Vida e Saúde

Bebê morre após médicos confundirem hemorragia interna da mãe com gases

Kimberley Newark, de 32 anos, procurou hospital com dores intensas na 34ª semana de gestação

Agência O Globo - 04/03/2026
Bebê morre após médicos confundirem hemorragia interna da mãe com gases
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um bebê recém-nascido morreu cinco dias após o parto depois que médicos não identificaram uma hemorragia interna potencialmente fatal na mãe, inicialmente atribuída a "gases presos". Kimberley Newark, de 32 anos, buscou atendimento no Princess Royal Hospital, em Haywards Heath, Sussex, em setembro de 2024, com dores intensas quando estava na 34ª semana de gravidez.

Confusão no diagnóstico

A equipe da maternidade avaliou os sintomas de Newark como gases, mas ela sofria, na verdade, de uma hemorragia interna grave, colocando em risco sua vida e a de sua filha, Olivia Trupiano.

Os médicos chegaram a orientar o marido de Newark, Yann Trupiano, a voltar para casa e retornar apenas no dia seguinte. Pouco tempo depois, foi descoberto que um vaso sanguíneo próximo ao estômago de Kimberley havia se rompido, provocando uma hemorragia maciça e a perda estimada de 14 litros de sangue — quadro que ameaçou sua vida.

Cesárea de emergência

Olivia nasceu por meio de cesariana de emergência e precisou ser reanimada, pois apresentava encefalopatia hipóxico-isquêmica grave — condição em que o cérebro do bebê não recebe oxigênio ou fluxo sanguíneo suficiente durante o nascimento.

Tanto Kimberley quanto Olivia foram transferidas para outro hospital. A mãe foi colocada em coma induzido, mas, mesmo com os esforços médicos, a bebê faleceu cinco dias após o parto.

Desabafo e impacto familiar

"Fui ao hospital porque desmaiei, estava fraca, tonta e com dores excruciantes — dores que eu sabia que não eram normais. Disseram-me que eram gases e me administraram Buscopan, analgésicos e fluidos intravenosos. A dor nunca passou e depois descobriram que era uma hemorragia interna", relatou Kimberley Newark.

Ela contou ainda que o trauma da perda também afetou seus outros dois filhos, de oito e dez anos, que têm dificuldade em entender porque a irmã mais nova não voltou para casa com os pais.

"Isso também teve um enorme impacto em nosso relacionamento, enquanto tentamos lidar com o luto pela nossa filha. Tem sido devastador em muitos aspectos. Queremos uma explicação clara sobre por que isso aconteceu e por que nossas preocupações não foram levadas em consideração", afirmou.

Investigação em andamento

Após o caso de Olivia, outros nove episódios semelhantes, envolvendo mortes de bebês após o parto entre 2021 e 2023, vieram à tona na maternidade do University Hospitals Sussex, levando à abertura de investigação sobre a conduta da unidade.