Vida e Saúde
Brasil cria o primeiro porco clonado da América Latina para fornecer órgãos ao SUS
Animal nasceu em laboratório de Piracicaba (SP) e representa avanço aguardado há mais de seis anos
Pesquisadores do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante (XenoBR), da Universidade de São Paulo (USP), comemoram um marco histórico: o nascimento do primeiro porco clonado do Brasil e da América Latina.
O animal foi gerado no laboratório do Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IZ-Apta), em Piracicaba (SP), e representa um passo decisivo para o ambicioso projeto nacional de gerar suínos geneticamente modificados capazes de fornecer órgãos para transplantes em humanos sem provocar lesão imunológica.
Em entrevista à agência FAPESP, Ernesto Goulart , professor do Instituto de Biociências (IB) da USP e pesquisador principal do Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD), destacou que a clonagem de suínos é uma das técnicas mais complexas para viabilizar o xenotransplante — transferência de órgãos entre espécies.
“Sabíamos que essa etapa seria um dos maiores desafios do projeto, pois, apesar da experiência brasileira com a clonagem de bovinos e equinos, ainda não tínhamos domínio com suínos, consideradas biologicamente mais requisitos para essa técnica”, afirmou Goulart.
Porcos são escolhidos como potenciais doadores para xenotransplante devido à semelhança do tamanho e funcionamento de seus órgãos com os humanos. No entanto, se transplantados diretamente, foram rejeitados pelo sistema imunológico humano. Por isso, o genoma dos animais é editado.
Os pesquisadores ativaram três genes suínos que induziram a infecção e inseriram sete genes humanos nas células dos porcos, tornando-os mais compatíveis com o organismo do receptor.
Os embriões editados foram transferidos para fêmeas híbridas das linhagens Landrace e Large White. Após quase quatro meses de gestação, nasceu o primeiro clone suíno saudável, pesando 1,7 kg.
"O fato do animal ser supersaudável demonstra que a técnica é eficaz. Já temos outras gestações em andamento, o que reforçam que dominamos o processo", celebra Goulart.
Segundo o pesquisador, qualquer tecido ou órgão dos suínos clonados pode ser utilizado para xenotransplante. Inicialmente, a escolha recai sobre rim, córnea, coração e pele, que juntos atendem 94% da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por financiar e realizar entre 90% e 96% dos transplantes no Brasil.
Estudos clínicos já estão em andamento nos Estados Unidos, China e também no Brasil para viabilizar a tecnologia.
"Os dois primeiros casos envolveram transplantes cardíacos, e os pacientes sobreviveram cerca de 60 dias. Houve ainda um transplante de rim cujo paciente sobreviveu alguns meses, falecendo depois por infarto não relacionado ao procedimento, e outro paciente em que o rim trabalhou por mais de 270 dias antes de retornar à diálise", detalha Goulart.
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