Vida e Saúde

Estudo aponta relação entre uso de certos medicamentos na gravidez e maior risco de autismo

Remédios comuns prescritos a grávidas estão associados a um risco maior de autismo nos filhos, segundo estudo publicado na revista Molecular Psychiatry.

Agência O Globo - 27/04/2026
Estudo aponta relação entre uso de certos medicamentos na gravidez e maior risco de autismo
Estudo aponta relação entre uso de certos medicamentos na gravidez e maior risco de autismo - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Um estudo realizado nos Estados Unidos indica que crianças cujas mães usaram ao menos um dos medicamentos testados durante a gravidez apresentaram um risco 47% maior de serem liberadas com autismo. Segundo os pesquisadores, quanto maior o número de remédios desse tipo tomados simultaneamente, maior o risco observado.

O trabalho, publicado na revista científica Molecular Psychiatry , revisou 6,14 milhões de registros de saúde materno-infantil — o equivalente a cerca de um terço dos nascimentos nos Estados Unidos entre 2014 e 2023.

Os cientistas identificaram uma associação mais forte entre mães que fizeram uso de medicamentos conhecidos por interferir na via de produção de colesterol durante a gestação e taxas elevadas de transtorno de espectro autista em seus filhos. As crianças foram acompanhadas por até 10 anos para verificar o diagnóstico de autismo.

Os chamados inibidores da biossíntese de esteróis (SBIMs) incluem antidepressivos, antipsicóticos, ansiolíticos e beta-bloqueadores. Entre os medicamentos pesquisados ​​estão: aripiprazol, atorvastatina, bupropiona, buspirona, fluoxetina, haloperidol, metoprolol, nebivolol, pravastatina, propranolol, rosuvastatina, sertralina, sinvastatina, cariprazina e trazodona.

De acordo com os autores, a possível explicação para a associação está na interferência desses remédios na produção de colesterol, substância fundamental para o desenvolvimento cerebral do feto, que só inicia a produção dos chamados esteróis entre a 19ª e a 20ª semanas de gestação. Assim, qualquer interrupção nesse processo pode impactar gravemente o desenvolvimento do cérebro.

O estudo envolve um aumento de 2,33 vezes na chance de uma criança sofrer de autismo quando a mãe fez uso de quatro ou mais medicamentos prescritos simultaneamente durante a gravidez.

Os autores ressaltam que nenhuma mulher deve interromper o uso de medicamentos essenciais sem orientação médica. Em termos absolutos, o aumento do risco foi considerado modesto: de 3,7% entre os não expostos, para até 5% entre os expostos.

Além disso, os pesquisadores destacam que o estudo demonstra apenas uma associação, não sendo possível afirmar que os medicamentos causam autismo. O fato de mães que usam antidepressivos terem mais filhos com autismo pode refletir fatores como a condição mental materna, que possui componente genético, e não necessariamente o efeito do remédio.