Vida e Saúde

Pequenas doses de antibiótico mostram potencial no tratamento de ataques de pânico

Pesquisa da Unesp e UFRJ indica que minociclina pode ter efeito semelhante ao Rivotril no controle do transtorno de pânico

Agência O Globo - 01/05/2026
Pequenas doses de antibiótico mostram potencial no tratamento de ataques de pânico
- Foto: Thallysson Alves / Ascom HGE

Um estudo conduzido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou que pequenas doses do antibiótico minociclina podem auxiliar no tratamento do transtorno do pânico, apresentando efeito semelhante ao do clonazepam (Rivotril).

As doses empregadas na pesquisa foram significativamente menores do que as normalmente utilizadas para tratar infecções bacterianas, o que diminui o risco de desenvolvimento de resistência bacteriana.

Nos testes realizados com humanos, o tratamento resultou em uma redução na intensidade dos ataques de pânico.

Segundo o estudo, liderado pela pesquisadora Beatriz de Oliveira, algumas condições psiquiátricas estão relacionadas à inflamação das células nervosas. A minociclina, em baixas doses, demonstrou exercer um efeito anti-inflamatório.

Resultados e relações:

Os pacientes que receberam minociclina apresentaram níveis reduzidos de citocinas pró-inflamatórias, como a interleucina (IL)-2sRα e a IL-6, além de níveis aumentados de IL-10, responsável por promover uma resposta anti-inflamatória. Também foi observada redução em outro tipo de citocina associada a processos inflamatórios.

O estudo avaliou 49 pacientes diagnosticados com transtorno de pânico. No início e após sete dias de uso da minociclina, os participantes inalaram ar enriquecido com 35% de dióxido de carbono, simulando a sensação de sufocamento típica de um ataque de pânico. O grupo de controle utilizou clonazepam.

A pesquisa abre caminho para a investigação de outros medicamentos com ação anti-inflamatória que possam contribuir para o tratamento do transtorno do pânico. No entanto, os autores ressaltam que são necessários mais estudos antes que a minociclina seja recomendada para esse fim. O trabalho foi publicado na revista Translational Psychiatry.