Vida e Saúde

Teste de escrita rápido e fácil pode detectar declínio cognitivo em idosos

Pesquisadores realizaram um estudo com 58 pessoas em Portugal

Agência O Globo - 01/06/2026
Teste de escrita rápido e fácil pode detectar declínio cognitivo em idosos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Escrever pode parecer uma tarefa trivial, mas envolve uma série de processos cognitivos sofisticados. Com base nessa indicação, pesquisadores da Universidade de Évora, em Portugal, conduziram um estudo com 58 idosos para investigar a relação entre caligrafia e envelhecimento saudável.

Publicada na revista Frontiers in Human Neuroscience , uma pesquisa demonstrou que uma análise computadorizada da caligrafia — especialmente durante atividades de ditado — pode diferenciar idosos com comprometimento cognitivo daqueles com envelhecimento normal.

Os principais indicadores de declínio observados foram a duração dos trechos e o número de movimentos realizados com a caneta.

A escrita: uma janela para o cérebro

“A escrita não é apenas uma atividade motora; é uma janela para o cérebro”, afirma Ana Rita Matias, investigadora responsável pelo estudo.

Os testes foram realizados em uma mesa digitalizadora capaz de registrar posição, pressão e tempo de escrita. As atividades variaram de exercícios de controle motor — como fazer pontos e linhas horizontais por 20 segundos — até tarefas que geraram velocidade, como copiar frases curtas, escrever sob orientações e reproduzir frases mais longas.

Entre as partes analisadas incluíram o tamanho vertical e horizontal dos traços, especificidade, tempo de início, duração total, proporção de tempo com a caneta na mesa, especializações do movimento, pressão média e número de traços.

Na segunda etapa do teste, os resultados foram ainda mais esclarecedores: “As tarefas de ditado são mais sensíveis porque desligar que o cérebro realiza múltiplas funções simultaneamente: ouvir, processar a linguagem, converter sons em escrito e coordenar movimentos”, explica Matias. “À medida que esses sistemas cognitivos declinam, a escrita torna-se mais lenta, fragmentada e menos coordenada.”

Ela acrescenta: "Mesmo em tarefas de ditado, podem surgir diferenças. Uma frase mais longa, menos previsível ou com maior complexidade linguística demanda mais dos recursos cognitivos".

De acordo com a pesquisadora, adultos mais velhos com comprometimento cognitivo apresentam padrões distintos no ritmo e na organização dos movimentos de escrita. As tarefas cognitivas que desativam maior capacidade evidenciaram que o declínio se reflete na eficiência e na coerência dos movimentos ao longo do tempo.