Vida Esportiva

CBF e patrocinadores bancam organizadas de clubes, que se juntam a MVA com regras para apoiar a seleção brasileira na Copa

Primeiro ensaio será hoje no amistoso diante do Panamá, no Maracanã, com direito a restrições a comportamento de torcedores que se engajarem para dar suporte ao Brasil

Agência O Globo - 31/05/2026
CBF e patrocinadores bancam organizadas de clubes, que se juntam a MVA com regras para apoiar a seleção brasileira na Copa
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Confederação Brasileira de Futebol e seus patrocinadores convocaram — e vão bancar em parte — a presença de uma torcida de arquibancada do Brasil na Copa do Mundo. A ideia ganha corpo desde 2022 e, desta vez, terá o apoio de quase 40 organizações organizadas dos clubes brasileiros — algumas delas que já foram punidas administrativamente, como a Raça Rubro-Negra, a Força Jovem Vasco, a Galoucura, do Atlético-MG, e a Máfia Azul, do Cruzeiro. As punições, porém, só valem para jogos dos clubes.

Para unir, ainda que temporariamente, as torcidas de clubes em prol de um bem comum, apoiar a seleção nos Estados Unidos, o Movimento Verde e Amarelo (MVA), criado em 2008, está à frente da promoção de uma integração entre as organizadas, com uma troca e integração para, a partir de um código de ética, focar na produção da festa, deixando uma rivalidade de lado. O primeiro “ensaio” geral desse projeto será visto hoje, no amistoso contra o Panamá, às 18h30, no Maracanã.

— Em 2022, saímos da Copa com a certeza de que tínhamos que ter uma conexão maior com as organizadas. Criamos uma área de inclusão e representatividade. O MVA provavelmente será mais diverso como o Brasil. precisamos entrar com cuidado, sem clubismo. É uma convocação da seleção, só que da torcida. De forma simples, é colocado para dentro de quem quer fazer algo pela seleção — explica Luiz Vasco, fundador do MVA.

O movimento destaca que, pela primeira vez, os torcedores brasileiros tiveram acesso aos ingressos populares da Fifa, no valor de 60 dólares (cerca de R$ 300). Os bilhetes são comprados pelos próprios participantes, que também arcam individualmente com despesas de viagem, hospedagem e alimentação.

— A CBF banca ingresso e passagem para algumas pessoas que ela julga importante estarem lá. O dinheiro que vamos usar vem do apoio de patrocinadores. Dos ingressos, de 6% a 8% vão para cada seleção. Mas esse ingresso nunca foi para a torcida do Brasil. Essa gestão direcionada para a torcida comprar — conta Vasco, sem saber o que era feito antes com os bilhetes.

Os selecionados pelo MVA e pela área de marketing da CBF para representarem as organizadas de clubes viram quase torcedores profissionais da seleção no período, pelo conhecimento de arquibancada para promover a mobilização para a festa. Um deles é Lula, da Raça Rubro-Negra, uma das maiores organizadas do Flamengo. Ele foi um dos agentes infiltrados nas torcidas adversárias para explicar o projeto, que incluía um comportamento bem específico.

— Tinha uma época em que as organizadas eram punidas. E se uniram para começar o trabalho para voltar às arquibancadas. A Copa do Mundo é um bem comum. Torcidas podem estar com a camisa dos seus clubes, mas vão comemorar o gol do Brasil. Levamos essa comunicação para as organizadas. A CBF aceitou o que precisava fazer em termos de aproximação. Era um abismo — lembra Lula, com décadas de Maracanã e viagens pelo Brasil.

A partir da audiência nas torcidas, o projeto ganhou corpo e regionalismo. O desafio agora, em função do calendário do futebol, é ter momentos de integração e ensaios. Por isso, o MVA aposta em uma boa comunicação para alinhar como deve ser a conduta de torcidas de clubes rivais pelo Brasil, o que inclui a promoção dos símbolos da seleção, não das equipes.

