Vida e Saúde
Estudo aponta relação entre uso de certos medicamentos na gravidez e maior risco de autismo
Remédios comuns prescritos a grávidas estão associados a um risco maior de autismo nos filhos, segundo estudo publicado na revista Molecular Psychiatry.
Um estudo realizado nos Estados Unidos indica que crianças cujas mães usaram ao menos um dos medicamentos testados durante a gravidez apresentaram um risco 47% maior de serem liberadas com autismo. Segundo os pesquisadores, quanto maior o número de remédios desse tipo tomados simultaneamente, maior o risco observado.
O trabalho, publicado na revista científica Molecular Psychiatry , revisou 6,14 milhões de registros de saúde materno-infantil — o equivalente a cerca de um terço dos nascimentos nos Estados Unidos entre 2014 e 2023.
Os cientistas identificaram uma associação mais forte entre mães que fizeram uso de medicamentos conhecidos por interferir na via de produção de colesterol durante a gestação e taxas elevadas de transtorno de espectro autista em seus filhos. As crianças foram acompanhadas por até 10 anos para verificar o diagnóstico de autismo.
Os chamados inibidores da biossíntese de esteróis (SBIMs) incluem antidepressivos, antipsicóticos, ansiolíticos e beta-bloqueadores. Entre os medicamentos pesquisados estão: aripiprazol, atorvastatina, bupropiona, buspirona, fluoxetina, haloperidol, metoprolol, nebivolol, pravastatina, propranolol, rosuvastatina, sertralina, sinvastatina, cariprazina e trazodona.
De acordo com os autores, a possível explicação para a associação está na interferência desses remédios na produção de colesterol, substância fundamental para o desenvolvimento cerebral do feto, que só inicia a produção dos chamados esteróis entre a 19ª e a 20ª semanas de gestação. Assim, qualquer interrupção nesse processo pode impactar gravemente o desenvolvimento do cérebro.
O estudo envolve um aumento de 2,33 vezes na chance de uma criança sofrer de autismo quando a mãe fez uso de quatro ou mais medicamentos prescritos simultaneamente durante a gravidez.
Os autores ressaltam que nenhuma mulher deve interromper o uso de medicamentos essenciais sem orientação médica. Em termos absolutos, o aumento do risco foi considerado modesto: de 3,7% entre os não expostos, para até 5% entre os expostos.
Além disso, os pesquisadores destacam que o estudo demonstra apenas uma associação, não sendo possível afirmar que os medicamentos causam autismo. O fato de mães que usam antidepressivos terem mais filhos com autismo pode refletir fatores como a condição mental materna, que possui componente genético, e não necessariamente o efeito do remédio.
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