Vida Esportiva
Com representantes do futebol do Rio, seleção brasileira retoma tradição de despedida no Maracanã
Equipe faz amistoso com o Panamá, neste domingo, no último compromisso no país antes de viajar aos Estados Unidos
Despedir-se do torcedor brasileiro antes de uma Copa do Mundo no Maracanã já foi quase um ritual da seleção. Entre 1954 e 1998, em sete graças os convocados disputaram um amistoso no estádio antes de embarcar rumo à busca pelo título. Depois disso, nunca mais. Até agora. Hoje, às 18h30, contra o Panamá, o horário dirigido por Carlo Ancelotti receberá um último carinho da torcida carioca antes de viajar para os Estados Unidos. Justamente não há ano em que a retomada desta tradição talvez faça mais sentido.
Há muito tempo a seleção brasileira não era tão “carioca”. Assim, entre aspas, porque o termo não tem a ver com a origem dos convocados. Dos 26, cinco (19,2%) nasceram no Rio — ou melhor, são fluminenses. É um percentual expressivo, embora ainda inferior ao dos paulistas (30%).
A principal está conexão em outro lugar: nove atletas são identificados com o torcedor carioca. Seja porque atuam em clubes do Rio, seja porque construíram vínculos tão fortes que continuam associados a eles até hoje.
É o caso de Rayan. Hoje, o atacante de 19 anos brilha pelo Bournemouth, da Inglaterra. Em menos de seis meses no clube, virou protagonista, com sete gols e duas assistências, e convenceu Ancelotti a levá-lo para a Copa. Mas os vascaínos se parecem representados ao vê-lo com a Amarelinha. E ele também sente que leva o cruz-maltino consigo para o Mundial.
— Eu sempre falo. O Vasco foi minha segunda casa dos 16 anos até os 19 anos. O Vasco sempre me ajudou. Eu estudei, joguei salão, joguei campo... Então foi um lugar de muita felicidade. Tem muitas pessoas de lá que me mandam mensagem. Sou muito grato por isso também — disse.
Situação semelhante vivem Luiz Henrique com o Botafogo (embora tenha sido revelado pelo Fluminense), Wesley e Vini Jr com o Flamengo. Este último, inclusive, costuma comemorar títulos rubro-negros nas redes sociais e aparecer no Maracanã quando está no Rio.
— Vou voltar. Não agora. Também não vou voltar tão velho assim. Estou com muita saudade do Flamengo. Aqui na Europa é muito tarde para acompanhar os jogos, mas eu vejo quando dá. Não volto nos próximos três ou quatro anos. Daqui nove anos já estaria muito velho. Tenho que ganhar uma Libertadores pelo Flamengo. Estou me preparando para jogar o máximo de tempo possível e voltar bem — revelou Vini em entrevista divulgada pela Cazé TV.
Não há dúvidas de que, mesmo sem vestirem as camisas dos clubes cariocas, estas quatro foram autorizadas um apoio especial no Maracanã. Assim como os botafoguenses vencerão com Danilo Santos e os rubro-negros com Danilo Luiz, Léo Pereira, Alex Sandro e Lucas Paquetá.
A derrota para a Argentina (1 a 0) antes da Copa de 1998 foi determinante para o rompimento da tradição das despedidas no Maracanã. O jogo virou trauma: teve gritos de “olé” para a troca de passes dos adversários e de “timinho” para o Brasil. Mas, durante esse período, a torcida também nunca sentiu seus clubes tão representados quanto agora.
A última vez que a seleção foi para uma Copa com nove ou mais atletas específicos com o torcedor carioca foi justamente em 1994. Dos 22 tetracampeões, dez tinham forte ligação com o futebol do Rio. Pelo Flamengo, Jorginho, Zinho, Aldair, Leonardo e Gilmar. Ricardo Rocha, Romário e Mazinho representavam os vascaínos. Branco era o tricolor do grupo. Havia ainda Bebeto, que unia — ou dividia — rubro-negros e cruz-maltinos.
Naquele ano a Copa também foi disputada nos EUA, e a seleção carregava um jejum de 24 anos sem título. O resultado entrou para a História.
Inicialmente, este amistoso de despedida não estava nos planos. A ideia surgiu no ano passado como uma forma de aquecer a relação com o torcedor antes da viagem e deixar os atletas ainda mais motivados. Mesmo que não tivesse sido marcado, o último compromisso da seleção no país também teria sido no Maracanã: uma vitória por 3 a 0 sobre o Chile, em setembro, pelas Eliminatórias.
Antes cotado para Porto Alegre, o jogo acabou levado para o Rio para atender a um desejo de Ancelotti. Ao assumir a Amarelinha e assistir ao primeiro jogo no Maracanã — Flamengo x Deportivo Táchira, pela Libertadores — o italiano ficou encantado com o ambiente:
— A gente não vai jogar aqui?! — questionou aos membros da CBF.
A história do Maracanã e da seleção possui muitos pontos em comum. Algo que ainda pode fazer sentido para quem visita o estádio. O acervo disponível no Tour reúne camisas usadas pela seleção em cinco Copas, além da Olimpíada de 2016, e itens de ídolos como Pelé e Garrincha. A dupla também está na Calçada da Fama, ao lado de outros nomes históricos da seleção, como Ronaldo, Romário, Cafu, Barbosa e Nilton Santos. A Amarelinha definitivamente está em casa hoje.
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