Vida e Saúde
Felca: o que é a fobia social relatada por influenciador em novo vídeo
Ao longo do vídeo, influenciador detalha os impactos do bullying físico e psicológico que sofreu durante o período escolar
Após um hiato de quase um ano, o influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, de 27 anos, conhecido como Felca, voltou às redes sociais com um vídeo abordando seu diagnóstico de fobia social — um transtorno que provoca medo intenso de julgamento e pode afetar relacionamentos, estudos e trabalho.
Pressão de 6 por 4, batimentos a 130 por minuto, descarga de hormônios.
No vídeo, Felca detalha os impactos do bullying físico e psicológico que sofreu durante o período escolar, explicando como esse histórico contribuiu para o desenvolvimento de quadros graves de ansiedade em interações sociais. Ele relata que ficou meses sem sair de casa e, quando conseguia, seu coração acelerava, chegando a 138 batimentos por minuto.
Durante um período, segundo ele, só conseguia sair de casa e ter uma vida social se estivesse bêbado. Em uma dessas ocasiões, antes de gravar entrevistas com pessoas na rua, bebeu tanto para criar coragem que acabou caindo e quebrando costelas.
O que é a fobia social?
A fobia social, também chamada de transtorno de ansiedade social, é um transtorno mental caracterizado por medo intenso de situações sociais e receio constante de ser julgado, rejeitado ou constrangido. Ela pode afetar pessoas de diferentes idades, mas costuma surgir na adolescência.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a condição como o medo de ser observado por outras pessoas, a ponto de levar quem sofre com ela a evitar situações sociais.
Este transtorno é crônico e atinge de 10% a 15% da população mundial. Entre as consequências mais comuns estão a depressão pelo isolamento e o uso de álcool e outras drogas. Frequentemente, quem tem esse transtorno acredita que fez, faz e fará tudo errado. O que está em jogo não é apenas a vergonha, mas o pavor de ser ridicularizado.
Sintomas
Os sintomas incluem:
- Medo intenso de conversar com desconhecidos ou participar de eventos sociais;
- Desconforto ao falar em público ou realizar atividades sob observação;
- Voz trêmula, gagueira, rubor facial, suor excessivo ou tremores;
- Batimentos cardíacos acelerados, náuseas, boca seca ou tensão corporal;
- Dificuldade para falar ou sensação de mente em branco;
- Preocupação exagerada com críticas, rejeição ou constrangimento;
- Evitar reuniões de trabalho ou deixar de falar em público devido ao medo da exposição.
Segundo informações da Rede D´Or, esses sintomas podem variar de intensidade, mas geralmente aparecem em situações que envolvem interação social e possibilidade de avaliação por parte de outras pessoas.
Causas
A fobia social possui origem multifatorial, envolvendo aspectos biológicos, psicológicos e ambientais, tais como:
- Alterações em áreas do cérebro, como a amígdala, responsável pelo processamento das emoções, especialmente o medo;
- Histórico familiar de transtornos de ansiedade ou fobia social;
- Experiências negativas, como bullying, rejeição ou críticas frequentes;
- Traços de personalidade, como inibição ou sensibilidade ao julgamento;
- Ambiente familiar superprotetor ou excessivamente rígido.
Fobia social, timidez e ansiedade
Segundo especialistas, a diferença entre fobia social e timidez reside na intensidade. Enquanto a timidez é uma característica de personalidade que nem sempre causa prejuízos, a fobia provoca reações físicas e pode ser paralisante, levando a pessoa a evitar sair de casa ou a expor-se a qualquer situação nova.
O paciente antecipa e se preocupa com possíveis vexames, sofre durante todo o evento social e, após, revisa cada momento buscando erros.
A ansiedade é um termo mais amplo e pode aparecer em situações específicas, como antes de uma apresentação. A fobia, em contrapartida, é um transtorno definido no DSM-5, com sintomas intensos, persistentes por pelo menos seis meses e que causam prejuízo na vida diária.
Tratamentos
Entre os tratamentos disponíveis, destacam-se:
- Terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a modificar pensamentos e comportamentos relacionados ao medo social;
- Técnicas de exposição gradual para enfrentar situações sociais de forma segura e planejada;
- Treino de habilidades sociais para lidar com dificuldades de interação;
- Medicamentos prescritos por psiquiatra, principalmente em casos moderados ou graves;
- Acompanhamento psicológico para prevenção de recaídas e fortalecimento emocional.
O tratamento é definido de forma individualizada, considerando a intensidade dos sintomas e o impacto na vida diária. Pode ser controlado e, em muitos casos, os sintomas diminuem significativamente com um tratamento adequado.
Pessoas com fobia social também conseguem trabalhar normalmente, embora possam enfrentar dificuldades em reuniões, apresentações, entrevistas ou atividades que requeiram interação frequente. Um tratamento precoce e adequado reduz significativamente a gravidade dos sintomas e seu impacto no dia a dia.
Prevenção
Não existe uma forma garantida de prevenir a fobia social. Contudo, algumas medidas podem ajudar a reduzir fatores de risco, como:
- Identificar precocemente os sinais e sintomas;
- Promover ambientes escolares e familiares acolhedores;
- Combater o bullying e a exclusão social;
- Buscar apoio profissional diante de dificuldades emocionais persistentes.
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