Vida Esportiva
Série conta como rivalidade entre Paula e Hortência virou ouro e prata icônicas: 'História não só da dupla, mas do basquete'
Campeãs mundiais em 1994 e vice-campeãs nos Jogos de Atlanta-1996, lendas da modalidade protagonizam documentário
Uma rivalidade por clubes que se transformou em parceria na seleção e terminou nas páginas da História do basquete brasileiro será recontada a partir de amanhã, em série documental em quatro episódios. “Hortência e Paula”, dirigida por Eduardo Hunter Moura, relembra a história de Magic Paula e da Rainha Hortência, ex-armadora e ala, respectivamente, ícones de uma geração que marcou as décadas de 1980 e 1990 do esporte brasileiro e chegou a título e pódios até então impensáveis.
O documentário da Hunter Filmes, em coprodução com o Sportv, marca os 30 anos da conquista da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, até hoje o melhor resultado do basquete brasileiro, masculino ou feminino, em Olimpíadas. Dois anos antes, as duas já haviam conquistado, também juntas, o Mundial de 1994, na Austrália, que permanece como principal título da galeria da seleção feminina.
— Não dá para fazer só da minha história, tem que ser a história da dupla. Sempre falei isso, porque hoje, quando você fala de Hortência, automaticamente entra o nome da Paula, e vice-versa — conta Hortência ao lembrar de propostas de retratos da carreira.
O documentário traz imagens e depoimentos, por exemplo, do auge da rivalidade entre as duas, no interior de São Paulo, quando Hortência defendia o Minercal (Sorocaba) e Paula, o Unimep (Piracicaba). Época que magnetizava torcedores e transmissões do basquete nacional e era recheada de faíscas entre as duas. Hoje, pregam muito respeito e valorizam a importância da concorrência na evolução das carreiras uma da outra.
— A gente achou também a necessidade de contar a história não só da dupla, mas do basquete feminino. Já estamos num momento em que algumas gerações não sabem. É mais fácil conhecer o basquete americano, por exemplo, do que saber o que foi essa geração — conta Paula.
A conquista de 1994 e a prata de 1996 foram os gritos de alívio da geração de Paula e Hortência. As duas chegaram àquelas competições como lideranças técnicas e experientes. No Mundial, a armadora tinha 32 anos e a ala, 34. O momento das carreiras acabou ajudando na adaptação de uma comissão técnica até então inexperiente, comandada por Miguel Ângelo da Luz, vista inicialmente com receio pelo grupo de jogadoras, que também era composto por um núcleo de atletas muito jovens. O encaixe foi na base da humildade e da escuta, e terminou com a seleção brasileira batendo a poderosa equipe dos Estados Unidos na semifinal (110 a 107) e a China na decisão (96 a 87).
— Foram 15 anos para chegar no título do Pan — lembra Paula, citando Havana, três anos antes, quando chegaram a ser provocadas e elogiadas por Fidel Castro na vitória sobre as donas da casa, na final. — Éramos muito garotas, jovens, tivemos que ir aprendendo com os nossos erros e criando o nosso método da forma que a gente entendia. Depois, a gente vai compreendendo e entendendo o papel e a função de cada uma dentro desse contexto. Entendendo também que, sozinhas, não chegaríamos. Precisávamos de todo mundo bem. Não só fisicamente, mas tecnicamente e de cabeça — conta Paula, que lembra de outros grandes nomes da geração, como Janeth, Leila Sobral, Alessandra e Cíntia Tuiú.
Dia da mulher
A estreia amanhã, no Dia Internacional da Mulher, também ajuda a contar as barreiras que o esporte feminino enfrentou e segue enfrentando no país. Elas lembram que precisaram lutar por estrutura e condições mais adequadas para a seleção feminina na época. Em termos de sacrifícios pessoais, por exemplo, Hortência abriu mão de amamentar o filho João Victor, então com cinco meses, nos Jogos de Atlanta-1996. Naquela edição, o Brasil parou nas semifinais para as americanas (111 a 87).
— Nós mostramos que tínhamos capacidade. Tínhamos a televisão transmitindo nossos jogos de seleção e clube. Essa rivalidade de Hortência e Paula dava audiência. A disputa por igualdade com os homens era dentro da quadra. No salário que ganhávamos, nos patrocinadores, nos títulos que estávamos trazendo, sabíamos que 70% do dinheiro que entrava numa confederação era para os homens.
O Sportv exibe os episódios 1 e 2 amanhã (23h e 23h45). O terceiro e o quarto serão exibidos na segunda-feira (17h e 17h45), e a série ficará disponível no Globoplay. Diretor da produção, Eduardo Hunter Moura conta que tentou reproduzir a sinergia das quadras na produção:
— A sensação para a gente era sempre que a vida delas tinha sido um grande redemoinho. Elas entram no basquete e a vida vai levando... É uma contra a outra, é a seleção, e as coisas vão acontecendo. E a série tem muito essa pegada. O envolvimento que a trilha sonora, que está linda, traz também está muito bacana.
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