Vida e Saúde
Canadá aprova primeira versão genérica do Ozempic; expectativa é de liberação no Brasil até junho
Anvisa deve autorizar versão genérica da semaglutida no país nos próximos meses
A agência sanitária do Canadá aprovou sua primeira versão genérica da semaglutida, princípio ativo presente nos medicamentos Ozempic e Wegovy, ampliando o acesso a tratamentos mais acessíveis para diabetes e obesidade. O órgão autorizou a venda de uma injeção desenvolvida pela farmacêutica indiana Dr.
No Canadá, a patente da semaglutida expirou em janeiro deste ano. Já no Brasil, o período de exclusividade da Novo Nordisk terminou em março, abrindo espaço para a chegada de versões similares e genéricas, cuja aprovação pela Anvisa pode ocorrer até junho.
A autoridade sanitária canadense ainda está disponível outros oito pedidos de aprovação de semaglutida genérica de diferentes empresas. Em nota, a Dr. Reddy's informou que os preparativos para o lançamento no Canadá estão em andamento, mas ainda não há previsão de início das vendas.
O cenário global indica que as promoções dos fabricantes estão se preparando para lançar versões alternativas do Ozempic, o que pode reduzir os custos mensais do tratamento para até US$ 14 (aproximadamente R$ 70). Em março, a Índia foi o primeiro grande mercado a disponibilizar a semaglutida genérica, levando a Novo Nordisk a reduzir os preços do Ozempic e Wegovy no país.
A agência canadense explicou que o intervalo entre o fim da patente e a aprovação do medicamento deve, em parte, ao aumento no volume de transações. Entre 2016 e 2025, houve um crescimento de 43% nos pedidos de registro de genéricos, segundo a porta-voz de Mark Johnson. Além disso, também foi levantada uma complexidade das análises, elevando em 30% o tempo médio necessário para avaliação.
Mesmo durante a vigência da patente, outras farmacêuticas já puderam submeter seus produtos à análise, mas precisaram aguardar o termo de exclusividade para comercializá-los. O órgão canadense destacou que, no caso do Dr. Reddy's, o pedido foi analisado dentro do prazo-alvo de 180 dias. No Canadá, medicamentos genéricos costumam ser de 45% a 90% mais baratos que os de referência.
Previsão no Brasil
Com o fim da patente da semaglutida em março, cresce a expectativa pela chegada de versões similares e genéricas no Brasil. Para isso, as farmacêuticas precisam comprovar a segurança e eficácia de seus produtos e obter aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
No último dia 13, a Anvisa indeferiu o pedido da Dr. Reddy's, alegando que não foram atendidos todos os requisitos técnicos de eficácia, segurança e qualidade. No entanto, outros 16 pedidos de registro de semaglutida genérica seguem em análise, com previsão de que algum seja aprovado até junho.
No ano passado, a Anvisa publicou edital para que as empresas solicitassem prioridade na análise dos pedidos, visando garantir o abastecimento do mercado brasileiro, diante da instabilidade na oferta desses medicamentos.
No Brasil, os medicamentos genéricos devem ser pelo menos 35% mais baratos que os de referência. Na prática, a redução costuma ser ainda maior. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos), o desconto médio chega a 60%.
Um estudo publicado no periódico Economia e Sociedade, realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília e da Universidade Federal de Santa Catarina, confirmou que os genéricos costumam ser 59% mais baratos nas farmácias brasileiras, enquanto os similares apresentam custo cerca de 15% inferior ao medicamento de referência.
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