Vida e Saúde

Cientistas descobrem correlação ‘bizarra’ entre crianças que afirmam ter vivido outras vidas e mortes repentinas

Análise de mais de 1.600 casos revelou correlação inexplicável, segundo cientistas

Agência O Globo - 23/10/2026
Cientistas descobrem correlação ‘bizarra’ entre crianças que afirmam ter vivido outras vidas e mortes repentinas
Cientistas descobrem correlação ‘bizarra’ entre crianças que afirmam ter vivido outras vidas e mortes repentinas - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A ciência tradicional não é muito afeita a estudos do sobrenatural, como projeções, extraterrestres e seres fantásticos como o Pé Grande. Contudo, uma divisão especial da Universidade da Virgínia, nos EUA, focada em estudos da percepção, tem como objetivo desvendar esses mistérios. O foco atual do grupo é o fenômeno de crianças que afirmam ter vivido vidas passadas, frequentemente apresentando informações que não poderiam conhecer, sensações incomuns e detalhes que são exclusivamente pessoais.

Num novo estudo, baseado no maior arquivo de relatos de crianças que espontaneamente apresentam memórias que parecem corresponder à vida de pessoas falecidas, os pesquisadores acreditam ter identificado uma correlação inexplicável.

Uma coleção de casos impressionantes

O banco de dados contém mais de 1.600 casos, como o de James, um bebê da Louisiana que começou a ter pesadelos relacionados a um acidente aéreo. Aos 3 anos, ele afirmou que havia sido um piloto durante a Segunda Guerra Mundial, pilotando um avião de caça a partir de um porta-aviões chamado Natoma Bay, e mencionou o nome de um colega piloto, Jack Larsen.

Os pesquisadores da UVA compararam suas alegações detalhadas com as de um piloto real, James Huston Jr., que foi abatido sobre o Pacífico em 1945.

Em outro caso, Ryan, um garoto de quatro anos, mostrou a sua mãe uma foto promocional de Hollywood dos anos 1930, apontou para uma pessoa na imagem e afirmou: “Sou eu”.

Aos pesquisadores da Divisão de Estudos Perceptivos, ele forneceu 55 detalhes obscuros e verificados sobre a vida do falecido agente de Hollywood Marty Martyn, incluindo o nome da rua onde morava, quantas irmãs ele tinha e sua comida favorita.

Correlação entre mortes violentas nos últimos 12 meses e crianças “reencarnadas”

Após uma longa análise de mais de 60 anos de dados compilados pela divisão, os pesquisadores acreditam ter encontrado um “tempo de regeneração”, ou seja, o período médio entre a morte de uma pessoa e sua suposta reencarnação.

Nos 1.319 casos com dados temporais utilizáveis, o intervalo mediano foi de 16 meses, embora o intervalo mais longo registrado tenha sido impressionante: 150 anos.

A descoberta mais recente é que, quando as pessoas falecem de forma repentina, como em acidentes ou violências, o tempo de reencarnação reduz para apenas 12 meses, em comparação aos 21 meses observados em mortes “antecipadas”.

“Este é o maior estudo sistemático até agora sobre padrões temporais em relatos de memórias de vidas passadas. Casos individuais podem ser interpretados de várias maneiras, mas padrões em muitos casos são mais difíceis de serem explicados como exagero, fantasia ou invenção”, disse Saeedeh Sadeghi, líder do estudo.

Outro ponto interessante é que as mortes não naturais representam a maioria dos casos no banco de dados: 57%, sendo que 68% foram consideradas inesperadas. Ao mesmo tempo, a maioria das pessoas “reencarnadas” tinha idade média de 30 anos.

“O efeito persistiu mesmo após considerarmos diversos fatores culturais e psicológicos, e foi ainda mais acentuado em famílias cujas crenças religiosas não apoiam a reencarnação”, afirmou o pesquisador da UVA, Philip Cozzolino, PhD.

“Seria isso uma evidência de algo metafísico? Os dados são observacionais e nos mantemos agnósticos quanto ao mecanismo envolvido”, concluiu Sadeghi. “O que posso afirmar é que o padrão é real nos dados e não é facilmente explicado pelos fatores culturais e psicológicos examinados — o que, para mim, é um motivo para continuarmos investigando, e não para desviar o olhar”.