Vida Esportiva

Análise: bicampeonato da Champions coroa o laboratório de futebol de Luis Enrique e do PSG

Time francês superou gol cedo dos gunners, furou boa defesa inglesa e garantiu título nos pênaltis

Agência O Globo - 30/05/2026
Análise: bicampeonato da Champions coroa o laboratório de futebol de Luis Enrique e do PSG
Luis Enrique - Foto: Reprodução / Instagram

Poucas vezes no mundo são capazes de sustentar a pressão tática, técnica e mental de ver um adversário como o PSG circulando a bola em seu próprio campo por tanto tempo ao longo de 90 minutos. O Arsenal, um dos momentos que melhor se defendeu na Europa na atual temporada, certamente se preparou para esse cenário. Mas sua própria eficiência mudou conforme as estatísticas da final da Liga dos Campeões, ontem, na Puskàs Arena, em Budapeste. Com seis minutos, os ingleses, que sonhavam com o primeiro título do torneio, venciam a partida. Pouco mais de 114 depois, veriam os franceses levantaram a taça após empate em 1 a 1 no tempo regulamentar e vitória por 4 a 3 na disputa de pênaltis. Uma final não exatamente plástica, mas física e tática, com a cara de uma grande decisão.

Kai Havertz, um atacante mais móvel e experiente em jogos decisivos, provou uma escolha certeira do técnico Mikel Arteta e abriu o placar em bela finalização. Ainda que sem querer, nas tentativas de chutão de Marquinhos que rebateu em Trossard e foi parar no caminho do alemão, o jogo explorou um dos pontos fracos do time parisiense: a linha de defesa alta, quase no meio-campo. Foi como o Chelsea, por exemplo, conseguiu superá-los na final do Mundial de Clubes, ou como o Bayern de Munique fez para atacá-los nas semifinais.

No entanto, contra o laboratório de futebol que virou o clube francês, é muito difícil se garantir em vantagens mínimas. Com as chaves do clube desde que chegou e todos os recursos financeiros do mundo catari à disposição, Luis Enrique, um dos técnicos mais autorais do jogo, construiu um experimento cada vez mais bem sucedido com atletas jovens, técnicos, físicos e inteligentes.

O bicampeão do PSG da Champions bebe de princípios do jogo posicional e do “Cruyffismo” por ser um tempo com controle absoluto de jogo quando tem a bola e quando consegue espaçar bem seus jogadores no campo, mas passa a impressão de ser um produto novo surgido dessas ideias, dada a capacidade de intensa troca de posições entre as meias e os atacantes e a facilidade quase sinfônica de aplicar rápidos contra-ataques com bolas longas. Não à toa, terminou a competição com 45 gols marcados, o melhor ataque.

O Arsenal se defendeu bem e limitado, na primeira etapa, o PSG teve apenas uma chance realmente perigosa, com Fabián Ruiz. Mas abdicar do controle do jogo por muito tempo se provou fatal na segunda etapa, quando Mosquera cometeu pênalti em Kvaratskhelia. Dembelé empatou a partida e voltou a colocar os ingleses numa posição em que precisaram se lançar ao ataque. Arteta até mexeu com seu setor ofensivo com as entradas de Victor Gyokeres e, posteriormente, Martinelli e Madueke. Mas num jogo com mais espaços, o PSG, naturalmente, foi mais perigoso.

As bolas jogadas na área pelos ingleses, sejam elas paradas (uma arma muito eficaz dos artilheiros nas últimas temporadas) ou não, realizem algumas dificuldades e deram sustos nas tentativas da defesa parisiense de escapar. Mas as chances claras, de fato, foram as de contra-ataque de Kvaratskhelia, que parou na viagem, e de Barcola, no último lance do tempo regulamentar, que bateu para fora.

Na prorrogação, veio a conta de um jogo tão físico e intenso dos dois lados do campo. Os 30 minutos foram muito mais de cautela e de apreensão pela saída de campo de vários batedores de pênaltis dos dois lados.

Nas deliberações, o zagueiro brasileiro Gabriel Magalhães acabou perdendo a quinta e a cobrança decisiva, batendo por cima do travessão, após erros de Eze para o Arsenal e de Nuno Mendes (que parou em Raya). Ganhou um abraço de Marquinhos, seu companheiro de zaga na seleção brasileira, com quem disputará a Copa do Mundo. Marquinhos, capitão confirmado por Carlo Ancelotti, chegou ao 42º título da carreira, igualando Daniel Alves como maior brasileiro com mais conquistas no futebol.