uma substituição. O circuito profissional continua sendo o ápice, mas existe uma demanda crescente por formatos mais dinâmicos e conectados com entretenimento e lifestyle. O fã hoje quer viver o tênis além do jogo — e isso amplia o alcance e a relevância cultural do esporte.
Farah compartilha da opinião. A tradição do tênis está longe de estar sob risco:
— Hoje o tênis é moda, é estilo, não é mais só dentro da quadra. Você vê seu ídolo na arquibancada e quer mimetizar coisas que ele faz. Vejo Brad Pitt, LeBron indo aos eventos. É muito interessante agradar o fã tradicional e o novo fã.
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