Vida e Saúde
Brasil é o 1º país depois dos EUA a aprovar remédio para câncer de pulmão avançado com mutação específica
A telisotuzumabe vedotina é aprovada para pacientes adultos com câncer de pulmão de não pequenas células não escamoso, localmente avançado ou metastático
Nesta segunda-feira, o Brasil se tornou o segundo país do mundo - após os EUA - a aprovar um novo tratamento para câncer de pulmão avançado. Trata-se do telisotuzumabe vedotina, uma terapia-alvo indicada para o tratamento de pacientes adultos com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) não escamoso, localmente avançado ou metastático, com alta superexpressão da proteína c-Met, que receberam tratamento prévio.
A aprovação representa um novo avanço no tratamento do câncer de pulmão no país, em especial para os casos avançados, que representam cerca de 75% dos diagnósticos da doença e cujas possibilidades de tratamento são limitadas. De acordo com informações dos Centros Nacionais de Saúde dos EUA (NIH, na sigla em inglês), o câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) não escamoso representa a maioria dos casos de câncer de pulmão (cerca de 80% a 85% do total) e engloba principalmente subtipos como o adenocarcinoma, além de carcinomas de grandes células.
A superexpressão de c-Met está presente em aproximadamente 25% dos pacientes com esse tipo de câncer e está associada a pior prognóstico. O novo tratamento é um anticorpo droga conjugado (ADC), ou seja, um medicamento que funciona como um sistema de entrega direcionada. O anticorpo reconhece a proteína c-Met, presente na superfície de determinadas células, e transporta até elas uma substância capaz de matá-las.
Resultados da última etapa de testes clínicos mostraram que entre os pacientes com alta expressão de c-Met, a taxa de resposta objetiva (porcentagem de pacientes cujo tumor diminuiu de tamanho ou desapareceu) após o tratamento foi de 34,6%, com duração mediana da resposta de 9 meses e sobrevida global mediana de 14,6 meses. Nos EUA, a terapia recebeu aprovação acelerada da FDA.
"Esta aprovação representa um avanço importante para pacientes com CPNPC localmente avançado ou metastático, pois oferece uma nova opção de tratamento para pessoas com um perfil específico de biomarcadores que já receberam terapia sistêmica. As terapias-alvo são uma parte importante da oncologia de precisão, pois são desenvolvidas para atuar sobre características moleculares definidas das células tumorais", afirma Fernando Mos, diretor médico da AbbVie Brasil, em comunicado.
Câncer de pulmão
São estimados 35.380 novos casos por ano de câncer de pulmão no Brasil durante o triênio de 2026 a 2028. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), foram registradas mais de 32 mil mortes por câncer de traqueia, brônquios e pulmão em 2024.
No cenário global, o câncer de pulmão permanece como a principal causa de morte por câncer, com quase 2,65 milhões de novos casos e mais de 1,8 milhão de mortes estimados em 2024.
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