Vida e Saúde

Ebola: por que o contágio é difícil e restrito?

Apesar de alerta de emergência internacional da OMS, cenário não apresenta potencial pandêmico devido a limitações na forma como o vírus é transmitido

Agência O Globo - 30/05/2026
Ebola: por que o contágio é difícil e restrito?
Ebola é uma doença infecciosa grave - Foto: ANSA

A Organização Mundial da Saúde () decretou emergência de saúde pública de importância internacional devido a um surto de Ebola na (RDC) e em . Agora, investiga um caso suspeito da doença. Mas, ainda que a medida desperte memórias de 2020, a crise atual não deve virar uma pandemia.

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O próprio chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o cenário do ebola não atende aos critérios de "emergência pandêmica", segundo a definição dos Regulamentos Sanitários Internacionais. A OMS avalia o risco da epidemia como alto nos níveis nacional e regional, mas baixo no âmbito global. A principal preocupação é com a amplitude a rapidez da disseminação do vírus nos locais atingidos.

Transmissão limitada

Um dos principais motivos pelos quais o Ebola não é considerado um vírus de potencial pandêmico é seu modo de transmissão. Diferente do vírus da Covid-19 e do Influenza, que causaram as últimas pandemias, o Ebola não tem transmissão por vias respiratórias, o que dificulta a sua disseminação de forma mais ampla.

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O patógeno circula principalmente entre animais, e a infecção entre humanos ocorre pelo contato próximo com sangue ou secreções de indivíduos contaminados. Depois, o vírus pode se espalhar entre humanos, mas apenas pelo contato direto com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou por superfícies contaminadas.

De acordo com a OMS, essa transmissão é particularmente ampliada em serviços de saúde com medidas de prevenção inadequadas e durante práticas inseguras de sepultamento que envolvem contato direto com pessoas falecidas, como tem ocorrido na RDC.

— A forma de contágio limita significativamente sua capacidade de disseminação em comparação com vírus respiratórios, como influenza ou SARS-CoV-2, que causa a Covid-19 — diz Leonardo Weissmann, infectologista do Hospital Regional Jorge Rossmann, em São Paulo, e mestre em Ciências, Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Universidade de São Paulo (USP),