Vida e Saúde
'Canetas emagrecedoras' podem reduzir risco de câncer de mama em até 30%, apontam estudos
Pesquisas apresentadas em congresso de oncologia nos EUA associam medicamentos da classe GLP-1 a menor incidência da doença e melhores taxas de sobrevivência, mas especialistas pedem cautela
Medicamentos usados para perda de peso, como os da classe GLP-1, como, por exemplo, Ozempic, Mounjaro e WeGovy, conhecidos popularmente como "canetas emagrecedoras", podem ajudar a reduzir o risco de desenvolvimento de câncer de mama e melhorar a sobrevivência de pacientes já diagnosticadas com a doença. A conclusão é de uma série de estudos apresentados durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, nos Estados Unidos, nesta terça-feira.
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Uma das pesquisas analisou dados de mais de 110 mil mulheres entre 45 e 80 anos com sobrepeso ou obesidade. Os resultados mostraram que aquelas que utilizaram medicamentos GLP-1 apresentaram entre 30% e 35% menos chances de desenvolver câncer de mama em comparação com mulheres que não fizeram uso desses remédios.
O estudo, no periódico JCO Oncology Practice, foi conduzido por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, que avaliaram registros médicos de pacientes acompanhadas entre 2022 e 2025. Segundo os autores, a redução da incidência da doença foi observada tanto na análise geral quanto em grupos de comparação ajustados para fatores como idade, índice de massa corporal (IMC), raça, etnia e diabetes.
Além da prevenção, os pesquisadores identificaram possíveis benefícios para pacientes que já convivem com o câncer. Outro estudo, envolvendo cerca de 27 mil mulheres com câncer de mama, indicou que o uso combinado dos medicamentos para emagrecimento e dos tratamentos convencionais esteve associado a uma redução de aproximadamente 30% no risco de morte em até 18 meses.
Os resultados também sugerem impacto sobre a progressão da doença. Uma terceira análise feita com mais de 12 mil pacientes com diferentes tipos de câncer relacionados à obesidade mostrou que usuários de GLP-1 tiveram entre 38% e 50% menos risco de evolução para câncer metastático em tumores de mama, pulmão, fígado e intestino. No caso específico do câncer de mama, a taxa de progressão para estágio avançado foi cerca de metade da observada entre pacientes que utilizaram outros medicamentos para diabetes.
Os cientistas acreditam que os benefícios podem estar ligados não apenas à perda de peso, mas também a efeitos biológicos diretos desses medicamentos. Entre as hipóteses investigadas estão a redução da inflamação crônica, alterações metabólicas e possíveis ações sobre mecanismos envolvidos no crescimento tumoral.
Apesar do entusiasmo, especialistas destacam que os resultados ainda são observacionais e não comprovam relação de causa e efeito. Ensaios clínicos específicos já estão sendo planejados para verificar se os medicamentos podem ser utilizados futuramente como estratégia de prevenção do câncer em grupos de alto risco ou como complemento ao tratamento oncológico.
A classe GLP-1 inclui medicamentos amplamente conhecidos para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, que ganharam popularidade nos últimos anos por sua eficácia na redução de peso. Estudos anteriores já haviam associado esses remédios à diminuição do risco de outros cânceres relacionados à obesidade, como os de fígado, pâncreas e intestino.
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