Vida Esportiva

Conflito no Oriente Médio pode afetar participação do Irã na Copa do Mundo

Após bombardeios e crise diplomática, federação iraniana diz que participação no torneio 'não pode ser garantida'

Agência O Globo - 05/03/2026
Conflito no Oriente Médio pode afetar participação do Irã na Copa do Mundo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã começa a impactar também o universo esportivo. Após dias de bombardeios que mergulharam no Oriente Médio em incerteza — culminando na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei — surgiram dúvidas sobre a participação da seleção do Irã na Copa do Mundo FIFA 2026, marcada para Estados Unidos, Canadá e México.

O torneio, organizado pela Fifa, terá início em 11 de junho, com partidas nos Estados Unidos — país que lidera as ações militares contra o Irã ao lado de Israel. Diante desse cenário, as autoridades do futebol iraniano passaram a questionar se o país terá condições políticas e diplomáticas de disputar a competição.

O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, declarou à mídia que o momento atual coloca em dúvida a presença da equipe nacional.

“Após este ataque, não podemos esperar que tenhamos esperança na Copa do Mundo”, afirmou o dirigente, ressaltando que a decisão final dependerá das autoridades esportivas do país.

Apesar do clima de tensão, a FIFA informou que, até o momento, não houve alterações no planejamento do torneio. O secretário-geral da entidade, Mattias Grafström, afirmou que o objetivo é garantir uma competição segura e com todas as opções opcionais em campo.

Fontes ligadas à organização garantem que os planos seguem inalterados, embora a situação esteja sendo monitorada de perto.

A seleção iraniana tem três jogos agendados nos Estados Unidos: contra a Nova Zelândia em 15 de junho, no SoFi Stadium, em Los Angeles; contra a Bélgica em 21 de junho, no mesmo estádio; e diante do Egito em 26 de junho, em Seattle.

Questão de vistos pode complicar

Além da possibilidade de boicote político por parte do Irã, outra incerteza envolve a política de imigração americana. O presidente dos EUA, Donald Trump, já impôs restrições à entrada de cidadãos iranianos no país. Em tese, atletas e delegações esportivas estão entre as propostas previstas, mas decisões recentes levantaram dúvidas.

No ano passado, por exemplo, alguns delegados iranianos tiveram vistos negados antes do sorteio da Copa do Mundo. Na ocasião, o chefe da força-tarefa da Casa Branca para o torneio, Andrew Giuliani, afirmou que a concessão de vistos é tratada como questão de segurança nacional.

Especialistas avaliam que, se Washington decidir restringir a entrada da delegação iraniana, a FIFA teria pouca margem para intervir.

Os regulamentos da Copa do Mundo concedem ampla autonomia à FIFA para lidar com situações desse tipo. Segundo as regras, a entidade pode tomar qualquer decisão considerada necessária em casos de “força maior”, incluindo substituir uma seleção específica ou alterar o formato do grupo.

Na prática, existem duas possibilidades principais: manter o grupo com apenas três equipes ou convocar outra seleção para ocupar a vaga. A escolha de um substituto seria complexa, já que o Irã garantiu a vaga ao vencer seu grupo nas eliminatórias asiáticas, superando o Uzbequistão.

Entre os possíveis candidatos estão próximos da classificação, como Emirados Árabes Unidos ou Iraque. Outra alternativa seria recorrer à repescagem intercontinental, que ainda definirá uma vaga entre países como Bolívia ou Suriname.

Mesmo assim, qualquer decisão dependeria do momento em que uma eventual desistência acontecesse. Quanto mais próximo do início da Copa, maior seria o desafio logístico para substituir uma equipe.