Brasil
Morre Dennis Carvalho, ator e diretor de clássicos como “Vale Tudo” e “Fera Ferida”, aos 78 anos
O ator, diretor e dublador Dennis Carvalho morreu na manhã deste sábado (28), no Rio de Janeiro, aos 78 anos. Ele estava internado no hospital Copa Star, em Copacabana. A unidade confirmou o falecimento por meio de nota e informou que não tem autorização da família para divulgar detalhes sobre a causa da morte.
Figura central na história da televisão brasileira, Dennis construiu uma trajetória rara: transitou com força tanto diante das câmeras quanto nos bastidores. Ao longo da carreira, atuou em 28 produções na TV e dirigiu outras 36 obras, tornando-se um dos nomes mais reconhecidos da teledramaturgia do país.
Ele deixa três filhos: Leonardo Carvalho, Tainá e Luíza.
Carreira marcada por novelas históricas
Ligado à dramaturgia desde cedo, Dennis fez o primeiro teste aos 11 anos, para a TV Paulista, quando participou de uma adaptação de “Oliver Twist”, em 1960. Em 1964, seguiu para a TV Tupi, onde integrou diversos teleteatros. Foi, porém, na TV Globo que consolidou sua carreira e se tornou referência — vínculo que se estendeu por décadas. Em meados de 2022, deixou a emissora após 47 anos de trabalho.
Como ator, esteve em novelas que atravessaram gerações, como “O Meu Pé de Laranja Lima” (1970), “Ídolo de Pano” (1974), “Pecado Capital” (1975), “O Casarão” (1976), “Brilhante” (1981), “Brega & Chique” (1987) e “Vale Tudo” (1988) — produção em que também assinou a direção.
Direção, inovação e humor popular
Na direção, comandou títulos de grande impacto, como “Roda de Fogo” (1986), “Fera Ferida” (1993), “Explode Coração” (1995), “Celebridade” (2003) e “Paraíso Tropical” (2007).
Dennis também marcou época em minisséries e seriados que ajudaram a redefinir linguagem e temas na TV, como “Malu Mulher” (1979–1980), “Anos Rebeldes” (1992) e “A Justiceira” (1997). No humor, deixou sua assinatura em um dos maiores fenômenos populares do gênero: “Sai de Baixo” (1996–2002).
A voz por trás de personagens icônicos
Além do trabalho como ator e diretor, Dennis atuou como dublador em produções conhecidas do público, emprestando voz a personagens que marcaram a televisão.
Teatro musical e novos caminhos
Em entrevista concedida este ano, ele relembrou a intensidade da rotina na TV e afirmou ter passado décadas “fazendo novela todo dia”. Durante a pandemia, refletiu sobre uma pausa e decidiu investir na direção de musicais, área em que também obteve reconhecimento. Entre os trabalhos citados, estão “Elis, a Musical” (2013) e “Clube da Esquina — Os Sonhos Não Envelhecem”, sobre o movimento musical liderado por Milton Nascimento.
Vida pessoal
Ao longo da vida, Dennis Carvalho foi casado com a professora de educação física Maria Tereza Schimidt e também com as atrizes Bete Mendes, Christiane Torloni, Monique Alves, Tássia Camargo, Ângela Figueiredo e Deborah Evelyn.
Com uma carreira atravessada por personagens, cenas e obras que ajudaram a formar a memória afetiva do público, Dennis Carvalho se despede como um dos nomes mais importantes da dramaturgia brasileira.
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