Vida e Saúde

Canetas emagrecedoras: Conselho de Oftalmologia orienta pacientes após análise da Anvisa sobre casos de doença ocular

Entidade recomenda que usuários façam acompanhamento oftalmológico regular.

Agência O Globo - 30/09/2026
Canetas emagrecedoras: Conselho de Oftalmologia orienta pacientes após análise da Anvisa sobre casos de doença ocular
canetas emagrecedoras - Foto: Depositphotos

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) divulgou uma nota com orientações após a investigação realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sobre 13 casos de pessoas que desenvolveram neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) durante o uso de canetas emagrecedoras. Segundo o Conselho, não há recomendação de suspender os medicamentos.

Por outro lado, é recomendado que pessoas que utilizam esses medicamentos realizem acompanhamento oftalmológico, com consultas e exames regulares, como medida de detecção precoce de qualquer alteração na visão.

O posicionamento da entidade é de que a associação entre as substâncias e a saúde ocular carece de estudos e evidências científicas robustos.

"Não se conhece o mecanismo por trás dessa possível associação. Há estudos indicando a associação e estudos que não mostram esses resultados. Mesmo se essa associação seja comprovada, os estudos sugerem que o risco continua sendo muito baixo", afirma Mauro Goldbaum, secretário geral do CBO, em nota.

Além disso, é ressaltado que as canetas emagrecedoras devem ser utilizadas apenas sob indicação médica, para casos de diabetes e obesidade.

O que é a NOIA-NA?

A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) se refere a um "infarto" no nervo óptico, causado pela falta de circulação sanguínea no disco óptico, onde o nervo deixa o olho e segue para o cérebro. Sem oxigênio suficiente, as fibras nervosas sofrem lesão, afetando assim a visão. Dessa maneira, a NOIA-NA pode resultar em perda visual irreversível.

Conforme o CBO, os principais fatores de risco para a NOIA-NA incluem hipertensão arterial sistêmica, diabetes tipo 2, tabagismo, hiperlipidemia, obesidade, escavação pequena do disco óptico, drusa de papila e uso de medicamentos.

"Essa situação reforça a necessidade de avaliação contínua das evidências científicas e do monitoramento oftalmológico, por meio de consultas e exames regulares, visando detectar precocemente qualquer alteração visual, seja uma complicação da doença ou do tratamento", conclui a nota.

*matéria em atualização