Vida e Saúde

Cientistas buscam a chave para o tratamento da artrite em novas alternativas engenhosas

Novas abordagens exploram caminhos alternativos em que os joelhos se ‘autorregeneram’

Agência O Globo - 15/10/2026
Cientistas buscam a chave para o tratamento da artrite em novas alternativas engenhosas
Cientistas buscam a chave para o tratamento da artrite em novas alternativas engenhosas - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Entre 1990 e 2019, o número estimado de casos de osteoartrite do joelho no Brasil aumentou de aproximadamente 3,78 milhões para 11,02 milhões, uma elevação de 191,19%, de acordo com um levantamento do Colégio Americano de Reumatologia.

Porém, o jogo pode estar virando para os nossos joelhos: pesquisadores da Universidade de Columbia, em Nova York, conseguiram criar um joelho impresso em 3D, biologicamente vivo e cirurgicamente implantado como uma nova forma de combate à osteoartrite.

A novidade, criada por pesquisadores liderados por Clark Hung e Nadeen Chahine, engenheiros biomédicos, foi capaz, segundo informações do Washington Post, de aguentar centenas de quilos de força, semelhante aos níveis gerados por um adulto típico caminhando rapidamente no pavimento, sem rachaduras ou mau funcionamento.

O joelho 3D ainda está longe de ser comercialmente viável, seja por questões práticas, científicas e regulatórias, mas Chahine acredita que, em 18 meses, se tudo der certo, ele estará pronto para testes preliminares em pessoas com artrite avançada no joelho.

A pesquisa da Universidade de Columbia é parte de um projeto de cinco anos, com investimento multimilionário do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, que financia diversas equipes científicas. O projeto se chama NITRO — abreviação de Novel Innovations for Tissue Regeneration in Osteoarthritis (Inovações Inovadoras para Regeneração de Tecidos na Osteoartrite).

Cada grupo testa diferentes caminhos na busca por uma cura da artrite, desde que o tratamento seja duradouro, permanente — ou seja, sem deixar nenhum metal ou outro material no joelho — e mais baratos que os métodos atuais.

No início, a artrite até pode ser controlada pela dieta, exercícios e medicações para dor, mas, com a progressão da doença, talvez seja necessário cirurgia na cartilagem ou no osso, injeções de esteroides e outras técnicas invasivas e custosas que, na maioria das vezes, não atingem os resultados desejados.

Quando a dor se torna intolerável e o joelho deixa de funcionar, a única saída é uma substituição total do joelho, solução cara e temporária, durando, no máximo 15 a 20 anos.

Uma outra equipe da iniciativa acredita que a resposta para a artrite está nas células, mais especificamente em uma espécie de “célula inteligente”: “Nosso conceito é reprogramar geneticamente as células da sua articulação, incluindo a cartilagem”, diz Farshid Guilak, professor de cirurgia ortopédica na Escola de Medicina da Universidade de Washington.

Assim, o time espera conseguir criar células capazes de detectar inflamações e sobrecargas nas articulações. Quando identificam esses sinais, as células passam a produzir proteínas que combatem a inflamação, aliviam a dor e estimulam a formação de cartilagem. A produção é interrompida quando o problema desaparece.

Testada em camundongos com artrite, a técnica utiliza nanopartículas para transportar o material genético até as células dos joelhos. Em poucas semanas, os animais apresentaram cartilagem mais saudável e menos inflamação. Os circuitos permaneceram nas articulações, sem migrar para outras partes do corpo.

Entre outras alternativas estudadas estão um medicamento que estimula a criação de novas células de cartilagem e uma injeção de um biomaterial líquido patenteado em joelhos com grandes orifícios na cartilagem ou no osso, solidificando-se.

A ideia é que, com ajuda de proteínas especializadas, células-tronco ósseas se tornem células de cartilagem. Essas novas células proliferam, o biomaterial se dissolve, a cartilagem saudável toma o seu lugar e o joelho deve ser rejuvenescido.

Até o momento, nenhuma das alternativas está sendo testada clinicamente em humanos, mas os pesquisadores esperam começar os testes em humanos em dois anos, o que é considerado pelo projeto NITRO como “ambicioso”.

O tempo mínimo, em média, é de cinco anos.

“Estamos bastante otimistas”, diz Chahine, de que a prótese de joelho desenvolvida por seu grupo receberá a aprovação para ser testada em humanos em breve e começar a ser usada para tratar artrite grave.