Vida e Saúde

Lenacapavir: injeção aprovada pela Anvisa previne HIV, mas não é vacina; entenda

Apesar de prevenir a infecção, o medicamento não é considerado vacina, pois não estimula o sistema imunológico e requer aplicação semestral.

Agência O Globo - 12/01/2026
Lenacapavir: injeção aprovada pela Anvisa previne HIV, mas não é vacina; entenda
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira o lenacapavir, primeiro medicamento injetável de aplicação semestral capaz de prevenir a infecção pelo HIV em quase 100% dos casos. O fármaco, que será comercializado sob o nome Sunlenca, foi desenvolvido pelo laboratório Gilead Sciences e já havia recebido aprovação nos Estados Unidos e na Europa.

A autorização é para o uso como profilaxia pré-exposição (PrEP), destinada a prevenir a infecção em pessoas que não vivem com HIV, com idade acima de 12 anos, peso superior a 35 kg e teste negativo para o vírus. Apesar de também evitar a contaminação, o lenacapavir não é uma vacina: ele não induz a produção de defesas pelo sistema imunológico e precisa ser administrado a cada seis meses para garantir a proteção.

Atualmente, já existe uma estratégia de PrEP disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2017, baseada em comprimidos diários. Esses medicamentos também reduzem o risco de infecção a quase zero, mas a necessidade de uso diário é considerada um obstáculo à adesão.

Lenacapavir é uma vacina?

Em julho do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o lenacapavir como parte da estratégia de prevenção combinada, que reúne diferentes ferramentas, como uso de preservativos, testagem e PrEP. Na ocasião, a OMS classificou a medida como “uma ação política histórica que poderia ajudar a remodelar a resposta global ao HIV”.

— Enquanto uma vacina contra o HIV continua fora de alcance, o lenacapavir é a melhor alternativa: um antirretroviral de longa duração que, em testes, demonstrou prevenir quase todas as infecções por HIV entre pessoas em risco — afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, durante o lançamento das diretrizes.

O lenacapavir não é uma vacina porque, assim como a PrEP em comprimidos, não estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos e células de defesa contra o HIV. Trata-se de um antiviral que bloqueia os mecanismos utilizados pelo vírus para se replicar, exigindo, portanto, a presença constante do medicamento no organismo.

De forma geral, uma vacina utiliza fragmentos do material genético de um vírus ou bactéria para que o sistema imune o reconheça e produza defesas específicas. Assim, simula a exposição ao agente infeccioso, gerando uma resposta imune prolongada.

No caso da PrEP, trata-se de um medicamento que não ativa o sistema imunológico, mas combate o vírus diretamente. É utilizado também para o tratamento de pessoas já infectadas. O objetivo é manter a substância circulando no sangue, de modo que, ao entrar em contato com o HIV, o organismo já esteja protegido e o vírus seja rapidamente neutralizado, impedindo a infecção.

Por esse motivo, se a administração da PrEP for interrompida, a proteção desaparece. Já as vacinas, embora possam exigir reforços, proporcionam uma proteção mais duradoura, pois estimulam o sistema imune. Atualmente, não há vacinas aprovadas contra o HIV no mundo.