Vida e Saúde

Vacina contra herpes-zóster fica fora do SUS por decisão do Ministério da Saúde

Parecer da Conitec apontou alto custo como principal obstáculo para a oferta do imunizante na rede pública

Agência O Globo - 19/01/2026
Vacina contra herpes-zóster fica fora do SUS por decisão do Ministério da Saúde
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina contra herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS) após recomendação contrária da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última segunda-feira.

Em sua análise, a Conitec reconheceu a eficácia comprovada da vacina, mas destacou que o alto custo do imunizante inviabiliza sua inclusão em uma política pública de saúde abrangente. O esquema completo, composto por duas doses, pode custar até R$ 2 mil na rede privada.

O pedido avaliado, feito pelo próprio Ministério da Saúde, previa a oferta da vacina para idosos com 80 anos ou mais e imunossuprimidos acima de 18 anos. Segundo o relatório, o impacto orçamentário estimado seria de R$ 5,2 bilhões em cinco anos para vacinar 1,5 milhão de pessoas por ano, totalizando 6,5 milhões, considerando o limite máximo de doses disponíveis pela fabricante GSK.

Mesmo com a oferta de um preço reduzido pelo laboratório – R$ 403,30 por dose, inferior ao valor cobrado no mercado privado –, a Conitec avaliou que seria necessário que o custo chegasse a R$ 75,75 por dose para que a incorporação fosse considerada custo-efetiva para o SUS.

Na decisão final, deliberada em reunião realizada em 10 de dezembro, a comissão ressaltou que a negativa não impede futuras negociações ou possíveis incorporações, e que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) mantém interesse em avançar nas tratativas para encontrar um valor mais acessível.

Por ora, o Ministério da Saúde optou por seguir a orientação da Conitec e não incluir o imunizante na rede pública. No entanto, foi destacado na publicação do DOU que a vacina poderá ser reavaliada pela Conitec caso surjam novos fatos capazes de alterar o resultado da análise.

A vacina em questão, Shingrix, foi aprovada no Brasil em 2021 para pessoas com mais de 50 anos e imunossuprimidos a partir de 18 anos. O imunizante é administrado em duas doses, com intervalo de dois meses entre elas. Atualmente, o esquema completo custa cerca de R$ 1,7 mil no mercado privado.

O herpes-zóster, conhecido popularmente como cobreiro, é diferente das demais formas de herpes, como a genital e a labial. A doença é causada pelo vírus varicela-zóster, responsável pela catapora no primeiro contato com o organismo, geralmente na infância.

Após causar a catapora, o vírus permanece adormecido em um nervo do corpo e pode ser reativado na vida adulta, especialmente em situações de baixa imunidade. A maioria dos casos ocorre em pessoas acima de 50 anos ou imunossuprimidas, grupos considerados de risco.

Dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam que cerca de uma em cada três pessoas desenvolverá herpes-zóster ao longo da vida. A doença pode causar lesões cutâneas e dores intensas, geralmente restritas a um lado do corpo.