Vida e Saúde
É realmente importante sempre fazer jejum antes do exame de sangue? Novo estudo com 100 mil pessoas diz que não; entenda
Pesquisa publicada na revista científica JAMA Internal Medicine examinou quase 10 milhões de resultados
No Brasil, o jejum é algo requerido e costumeiro para quem vai fazer um exame de sangue. Muitas clínicas pedem que ele dure entre 8 a 12 horas antes da coleta. Um novo estudo investigou se ele é mesmo necessário, e os resultados sugerem que não é.
A pesquisa publicada na revista científica JAMA Internal Medicine utilizou dados de exames de sangue de rotina coletados de mais de 100 mil adultos. Nesse sentido, examinaram quase 10 milhões de resultados de testes coletados em 670 hospitais na Coreia do Sul.
Com base no tempo decorrido desde a última refeição, a equipe dividiu os pacientes em três categorias principais de duração do jejum: menos de 8 horas, de 8 a 12 horas e mais de 12 horas. Para descartar diferenças na saúde dos pacientes como causa, compararam os mesmos indivíduos em visitas separadas, cada uma com uma duração de jejum diferente.
Os hemogramas, marcadores da função renal, eletrólitos e a maioria das enzimas hepáticas apresentaram os mesmos resultados, independentemente do tempo de jejum dos pacientes. Entre 121 exames laboratoriais de rotina, apenas alguns exigiram jejum para serem precisos.
Foi demonstrado que na maioria dos testes, o jejum de algumas horas ou de um período muito mais longo teve pouca diferença clínica.
Apenas alguns apresentaram alterações significativas: níveis de glicose, triglicerídeos, enzimas hepáticas e lipase, que estavam visivelmente mais elevados quando os pacientes jejuaram por menos de 8 horas.
Com jejum inferior a 8 horas, a glicemia foi 10,8% maior, os triglicerídeos 20,1% maiores e a lipase, uma enzima digestiva pancreática, 36,4% maior. A glicemia diminuiu progressivamente, em cerca de 4,3 mg/dL para cada hora adicional de jejum.
Eles também descobriram que o jejum de 8 a 12 horas ou superior a 12 horas não apresentou diferença clínica significativa nos resultados dos testes. A opção de estender o jejum além de 12 horas não contribuiu para a precisão dos resultados e, ao contrário, causou desconforto desnecessário aos pacientes.
Assim, os pesquisadores propuseram substituir uma regra de jejum única para todos por requisitos específicos para cada teste, visto que a duração do jejum era relevante apenas para alguns deles.
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