— Na hora do jogo, é camisa do Brasil ou do MVA. As faixas são para a torcida do Brasil. Na hora em que estiver lá, é cantar, tocar, balançar bandeira. É uma regra de ouro com o código de ética, que todos concordaram no contrato com o MVA para poder comprar esses ingressos. Eles são proibidos de repassar. E não é para ter agressão física e verbal — explica Vasco.

"Invasão" na Times Square

Além disso, os membros das torcidas apoiam o reforço de um farto material para promover a festa nas arquibancadas dos EUA. Com o apoio dos patrocinadores, serão produzidos diversos materiais para compor a festa da torcida, incluindo 6 mil bandeirolas, 3 mil faixas de mão, um bandeirão de 600 metros quadrados, 11 bandeiras de mastro medindo 3m x 3m, 15 bandeiras de 1,5m x 1m, 5 mil balões canudo, 14 rolos de 250 metros cada para a confecção de tirantes e uma camisa de 500 metros quadrados. A torcida também transportou 25 instrumentos musicais, com peles e baquetas extras para reposição, 20 faixas de diferentes dimensões e mais de 100 bandeiras de jogadores e ídolos.

— O Brasil vai estar representado. Com todo o seu regionalismo, com batidas de bateria diferentes. Vai ter tudo isso na arquibancada — promete Lula, da Raça.

— A despedida do Brasil contra o Panamá vai ser um momento. Faremos um ensaio antes, com as torcidas presentes. E, ao longo da Copa, teremos eventos de conexão — avisa Luiz Vasco.

A programação da torcida brasileira começa em 11 de junho, com a chegada dos participantes aos Estados Unidos. No dia seguinte, está previsto um grande bandeirão na Times Square, em Nova York, promovido pelo MVA em parceria com uma empresa de apostas. No dia 13 de junho, acontece o primeiro grande encontro da torcida, com esquenta e presença no jogo entre Brasil e Marrocos, em Nova York. A agenda segue no dia 14 de junho com a travessia da Brooklyn Bridge, encerrando com confraternização em bar e festa.

Nos dias 15 e 16 de junho, os torcedores participaram de um passeio de barco e de um tour pela cidade, respectivamente, ambos acompanhados de eventos de integração em bares e festas. Em 17 de junho, o grupo segue para Filadélfia, onde haverá mais um encontro festivo. Já em 18 de junho, a programação inclui visita à famosa Escadaria do Rocky, seguida de confraternização. No dia 19 de junho, a torcida volta a se reunir para a esquenta e para acompanhar a partida entre Brasil e Haiti, em Filadélfia.

— Vai ser a maior Copa da torcida brasileira — promete Luiz Vasco.

Confira a lista completa das torcidas organizadas com representantes na Copa do Mundo

Dragões Atléticos (Atlético-GO)

Galoucura (Atlético-MG)

Os Fanáticos (Athletico-PR)

Bamor (Bahia)

Cearamor (Ceará)

Ceará Chopp (Ceará)

Camisa 12 (Coríntios)

Estopim da Fiel (Coríntios)

Fiel Macabra (Coríntios)

Gaviões da Fiel (Corinthians)

Império Alviverde (Coritiba)

Máfia Azul (Cruzeiro)

Raça Rubro-Negra (Flamengo)

Bravo 52 (Fluminense)

Gripe jovem (Fluminense)

Leões da TUF (Fortaleza)

Força Jovem Goiás (Goiás)

Geral do Grêmio (Grêmio)

Torcida Jovem do Grêmio (Grêmio)

Fúria Independente (Guarani)

Camisa 12 Inter (Internacional)

Guarda Popular (Internacional)

Falange Azul (Londrina)

Fúria Jovem Manaus (Manaus)

Mancha Alviverde (Palmeiras)

Leões da Fabulosa (Português)

Remoçada (Remo)

Jovem do Santos (Santos)

Inferno Coral (Santa Cruz)

Dragões da Real (São Paulo)

Tricolor Independente (São Paulo)

Torcida Jovem Sport (Esporte)

jovem Vasco (Vasco)

Guerreiros do Almirante (Vasco)

Esquadrão Vilanovense (Vila Nova)

Os Imbato (Vitória)