Vida e Saúde

Sangue de recém-nascidos revela presença de substâncias químicas industriais

Estudo indica que bebês já nascem com PFAS no organismo, compostos associados à leucemia infantil

Agência O Globo - 29/04/2026
Sangue de recém-nascidos revela presença de substâncias químicas industriais
- Foto: Carla Cleto

Um novo estudo publicado no Journal of Exposure Science & Environmental Epidemiology, revista do grupo Nature, uma das mais prestigiadas do mundo, revelou que bebês estão nascendo com os chamados PFAS — substâncias químicas industriais permanentes, que podem estar associadas à leucemia infantil.

Esses compostos, conhecidos como “químicos eternos”, são encontrados em produtos como panelas antiaderentes, embalagens de fast-food, roupas impermeáveis e até em água contaminada. Pesquisas anteriores já apontaram que os PFAS estão presentes na corrente sanguínea de 98% dos americanos.

O estudo analisou amostras de sangue do calcanhar de 344 crianças nascidas na Califórnia entre 2000 e 2015, coletadas entre 24 e 36 horas após o nascimento. Entre os participantes, 125 haviam sido diagnosticados com leucemia linfoblástica aguda antes dos 18 anos e 219 formavam o grupo controle, sem câncer.

Inicialmente, os pesquisadores buscavam 23 tipos conhecidos de PFAS e encontraram 17 deles. No entanto, a análise também identificou outros 26 compostos químicos do tipo, ampliando a preocupação sobre a exposição precoce a essas substâncias.

Embora crianças mais expostas a PFOS e PFOA tenham apresentado um risco 56% e 64% maior, respectivamente, de desenvolver leucemia, esses resultados não foram estatisticamente significativos, ou seja, podem ter ocorrido por acaso. Na prática, isso significaria que, se a leucemia afeta cerca de 5 em cada 100 mil crianças, um aumento de 56% elevaria esse número para aproximadamente 8 em cada 100 mil — mas esse cálculo é apenas uma projeção, não um dado do estudo.

Para outros PFAS menos conhecidos, detectados por uma técnica de varredura total, o risco foi até cinco vezes maior. No entanto, essas análises são exploratórias e precisam ser confirmadas em pesquisas futuras, especialmente pelo tamanho reduzido da amostra (86 crianças) analisada nesses casos, o que torna os dados menos confiáveis.