Vida e Saúde

Polilaminina: conheça o medicamento experimental para lesão na medula

Remédio feito a partir da proteína laminina está em fase de testes e foi recentemente aprovado pela Anvisa para estudos clínicos

Agência O Globo - 07/03/2026
Polilaminina: conheça o medicamento experimental para lesão na medula
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Polilaminina é um medicamento experimental desenvolvido pela pesquisadora Tatiana Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O tema ganhou destaque nacional nos últimos meses devido aos resultados promissórios do tratamento.

O principal motivo de atenção é o caso de Bruno Sampaio, paciente que sofreu um acidente em 2018 e ficou tetraplégico. Após ser tratado com a polilaminina, Bruno voltou a andar e recentemente participou de um vídeo praticando musculação em suas redes sociais.

O que é a polilaminina?

Desenvolvida ao longo de 27 anos, a polilamina é produzida a partir da proteína laminina , isolada de placentas. Sua principal função é estimular a regeneração dos axônios — estruturas dos neurônios que, ao serem danificados por lesões na medula espinhal, comprometem a comunicação entre o cérebro e os músculos.

Nos testes preliminares, o medicamento foi avaliado em cães e em um grupo de oito voluntários humanos, tratados entre 2018 e 2021 na fase aguda (até 72 horas após a lesão). A aplicação foi feita diretamente na medula espinhal durante a cirurgia, e os resultados variaram: alguns pacientes recuperaram totalmente os movimentos, enquanto outros apresentaram melhora parcial.

Fase experimental e autorização da Anvisa

A polilaminina ainda é considerada experimental, pois não completou as três fases dos estudos clínicos em humanos, permitindo comprovar segurança e eficácia. Em janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da primeira fase dos testes clínicos, que contará com apenas cinco voluntários para avaliação inicial da segurança do medicamento.

Nesta etapa, será utilizada uma formulação injetável de laminina (100 μg/mL), que precisa ser diluída antes do uso para formar uma polilaminina por meio de um processo chamado polimerização. Esse procedimento é uma molécula menor em uma estrutura maior, potencializando o efeito do medicamento. A administração será feita uma única vez, de forma intramedular, diretamente na área lesionada da medula espinhal.