Vida Esportiva
O que que a Finlândia tem? Antes de Militão, Guardiola, Beckham e Dembélé elegeram médico do país para operá-los
Lasse Lempainen, responsável pela cirurgia do zagueiro brasileiro do Real Madrid, é 'pupilo' de Sakari Orava, que cuidou de mais de 25 mil pessoas, entre elas muito atletas, antes de se aposentar
Nos últimos 20 anos, o mundo do esporte parece apenas para um lugar quando precisa lidar com lesões graves: a Finlândia. Mas qual o motivo dessa procura? O país é a casa das duas maiores referências médicas esportivas do planeta, os cirurgiões Lasse Lempainen e, o já contratado, Sakari Orava. Juntos, eles ajudaram grandes clubes europeus e recuperaram jogadores históricos como David Beckham e a atual bola de ouro do futebol masculino Ousmane Dembélé.
Recentemente, o nome dos cirurgiões voltou a ser tema no mundo esportivo por causa da lesão do zagueiro brasileiro Éder Militão. O jogador do Real Madrid, que vagava praticamente carimbado na Copa do Mundo deste ano, rompeu o tendão proximal do músculo bíceps femoral da perna esquerda no dia 21 de abril. O estiramento na parte de trás da coxa do atleta foi causado por uma cicatrização ineficiente de uma lesão de dezembro do ano passado.
Nesta terça-feira, Militão foi submetido a uma cirurgia realizada justamente pelo Dr. Lasse Lempainen, na Finlândia, sob supervisão do Real Madrid. Segundo nota do clube merengue, a operação foi um sucesso, mas o zagueiro deve voltar a campo apenas em outubro, ficando de fora da Copa do Mundo.
O médico finlandês de 47 anos é especialista em cirurgias ortopédicas, com PhD em recuperação de lesões na parte posterior da coxa. Ele já atendeu consideráveis atletas de alto rendimento, como o goleiro alemão Ter Stegen, o francês Ousmane Dembélé e o inglês Reece James.
Tomando o atlteta bola de ouro como exemplo, enquanto ainda era jogador do Barcelona, em 2021, Dembélé lesionou o joelho direito. A contusão jogou o jogador da Eurocopa de 2020, disputada entre junho e julho de 2021, e foi o trauma mais sério da carreira do atleta, tirando-o de campo durante 135 dias. Depois da operação realizada pelo Dr. Lempainen, o jogador nunca mais voltou a lesionar o joelho.
Legado
Lasse Lempainen é "pupilo" do museu que por anos foi referência para diversos clubes da Europa: o também finlandês e já aposentado Sakari Orava. O médico, chamado de "Dr. House" por alguns pacientes, ajudou a recuperar mais de 25 mil pessoas, entre elas muito atletas, ao longo da carreira. A corredora espanhola Marta Domínguez, inclusive, classificou Orava como "Deus da medicina" depois de se recuperar de uma contusão séria.
A experiência começou a trabalhar como mentor de Lempainen em 2001, quando o jovem, pretendendo fazer doutorado à época, sugeriu uma pesquisa a respeito de lesões na parte posterior da coxa; justamente a especialidade do médico hoje. Os dois trabalharam juntos até 2020, quando Orava se aposentou do ofício.
Sakari Orava nasceu em 1945 e foi campeão nacional de boxe na Finlândia na categoria de atletas com peso inferior a 54kg quando tinha apenas 17 anos. Ele abondanou o esporte dois anos depois, aos 19, mas na medicina continuou a se destacar.
Durante décadas, o médico foi parceiro de grandes clubes como Real Madrid, Barcelona, Milan, Chelsea e Juventus. Entre 1988 e 2000, Orava também foi o responsável pelas equipes olímpicas da Finlândia. O movimento recuperou grandes jogadores de futebol como o holandês Marco Van Basten; Didier Deschamps, ex-jogador e atual treinador da França; o inglês Jonathan Woodgate; o italiano Andrea Barzagli e David Beckham.
O inglês rompeu o tendão de aquiles três meses antes da Copa do Mundo de 2010 enquanto ainda era jogador do Milan. O atleta, com 34 anos à época, desejava jogar o quarto e último mundial pela Inglaterra, mas depois do diagnóstico de Orava, viu que nunca mais voltaria a entrar em campo pela equipe nacional. A cirurgia do astro inglês durou quase uma hora e a meia só voltou a jogar depois de seis meses pelo Los Angeles Galaxy. Ele nunca mais se lesionou e ainda jogou pelo Paris Saint-Germaint antes de encerrar a carreira em 2013.
Segundo o doutor, o caso mais complicado da carreira foi o de Pep Guardiola, hoje considerado um dos maiores técnicos do mundo. Pep estava no Barcelona quando lesionou o joelho na temporada 1997/1998. Segundo Orava, a maior dificuldade não foi a cirurgia.
— Era uma contusão difícil de reparar, porque o mesmo local [joelho direito] já tinha sofrido com outras lesões. Operei-o em Barcelona. A intervenção, afinal, não foi tão complicada e depois de quatro meses ele já foi perfeito. O pior momento? Quando acabei de fazer uma cirurgia e tive que participar de uma coletiva de imprensa; havia pelo menos 30 jornalistas no local — disse o médico em tom cômico durante entrevista.
Orava também recuperou o mesmo Ousmane Dembélé em 2017. Ele acelerou a recuperação do craque francês que, depois de uma contusão na coxa esquerda ficou quatro meses longe dos gramados, mas, depois da cirurgia, se recuperou em três meses e meio.
Em entrevista, o movimento já foi questionado sobre a importância que dá ao reconhecimento pelo sucesso na carreira.
— Eles me disseram: se você fosse um americano e tivesse inventado todas essas coisas [na América], você seria um homem famoso e rico, mas não nos importamos com isso — respondeu o médico. Segundo ele, a realização verdadeira estava na procura constante — As pessoas normalmente ligam para a clínica e dizem: tentei obter ajuda no meu próprio país, mas ninguém quer me operar. Posso ir para a Finlândia? — concluiu.
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