Vida e Saúde
'Há aspectos na minha vida que são melhores agora do que nos meus 20 anos. Se paramos, envelhecemos', diz Letícia Spiller
Em entrevista ao GLOBO, atriz conta um pouco sobre sua rotina com dieta, exercícios físicos, gravação de novela, ioga e rituais ancestrais milenares
Letícia Spiller acorda com fome. Para a atriz de 52 anos, o café da manhã é a refeição mais importante do dia. Porém, ela não senta na mesa para se alimentar até fazer alguns rituais especiais. O primeiro deles são seus ritos tibetanos, que nada mais são do que posições de ioga que, segundo ela, ajudam a aquecer o metabolismo do corpo. Depois ela costuma beber uma água morna com limão e cúrcuma, como um anti-inflamatório para desintoxicar o corpo, e só então se senta na mesa de café da manhã.
— Esses rituais vieram da medicina ayurvédica. Eles costumam dizer que é muito importante manter o fogo digestivo aceso, então não é bom consumir nada gelado em jejum, nada cru à noite, por exemplo, que é o horário que a sua digestão fica mais lenta. E sempre a primeira coisa que você coloca no estômago deve ser uma coisinha morna, de fácil digestão — explica.
A atriz, que voltou às novelas depois de um hiato de sete anos no elenco da nova novela das sete, "Coração acelerado", interpretando Janete, mãe da protagonista, afirma que, apesar de sempre ter se alimentado de forma saudável, as novas mudanças na dieta ocorreram pós-pandemia e com o início da pré-menopausa.
— Com a pré-menopausa o nosso metabolismo muda. Fica mais lento, difícil de emagrecer. Eu nunca tive colesterol alto na vida, e ele subiu do nada no último ano. Mesma coisa com o índice glicêmico. E acredito que faz parte dessa mudança hormonal que estou passando. Agora, com a dieta, os rituais, os detox, o bom sono, já consegui reduzir meu índice glicêmico. São pequenas mudanças que acreditamos não fazer muita diferença, mas fazem — diz.
Confira a entrevista a seguir:
Você é uma mulher que gosta de fazer alguns rituais, por exemplo, beber água morna com cúrcuma e um pouquinho de limão pela manhã. Para que esses rituais servem?
São vários rituais, dependendo do dia faço um ou outro. Gosto de intercalar. Por exemplo, às vezes bebo essa água morna com cúrcuma e limão. A água não pode ser muito quente, tem que ser morna para fria, aconchegante, e o limão são apenas algumas gotas também, não é ele inteiro. E eles ajudam muito a limpar o corpo. São componentes que têm entre suas propriedades agentes antioxidantes e anti-inflamatórios. Além disso, gosto de tomar sucos de beterraba, maçã, cenoura. Às vezes misturo umas duas frutas com batata doce cozida também. Porque, geralmente, a gente não consome a quantidade certa desses alimentos no dia a dia e esse suco ajuda exatamente nisso. Outro ritual que costumo fazer de manhã é um bochecho com óleo vegetal, às vezes de coco ou de gergelim. Deixo-o agir por alguns minutos e depois faço a raspagem da língua. Esse bochecho ajuda a tirar as toxinas que são liberadas durante a noite e que ficam na boca pela manhã. Faço isso todo santo dia.
Onde você aprendeu a fazê-los?
Esses rituais vieram da medicina ayurvédica (sistema de saúde natural e tradicional, originário da Índia há mais de 5 mil anos que busca o bem-estar ideal por meio de uma abordagem holística que aborda mente, corpo, comportamento e meio ambiente). Durante a pandemia, me consultei com uma terapeuta ayurvédica, Renata de Abreu, e fiquei superamiga dela, participei do último livro que ela lançou com várias receitas que usamos na ayurvédica, como sopas mais nutritivas, leites veganos, saladas, que são usados para a longevidade. Eles costumam dizer que é muito importante manter o fogo digestivo aceso, então não é bom consumir nada gelado em jejum, nada cru à noite, por exemplo, que é o horário que a sua digestão fica mais lenta. E sempre a primeira coisa que você coloca no estômago deve ser uma coisinha morna, de fácil digestão. Legumes e verduras cozidas, uma água morna com cúrcuma. Na época, essa terapeuta até me sugeriu comer salada depois de passar um pouco na frigideira, mas recusei. Gosto de salada com cara de salada mesmo, geladinha, fresca e gostosa.
Você é uma pessoa que cuida bastante da alimentação. Evita comer glúten e açúcar refinado, por exemplo. Essa prática medicinal ancestral ajudou nesse processo?
