Vida e Saúde

Line Skin: conheça o peeling que promete renovar a pele e virou tendência entre celebridades

Método visa reduzir manchas, rugas e marcas de expressão, mas exige cautela devido aos riscos envolvidos

Agência O Globo - 30/04/2026
Line Skin: conheça o peeling que promete renovar a pele e virou tendência entre celebridades
- Foto: Brunno Afonso

A influenciada Maya Massafera, de 45 anos, apareceu recentemente em suas redes sociais detalhes sobre o procedimento Line Skin. Segundo Maya, o tratamento “destrói” a pele de forma controlada para estimular sua regeneração e renovação.

"A doutora vai destruir a minha pele. Vou fazer um novo procedimento, que as atrizes de Hollywood estão fazendo. Você derrota, tira toda a sua pele e depois coloca de volta para virar uma nova pele", relatou a influenciada.

O que é o Line Skin?

De acordo com a dermatologista Natasha Crepaldi, professora do Departamento de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Line Skin é um peeling químico de profundidade média a profunda. O método consiste em aplicar as camadas mais profundas da pele de maneira controlada, com o objetivo de estimular a produção de colágeno e, assim, reduzir manchas, rugas e marcas de expressão.

O procedimento é frequentemente chamado de "primo do fenol", conforme recomendado por Maya. No entanto, Crepaldi ressalta que a fórmula do Line Skin não está disponível em periódicos científicos indexados, o que impede uma comparação objetiva com o peeling de fenol clássico, realizado sob supervisão médica em ambiente controlado.

Recuperação e riscos

Um especialista explica que o tempo de recuperação varia de acordo com a profundidade atingida e os ativos utilizados. "Peelings que estimulam o colágeno na derme exigem necessariamente descamação intensa, ocorrem que podem durar semanas a meses e fotoproteção rigorosa por longo período. Mesmo com fórmulas modernas, complicações são comuns e nem sempre transitórias: eritema persistente, manchas escuras (hiperpigmentação), manchas claras permanentes (hipopigmentação), linhas de demarcação e, casos em graves, cicatrizes. Promessas de recuperação rápida em peelings profundos precisam ser examinadas com ceticismo", alerta Crepaldi.

Ela esclarece ainda que peelings superficiais, lasers não ablativos e tratamentos de manutenção podem ser realizados mensalmente ou bimestralmente. Já procedimentos profundos, como o peeling de fenol verdadeiro, não devem ser repetidos em intervalo inferior a um ano na mesma área, pois a pele leva meses para completar a remodelação do colágeno. Agressões repetidas em curto prazo aumentam o risco de cicatrizes e alterações permanentes de pigmentação.

“O que mais preocupa hoje não é o intervalo entre procedimentos, mas a banalização dos peelings profundos nas redes sociais: pacientes expostos a tratamentos agressivos sem avaliação clínica criteriosa, sem exames pré-operatórios e, muitas vezes, em ambientes que não permitem manejar uma intercorrência grave”, adverte um dermatologista.

Natasha Crepaldi também lembra que a preocupação da comunidade médica com procedimentos profundos, como o peeling de fenol, levou à notificação desse método após a morte do empresário Henrique da Silva Chagas em uma clínica de estética em São Paulo, em 2024.

"A Anvisa suspendeu cautelarmente os produtos à base de fenol para fins estéticos, e a Sociedade Brasileira de Dermatologia foi enfática: peelings profundos desativar médico habilitado, ambiente controlado e monitorizado. Esses riscos não desaparecem quando a fórmula recebe um novo nome", conclui o especialista.