Vida e Saúde
EUA aprovam novo medicamento para Parkinson que age de jeito inédito no cérebro
Tavapadon, vendido com o nome de Juvmo, é tomado uma vez ao dia sozinho ou com a levodopa, o remédio mais usado contra a doença
A FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora americana, aprovou um novo medicamento para a doença de Parkinson. Trata-se do tavapadon, um comprimido tomado uma vez ao dia que trata da doença em adultos.
Vendida sob o nome de Juvmo, a medicação pode ser utilizada sozinha ou em combinação com a levodopa, o remédio mais comum contra a doença. A inovação está no caminho que ele percorre no cérebro, diferente dos medicamentos disponíveis há décadas. A levodopa, que serve como base da terapia, é convertida em dopamina pelo próprio cérebro.
A doença afeta mais de 11 milhões de pessoas em todo o mundo e ocorre quando os neurônios que produzem dopamina vão morrendo gradualmente. Essa substância é essencial para o controle dos movimentos; por isso, os sintomas mais característicos da doença incluem lentidão, rigidez e tremores nos braços e pernas, o que torna a dopamina fundamental.
A dopamina atua no cérebro ao conectar-se a estruturas chamadas receptores, que funcionam como fechaduras. Existem cinco tipos, cada um abrindo diferentes portas. Os medicamentos que imitam a dopamina, como pramipexol e rotigotina, utilizados no Brasil, atuam principalmente nas fechaduras D2 e D3.
Além de facilitar os movimentos, esses medicamentos influenciam a sensação de recompensa e também o sono. Por essa razão, podem provocar sonolência, alucinações e compulsões, como jogar ou comprar de forma desenfreada, efeitos que levam muitos pacientes a interromper o tratamento.
O novo medicamento atua em outras duas fechaduras, D1 e D5, ligadas ao início dos movimentos e com menor associação a esses efeitos colaterais. Os pesquisadores visam, com o tavapadon, melhorar a mobilidade sem causar reações indesejadas.
O remédio deve estar disponível nas farmácias americanas a partir de outubro. No Brasil, ainda não há previsão de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Estudo
Uma pesquisa realizada em maio e publicada na revista científica JAMA Neurology acompanhou 507 pessoas que já utilizavam levodopa e, em média, passavam cinco horas e meia por dia enfrentando os sintomas da doença.
Após 26 semanas, os pacientes que tomaram tavapadon conseguiram aumentar em 1,7 horas diárias a boa mobilidade, comparado a 0,6 horas no grupo que recebeu placebo, resultando em uma diferença de 1,1 hora. O tempo de sintomas também diminuiu quase duas horas por dia com o uso do remédio, o dobro da redução observada com o placebo.
No entanto, reações adversas foram registradas: 71,7% dos pacientes que tomaram o medicamento relataram algum efeito, em comparação a 55,1% no grupo placebo. Dentre os efeitos, estiveram enjoo, movimentos involuntários e tontura, geralmente classificados como leves ou moderados. Aproximadamente 17% dos pacientes abandonaram o tratamento devido a esses efeitos, quase o dobro em relação ao grupo placebo.
Especialistas ressaltam que o novo medicamento alivia os sintomas, mas não inibe a morte dos neurônios, questão principal que os pesquisadores enfrentam atualmente em relação à doença de Parkinson.
O remédio auxilia as células que ainda estão ativas a utilizarem de forma mais eficaz a dopamina disponível; contudo, o efeito é mantido enquanto o medicamento for administrado. Cientistas ao redor do mundo continuam a investigar formas de frear a degeneração neuronal.
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