Essa mudança ocorreu na pandemia também. Comecei a observar que se eu continuasse fazendo bolo de chocolate e macarrão lá no sítio de quarentena todos os dias não iria dar certo. Senti meu corpo inchado, sabe? Senti que precisava fazer algo para desintoxicar meu corpo. Ele estava acumulado de toxinas. Junto disso, ainda tem todo o estresse e a ansiedade que o momento tinha. Então comecei a fazer esse detox. Tirei todo o açúcar refinado. Se for para fazer um bolo hoje, prefiro usar o demerara ou o mascavo. Não adoço quase nada, café e chá, tudo natural. Evito glúten, mas também não sou radical em nada. Se chegar aquele pãozinho fresco da padaria, macio e quentinho, não vou recusar. Tiro o miolo, mas como o pão. Prefiro os pães de fermentação natural e integrais. Tudo que é exagerado é ruim, acredito que a vida precisa ter equilíbrio e costumo fazer isso na minha alimentação também.
Então se você tiver vontade de comer chocolate, por exemplo, não deixa de consumir?
Sim, mas prefiro sempre os 70% que são mais saudáveis. Se tiver um doce que vale muito a pena comer, eu como. Não sou muito de bebidas alcóolicas. Quase não bebo vinho ou cerveja, por exemplo, se saio com amigos, vou sempre preferir um suco. Mas no ano novo, estava na praia, me deu vontade de beber aquela cervejinha gelada. Fui lá e bebi. Uma vez em sei lá quantos meses, não vai fazer mal. Precisa do equilíbrio e se permitir fazer algumas coisas, o problema é fazer sempre.
Mas houve alguma alteração em seus exames que fizeram você perceber a necessidade dessa mudança na alimentação?
Com a pré-menopausa o nosso metabolismo muda. Fica mais lento, difícil de emagrecer. É científico. Não são todos iguais, então é bom sempre ficar de olho. Conseguimos ver isso através do exame de sangue. Eu nunca tive colesterol alto na vida, e ele subiu do nada no último ano. Mesma coisa com o índice glicêmico. E acredito que faz parte dessa mudança hormonal que estou passando. Agora, com a dieta, os rituais, os detox, o bom sono, já consegui reduzir meu índice glicêmico. São pequenas mudanças que acreditamos não fazer muita diferença, mas faz.
Como está sendo esse período da menopausa?
Está tranquilo por enquanto. Acho que se você puder de alguma forma prevenir os efeitos da menopausa, seja pela alimentação, como a chia, que é um alimento muito importante para esse período, ou até mesmo pela reposição de hormônios bioidênticos, como eu faço, acho válido. Por exemplo, não estou tendo calorão e espero não ter. A única coisa que eu diria que me incomoda é não poder mais gerar um filho. Porque acho isso alo tão poderoso. Você pensar que seu corpo pode gerar uma vida. Mas também acho que a mulher se torna igualmente poderosa quando ela se torna mais sábia também. Quando ela já não é mais fértil fisicamente, mas é fértil espiritualmente.
Você conseguiria detalhar sua alimentação no dia a dia?
Acordo com fome. Então para mim, o café da manhã é necessário. Adoro tomar um bom café da manhã. Geralmente, começo o dia com frutas, granola, cereais, ovo. Às vezes um pão integral, as vezes a tapioca. Um suco de beterraba com cenoura e maça. Ou maçã, couve e batata doce, que é bom para o estômago. Não costumo beber suco de laranja porque acho a bebida indigesta para o café da manhã. No almoço, quando dá tempo de levar para o trabalho, preparo uma proteína, que geralmente é um peixe ou frango, não sou muito da carne vermelha, e salada. Costumo colocar um queijo sem lactose, ou um queijo de cabra que fica muito gostoso. Às vezes uma salada de feijão fradinho que é bem proteica e refrescante nesse calor. Além de verduras e legumes. À noite, agora nesse verão louco, pode ser uma saladinha cozida, como a do almoço de feijão fradinho, ou uma sopa: de inhame ou aquelas verdes com brócolis, espinafre e couve. Sopa de batata baroa também é uma delícia. Uma que eu adoro é de beterraba com leite de coco, da fruta mesmo. Bato o leite com um punhado de castanha de caju para dar forma, fica muito gostoso.
Com tudo isso na sua rotina: gravações, rituais, dieta, dá tempo de fazer exercício físico?
