Vida e Saúde
Pacientes que trocaram caneta por pílula perderam mais peso, indica novo estudo
Dados de vida real apresentados no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Milão, mostram perda média de 4,1% do peso após três meses de uso de semaglutida oral.
Pessoas com sobrepeso ou obesidade que trocaram medicamentos injetáveis para perda de peso por uma versão em comprimido de semaglutida Wegovy, da Novo Nordisk, perderam, em média, 4,1% do peso corporal após três meses, segundo novos dados divulgados nesta quarta-feira (30), durante o Congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, na Itália.
Canetas emagrecedoras:
Para pessoas com mais de 40 anos:
O estudo, chamado Octane, analisou dados de 194 adultos que utilizavam semaglutida ou tirzepatida injetáveis e passaram a tomar semaglutida oral uma vez ao dia. A pesquisa foi realizada a partir de dados anônimos da plataforma de telemedicina Ro, em uma colaboração com a farmacêutica Novo, fabricante do Wegovy, que também tem uma versão injetável.
Em média, os participantes perderam 4 kg no período de três meses. Entre aqueles que concluíram o acompanhamento, 40,7% conseguiram reduzir pelo menos 5% do peso corporal.
A média de peso inicial dos participantes era de 100,5 kg, com índice de massa corporal (IMC) médio de 34,5 kg/m². Ao final dos três meses, a proporção de pessoas classificadas com obesidade — IMC igual ou superior a 30 — caiu de 87,1% para 65,5%.
Maioria relatou mudanças no tratamento
Além da perda de peso, 82,4% dos participantes que forneceram informações relataram pelo menos uma melhora relacionada ao tratamento. Entre as mudanças mencionadas estavam o uso de roupas que passaram a servir melhor, relatado por cerca de 69%, e hábitos alimentares considerados mais saudáveis, citados por aproximadamente 51%.
— O que os dados do Octane mostraram é que a troca para a semaglutida oral pode ser uma alternativa viável para o paciente adequado, com perda de peso real e melhorias no estilo de vida nos primeiros três meses — afirma Louis J. Aronne, diretor do Comprehensive Weight Control Center da Weill Cornell Medicine e coautor do estudo.
Segundo Aronne, os resultados também indicaram que muitos participantes passaram a apresentar IMC abaixo do limite clínico usado para definir obesidade.
A Novo informou que algumas pessoas podem optar pela troca de uma medicação injetável por uma opção oral por diferentes razões, como medo de agulhas, rotina ou preferência pessoal.
Estudo tem limitações
Os pesquisadores ressaltam, porém, que os resultados não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito nem afirmar que a pílula seja necessariamente mais eficaz que os medicamentos injetáveis.
O Octane é um estudo retrospectivo baseado em dados de pacientes atendidos na plataforma de telemedicina. Informações autorrelatadas podem estar sujeitas a vieses, e a exigência de que os participantes permanecessem em tratamento durante os três meses de acompanhamento pode ter produzido um viés de seleção.
Além disso, os resultados podem não representar a população mais ampla de pessoas que utilizam medicamentos para controle do peso.
O estudo incluiu adultos com sobrepeso ou obesidade e pelo menos uma condição relacionada à obesidade, como hipertensão, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono ou doença cardiovascular. Pessoas com histórico de diabetes ou cirurgia bariátrica não participaram da análise.
Como foi feita a troca
Os participantes haviam utilizado semaglutida ou tirzepatida injetáveis e começaram a tomar semaglutida oral entre 5 de janeiro e 7 de fevereiro de 2026. O intervalo médio entre a última prescrição do medicamento injetável e o início do comprimido foi de 36,8 dias.
Para fazer parte da análise final, os pacientes precisavam ter permanecido no tratamento oral durante os três meses de acompanhamento, sem interrupção superior a 30 dias, além de fornecer informações sobre o peso no início e no fim do período.
A semaglutida oral já foi lançada nos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Alemanha, segundo a Novo, que prevê ampliar a disponibilidade para outros mercados nos próximos trimestres. No Brasil, a Anvisa aprovou atualização da posologia do medicamento Wegovy no último mês de maio. A nova dosagem é indicada para pacientes adultos com obesidade que não tenham alcançado resposta clínica com a dose de 2,4 mg.
Como ocorre com as versões injetáveis de semaglutida, o medicamento oral possui alerta para o risco de tumores da tireoide, incluindo câncer, e não deve ser usado por pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2. Entre os efeitos colaterais mais comuns estão náusea, diarreia, vômito, constipação e dor abdominal.
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