Vida e Saúde
8 conservantes alimentares comuns são associados à pressão alta, em estudo inédito
Conservantes são substâncias formuladas para evitar a deterioração dos alimentos inibindo o crescimento de bactérias ou fungos ou para impedir a oxidação
Oito substâncias químicas comumente usadas na conservação de alimentos estão associadas a um maior risco de pressão alta. A conclusão é de um grande estudo publicado recentemente na revista científica European Heart Journal. Este é o primeiro estudo do gênero a investigar as relações entre uma ampla variedade de conservantes e a saúde cardiovascular.
Pesquisadores acompanharam a saúde e a alimentação de 112.395 pessoas na França por um período de aproximadamente sete a oito anos. Os resultados mostraram que aqueles que consumiam maiores quantidades de conservantes apresentaram um risco 24% maior de desenvolver pressão alta.
Além disso, os participantes que consumiam mais conservantes não antioxidantes apresentaram um risco relativo 16% maior de desenvolver doenças cardiovasculares. Esses conservantes são formulados para evitar a deterioração dos alimentos, inibindo o crescimento de bactérias ou fungos, em vez de impedir a oxidação.
No entanto, até mesmo alguns conservantes antioxidantes — quimicamente idênticos a compostos encontrados na natureza, como a vitamina C — foram associados a efeitos negativos para a saúde. Esses aditivos são usados, por vezes, para evitar que frutas ou vegetais escureçam.
Os oito aditivos identificados pelos pesquisadores foram:
Sorbato de potássio (E202), frequentemente utilizado em frutas e bebidas processadas.
Metabissulfito de potássio (E224), comumente usado em bebidas alcoólicas, como o vinho.
Nitrito de sódio (E250), ascorbato de sódio (E301) e eritorbato de sódio (E316), todos utilizados em carnes processadas.
Ácido ascórbico (E300), frequentemente adicionado a frutas e vegetais processados.
Ácido cítrico (E330), comumente usado em refrigerantes.
Extrato de alecrim (E392), tipicamente adicionado a óleos e gorduras.
Apenas uma dessas substâncias isoladamente foi associada a doenças cardiovasculares. Surpreendentemente, foi o ácido ascórbico (E300) — nome químico da vitamina C — que se associou a um risco 15% maior de doenças cardiovasculares.
Cerca de metade dos ascorbatos ingeridos pelos participantes deste estudo provinha de frutas e vegetais processados. Pesquisas anteriores associaram a vitamina C natural a melhores resultados de saúde, mas talvez esse não seja o caso quando essa substância é utilizada como aditivo alimentar.
Esse resultado obtido na França não coloca em xeque as atuais diretrizes alimentares, mas sugere que as normas de segurança podem exigir uma reavaliação. Os autores argumentam que os seus resultados têm implicações importantes para a saúde pública, uma vez que os consumidores estão expostos a estes compostos através de milhares de alimentos e bebidas.
Como se trata de um estudo observacional, não é possível estabelecer que esses aditivos alimentares causem pressão alta ou levem diretamente a doenças cardíacas. Ele apenas sugere possíveis associações.
Um dos pontos positivos desta pesquisa, no entanto, é que os cientistas monitoraram rigorosamente a dieta dos participantes. Alguns indivíduos registraram quase 100 refeições diárias, incluindo informações sobre as marcas dos alimentos consumidos.
Essas informações extremamente detalhadas permitiram aos pesquisadores fazer ajustes para levar em conta o fato de que alimentos processados e pouco saudáveis têm maior probabilidade de conter conservantes. Mesmo após ajustes para os principais grupos alimentares — como frutas e vegetais, carnes vermelhas e processadas, e alimentos ultraprocessados —, foram encontradas associações estatisticamente significativas entre conservantes e desfechos de saúde cardiovascular.
"Isso reduz a probabilidade de que as associações observadas sejam causadas apenas pelos próprios alimentos, em vez de pelos conservantes estudados", explicam os autores.
Câncer e diabetes
Dois estudos anteriores associaram o consumo de certos conservantes, muito presentes na alimentação, a uma frequência ligeiramente maior de cânceres e diabetes. Existem "múltiplas associações entre conservantes amplamente utilizados em alimentos e bebidas industriais presentes no mercado europeu e uma maior incidência de cânceres", em particular de mama e de próstata, segundo o primeiro desses estudos, publicado na revista BMJ.
O segundo, realizado pela mesma equipe do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica e publicado na revista Nature Communications, conclui que existem "associações entre uma maior incidência de diabetes tipo 2 e um consumo mais elevado de vários conservantes muito utilizados". Esses dois estudos não permitem concluir que exista um mecanismo direto de causa e efeito entre essas patologias e o consumo dos aditivos em questão, mas fornecem indícios importantes nesse sentido, graças à sua metodologia robusta.
Neste caso, a maior associação entre conservantes e câncer foi observada no consumo de sorbatos, sulfitos e nitritos. A associação mais forte é observada entre o nitrito de sódio (E250) e o câncer de próstata, cujo risco aumenta em cerca de um terço. No caso do diabetes, o consumo regular de sorbato de potássio (E202) está associado a uma frequência duas vezes maior dessa condição.
Apesar dos resultados, os pesquisadores esclarecem que esse nível de risco continua sendo limitado em escala individual — a título de comparação, o tabagismo multiplica por mais de 15 o risco de câncer de pulmão em grandes fumantes —, mas representa, em nível coletivo, um número elevado de casos adicionais devido à ampla presença desses aditivos na alimentação.
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