A rotina de musculação, que é muito importante na minha idade por conta da perda da massa, está ficando de lado um pouco. Antes eu fazia três vezes na semana, e com personal em algumas vezes, agora estou conseguindo ir apenas duas vezes na semana. Começo sempre com um aeróbico, sei que tem gente que fala que não é bom começar por ele, mas, para mim, isso funciona como comer a fruta antes da proteína de manhã. Eu preciso comer algo fresco, sabe? Algo que hidrate o meu corpo antes de comer ovo, por exemplo. E eu preciso começar meus treinos aquecendo meu corpo com o aeróbico. Sempre faço 30 minutos antes de ir para a musculação de fato. Em geral, trabalho o corpo todo, não separo por grupos musculares. Já estou fazendo só duas vezes por semana, se eu separar, não vou treinar nunca um grupo. Então faço tudo junto e costumo fazer uma hora de musculação.
E mesmo com a rotina de gravações está conseguindo fazer tudo?
Às vezes, quando tem que acordar cedo demais é que não dá tempo, porque eu priorizo meu sono. Se formos colocar um ranking de importância, em primeiro lugar está o sono, que é a maior ação rejuvenescedora do seu corpo. Você precisa dormir bem e ter uma noite ininterrupta. Já tive meus problemas de insônia, mas, graças a Deus, agora, não estou tendo e acredito que essas mudanças foram essenciais nisso. Procuro ter oito horas, mas nem sempre consigo, então não deixo ser menos de seis horas. Sei que se eu dormir bem, as seis horas, acordo renovada na manhã seguinte. Em segundo lugar estão meus rituais, principalmente os tibetanos, que são as posições de ioga que faço em jejum para começar bem o meu dia. Faça chuva ou faça sol, eu os faço. Eles ajudam a aquecer o metabolismo do meu corpo. Não começo meu dia sem eles. E em terceiro lugar, os exercícios físicos: aeróbico e musculação.
Você comentou que o sono é um rejuvenescedor natural da pele e com certeza esses ritos e rituais que você faz ajuda sua pele a ficar mais hidratada e jovial, mas e procedimentos estéticos, você já recorreu a eles também?
Sim, volta e meia faço um bioestimulador de colágeno. Já procurei especialistas para aplicar toxina botulínica, mas fiz poucas vezes, e usei muito pouco, quase imperceptível. Mas gosto muito de bioestimulador, ele não é agressivo e é algo natural do seu corpo, ele estimula o que já está dentro de você. Além disso, cuido muito da minha pele também, sempre faço uma skincare em casa. Começo limpando meu corpo, minha pele, nunca durmo sem tomar um banho antes. Uso um hidratante com filtro solar, sempre passo ele antes de ir trabalhar, ou antes da maquiagem. Protejo bastante, assim, a área do colo e do rosto, principalmente. Estou sempre tentando cuidar ao máximo. Tenho muitas pintas e tenho que ir, pelo menos, a cada seis meses no dermatologista para vê-las, mas às vezes esqueço, quando vi já passou o tempo, então nunca dá para cuidar de tudo totalmente, mas tento sempre ficar de olho ao máximo.
Uma pergunta frequente que seus seguidores costumam fazer nas redes sociais é duvidar da idade que você tem. Para você, a idade é um peso ou apenas um número?
Acredito que é mais um número mesmo. Tem alguns aspectos da minha vida que me vejo melhor agora do que quando tinha 20 anos, por exemplo. Alguns hábitos, minha alimentação, mas claro que a gente muda. A pele muda, a articulação muda. Precisamos nos cuidar mais, estar sempre em dia com a musculação, com os cuidados dentro de casa para não cair e se machucar. Só não podemos parar, acredito que quando a gente para, aí é que envelhecemos. E a cabeça também, temos que nos alimentar de bons pensamentos, ler bons livros, ver bons filmes, arte em geral. Estudar. Estar sempre em forma tanto física quanto mental. Espero estar com a minha criança bem acesa nos meus 80 anos.
Desde jovem você chama atenção pela sua beleza e não a toa nossa entrevista foi traçada por esse assunto. Hoje, seu filho, Pedro Novaes, no ar na novela “Três Graças” no papel de Leonardo, é considerado o galã da nova geração. Como é para você ver isso acontecer também com seu filho? Você chegou a conversar com ele sobre a questão da exposição ou o preparou para às vezes a beleza dele ser a notícia?
Fico emocionada e muito orgulhosa, mas ele não gosta de ser chamado de galã. Eu acho que ele prefere outros adjetivos, inquieto, talvez. Ele tem essa inquietude artística, essa vontade de evoluir, melhorar, não ficar acomodado. Acho que herdou isso de mim. Sobre a questão da exposição e da beleza em si, acho que ele sempre teve consciência disso. Ele sempre viu isso muito de perto tanto por mim, quanto pelo pai dele (o ator Marcello Novaes). E acredito que ele está usando isso como ferramenta de trabalho também. Eu acho que se a gente tem essa ferramenta, a gente precisa usar ela a nosso favor. Por isso que eu falo da inquietude, ele poderia ser acomodado nisso, mas não é.
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