Vida e Saúde
Dia Mundial Sem Tabaco: câncer, AVC, danos na gravidez e impacto ambiental; veja os principais riscos do cigarro
OMS e pesquisadores reforçam alertas sobre mortes, doenças, cigarros eletrônicos e danos ambientais associados ao tabaco
Comemorado neste domingo, o Dia Mundial Sem Tabaco acontece anualmente em 31 de maio e busca chamar a atenção para os riscos do consumo de tabaco e defender políticas públicas externas à redução do uso de cigarros e outros produtos com nicotina.
Angelita Gama:
Veja a lista:
Promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros em diferentes países, a campanha ocorre em meio a novos alertas sobre mortes, doenças e impactos ambientais associados ao setor.
Segundo a OMS, o tabaco é a principal causa evitável de morte no mundo e mata mais de 8 milhões de pessoas todos os anos. O consumo está ligado à morte de um em cada 10 adultos em todo o mundo.
Impacto na saúde e no meio ambiente
Além dos efeitos sobre a saúde, a OMS destaca o peso ambiental da cadeia produtiva do tabaco. O impacto da indústria sobre o meio ambiente é amplo e crescente, desde o cultivo e produção até a distribuição, consumo e descarte dos resíduos.
O setor acrescenta uma pressão aos já escassos recursos e ecossistemas do planeta.
Um levantamento do Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde (IHME), vinculado à Universidade de Washington e apresentado na Conferência Mundial sobre Controle do Tabaco, na Irlanda, aponta que a exposição ao tabaco infectado mais de 7 milhões de mortes em 2023.
O estudo considera como exposição o tabagismo, o consumo de tabaco de mascar e o fumo passivo.
Segundo o relatório, houve "aumento de 24,4% na taxa de mortes atribuídas ao tabaco" em comparação com 1990.
De acordo com Brooks Morgan, pesquisador do IHME, o tabaco contribui para aproximadamente uma em cada oito mortes no mundo.
Entre os homens, o tabaco aparece como principal fator de risco para mortes, com 5,59 milhões de registros em 2023. Entre as mulheres, ocupa a sétima posição, com 1,77 milhão de mortes.
O Egito foi apontado como o país mais atingido entre os citados no relatório. As mortes no ano de 2023 foram 124,3% maiores do que em 1990.
OMS mira cigarros eletrônicos e defende advertências
Outro relatório da OMS propõe um esforço no combate ao tabagismo e aos novos produtos de nicotina. Entre os produtos indicados estão os cigarros eletrônicos.
O documento cita medidas como aumento de impostos e exigência de advertências nas embalagens como estratégias para reduzir o consumo.
No Brasil, estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que o país gasta R$ 5 por pessoa com doenças relacionadas às substâncias presentes no cigarro de tabaco. Segundo o levantamento, isso representa perdas anuais de R$ 153 bilhões.
Para André Szklo, pesquisador e coautor do estudo, isso “quantifica esse ciclo perverso, que é algo que faz com que o fumante atual gere lucro até quando ele falecer, e que uma parcela desse lucro seja usada para reportar esses fumantes que, infelizmente, virão a morrer”.
Cigarro está ligado ao câncer, AVC e complicações na gravidez
Entre as doenças associadas ao tabagismo, o câncer de pulmão permanece como uma das mais conhecidas e prejudiciais. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), os fumantes têm de 15 a 30 vezes mais chance de desenvolver a doença.
Ao todo, 80% a 90% das mortes por câncer de pulmão são ligadas ao cigarro.
O tabagismo também afeta reprodução e gravidez. Documento publicado por comitê da Sociedade Americana para Medicina Reprodutiva destacou associação com menor contagem de espermatozoides, dificuldade para engravidar, parto prematuro, restrição do crescimento fetal, descolamento da placenta e mortalidade no fim da gestação e no período neonatal.
Segundo o CDC, fumar dobra ou risco de sangramento anormal durante a gravidez. O cigarro também pode comprometer o desenvolvimento pulmonar e cerebral do feto, com efeitos que podem persistir na infância.
Outro problema associado ao fumo é o acidente vascular cerebral (AVC). Segundo a Organização Mundial do AVC, pessoas que fumaram 20 cigarros por dia podem ter chance 6 vezes maior de sofrer perdas em comparação com não fumantes.
O monóxido de carbono reduz a oxigênio no sangue e que a nicotina acelera as doenças cardíacas, elevando a pressão arterial. O cigarro ainda aumenta o colesterol considerado ruim, torna o sangue mais espesso e favorece a formação de coágulos. O diabetes tipo 2 também aparece entre as doenças fortemente associadas ao tabagismo.
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