Vida e Saúde
Fãs e entusiastas do setor de aviação prestam homenagem a Lito Sousa em velório
Influenciador que ajudava pessoas a perderem o medo de avião morreu após contrair uma doença neurológica rara
O velório do influenciador Lito Sousa, especialista em aviação, atraiu dezenas de fãs na manhã desta quinta-feira no aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo.
Lito Sousa:
Do diagnóstico ao 'último voo':
Mecânico de aeronaves, ele comoveu seguidores nos últimos dias de vida, enquanto tentava combater a doença de Creutzfeldt-Jakob, um mal neurológico ainda sem cura.
Souza foi velado dentro das instalações do Museu Aeroespacial Paulista, ainda não inaugurado, em um espaço aberto para familiares e amigos próximos.
Admiradores do influenciador puderam prestar suas homenagens em uma fila organizada.
Muitos daqueles que passavam pelo Campo de Marte eram trabalhadores e entusiastas do setor de aviação.
— Eu não sou especialista, sou fã do Lito, e aprendi a enfrentar o medo de avião com a ajuda das dicas dele — afirmou Rafael Avedian, admirador que compareceu ao velório nesta manhã. — Fiquei muito triste porque acompanhava diariamente seus posts. Vim aqui para prestar uma homenagem, me despedir dele e transmitir energia positiva para sua esposa.
Arturo Alcorta, consultor em segurança no trânsito que compareceu ao velório, descreveu Sousa como uma figura única na comunicação sobre aviação.
— Ele falava essencialmente sobre qualidade, procedimentos e correção de erros — afirmou. — O Lito foi aprendiz, mecânico, piloto e um comunicador de alta qualidade, conseguindo o que pouca gente faz nesse país: fechar o círculo de toda a estrutura do funcionamento de um setor.
Rinaldo Félix da Costa, ativista comunitário da zona norte que participou da mobilização pela criação do museu do Campo de Marte, também prestou sua homenagem ao influenciador.
— O Lito ensinou o que era cada pedacinho de um avião, uma máquina na qual nós, leigos, só sabemos entrar, sentar e ficar com medo antes de decolar — contou. — Ele conseguiu ensinar de maneira didática que o avião não é tão perigoso assim e mostrou que o céu é pra todos que querem trabalhar no setor. Basta querer estudar, correr atrás e buscar aprendizado.
O técnico em informática Daniel Aguirre Rodrigues, que também esteve presente no velório de Lito, destacou que os entusiastas da aviação estão em luto pela perda de uma das figuras mais importantes do campo.
— As pessoas que são fanáticas por aviação ou que trabalham na área perderam uma grande referência — afirmou. — Não pude conhecer pessoalmente e ainda planejava fazer um dos cursos dele, mas infelizmente não houve tempo. Espero conseguir ingressar na aviação futuramente, inspirado por ele.
Lito Sousa:
Lito Sousa faleceu na quinta-feira (1), aos 59 anos, após longos meses de tratamento contra a doença que o acometeu.
Vida e legado
Nascido Joselito Geraldo de Sousa em Natal (RN), Sousa ficou conhecido nas redes sociais pela criação do canal Aviões e Músicas, que acumulava 4,24 milhões de inscritos no YouTube.
Ele vinha passando por tratamentos experimentais para controlar a doença, acompanhados por uma legião de fãs conquistada por sua experiência em aviação. Durante os cuidados paliativos, assistência destinada a controlar sintomas e preservar a qualidade de vida, ele foi internado em várias ocasiões nas últimas semanas.
O quadro de saúde de Lito foi divulgado em julho, quando estava internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, com diagnóstico de inflamação do sistema nervoso central (SNC).
A condição de Lito levou o Ministério da Saúde a formalizar um pedido de inclusão do influenciador em um dos estudos experimentais realizados nos Estados Unidos.
O que são os príons?
O caso do influenciador não se enquadrou nos critérios técnicos do ensaio clínico que ele buscava participar, mas recebeu parte do tratamento dentro de um protocolo de uso compassivo. Infelizmente, a doença evoluiu rapidamente e ele não resistiu.
O que é a doença Creutzfeldt-Jakob?
De acordo com informações do Ministério da Saúde, trata-se de uma doença priônica rara, neurodegenerativa, progressiva e fatal. O quadro clínico inicial é caracterizado por demência, com perda de memória e tremores, além de outros sinais e sintomas neurológicos multifocais.
A doença se desenvolve quando uma proteína normal, chamada proteína príon celular (PrPC), altera sua forma, tornando-se um príon causador de doença. Segundo informações do Manual MSD, os príons acumulam lentamente no cérebro, causando pequenas bolhas nas células cerebrais, que morrem gradualmente. Quando um número suficiente de células cerebrais apresenta mal funcionamento ou morre, os sintomas aparecem, levando à morte.
Qual é a relação com a doença da vaca louca?
Existem quatro formas conhecidas da doença de Creutzfeldt-Jakob, entre elas a nova variante (vDCJ), popularmente conhecida como doença da vaca louca. Contudo, a imensa maioria dos casos em humanos ocorre de forma esporádica ou genética, sem ligação ao consumo de carne contaminada. Desde 2005, não houve registro de casos de vDCJ no Brasil, nem mortes atribuídas a essa variante no país.
As quatro formas conhecidas da DCJ são: esporádica, hereditária, iatrogênica e a nova variante (vDCJ). A maioria absoluta das ocorrências (85%) ocorre sob a forma esporádica, sem causa ou fonte infecciosa conhecida, e sem comprovação de transmissibilidade entre indivíduos.
A forma hereditária corresponde a 10 a 15% dos casos de DCJ e ocorre por mutações no príon, decorrentes de mutações no gene que codifica a produção da proteína priônica. Já a forma iatrogênica corresponde a menos de 1% dos casos mundiais, resultantes de procedimentos cirúrgicos ou uso de instrumentos neurocirúrgicos contaminados.
A variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob (vDCJ) é outra doença priônica, associada ao consumo de carne e subprodutos de bovinos contaminados com encefalite espongiforme bovina ou “doença da vaca louca”.
Segundo a definição apresentada pelo Ministério da Saúde, um caso pode ser classificado como possível, provável ou definitivo com base nos sinais e sintomas, resultados de exames como eletroencefalograma e ressonância magnética, e histórico epidemiológico. A confirmação definitiva, entretanto, exige necropsia com análise neuropatológica de fragmentos do cérebro por meio de testes histopatológicos e/ou imunohistoquímicos.
A doença não tem cura, mas o tratamento pode ajudar a aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes afetados. Cerca de 90% das pessoas falecem em até um ano após as primeiras manifestações clínicas da doença.
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