Vida e Saúde

Canetas emagrecedoras podem prevenir e tratar o vício, diz novo estudo

Medicamentos análogos do GLP-1 podem reduzir o risco de overdose em pessoas que já fazem uso de substâncias, além de prevenir o uso de álcool e drogas

Agência O Globo - 07/03/2026
Canetas emagrecedoras podem prevenir e tratar o vício, diz novo estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Medicamentos análogos do GLP-1, utilizados principalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, apresentam potencial para reduzir em até 14% o risco de desenvolvimento de transtornos por uso de substâncias, incluindo álcool, cannabis, cocaína, nicotina e opioides. Além disso, essas medicações podem diminuir o risco de overdose, hospitalização ou morte em pessoas já dependentes de substâncias ilícitas, conforme aponta um estudo publicado no British Medical Journal.

O estudo, conduzido nos Estados Unidos, analisou 606.434 veteranos com diabetes tipo 2 acompanhados por até três anos. Os resultados revelaram que os medicamentos reduziram o risco de transtornos relacionados ao álcool em 18% entre pessoas sem histórico de uso de substâncias, além de diminuir o risco de uso de cannabis (14%), cocaína (20%), nicotina (20%) e opioides (25%), em comparação com pacientes que utilizavam outros medicamentos, como os inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2), exemplificados pela empagliflozina e dapagliflozina.

Entre pessoas já dependentes, os medicamentos para perda de peso também mostraram eficácia ao reduzir o risco de overdose em 39%, a necessidade de atendimento de emergência em 31%, internações hospitalares em 26%, pensamentos ou tentativas de suicídio em 25% e mortalidade em 50%.

Esses medicamentos atuam nos circuitos de recompensa do cérebro, reduzindo a compulsão alimentar e o chamado "ruído alimentar" relatado por muitas pessoas com obesidade. Substâncias viciantes como nicotina, álcool, cocaína e opioides agem na mesma região cerebral, reforçando desejos e a dependência.

"A maior revelação para mim é que [esses medicamentos GLP-1] estão funcionando com diferentes substâncias", afirma Ziyad Al-Aly, do departamento de medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, à revista americana Time. "Antes, na medicina de dependência, existiam medicamentos específicos para tratar substâncias específicas — adesivos de nicotina para o tabagismo, outros tratamentos para o alcoolismo e outros para os opioides. Não existe nenhum medicamento, ou precedente em nosso arsenal, que tenha essa propriedade de funcionar com diversas substâncias viciantes."

O estudo sugere que os medicamentos GLP-1 podem ter potencial farmacológico na prevenção e tratamento de diferentes tipos de dependência. No entanto, os autores ressaltam que são necessários mais estudos para confirmar esses efeitos e viabilizar a aplicação clínica.